Os trabalhos do sínodo prosseguem

Com o encerramento das ações programadas para o sínodo arquidiocesano e a publicação da Carta Pastoral pós-sinodal, no dia 25 de março passado, teve início a fase da recepção do sínodo arquidiocesano. Este foi um exercício fecundo de ver-ouvir-discernir-propor sobre a ação evangelizadora e pastoral de nossa Arquidiocese. Fizemos um bom diagnóstico sobre a nossa situação religiosa e pastoral. Por certo, não se pretende ficar apenas no diagnóstico, mas partir para novas atitudes e ações, que possam ajudar a alcançar os frutos desejados.

Conservam ainda toda a sua validade a constatação e o apelo dos bispos na Conferência de Aparecida (2007), repetidos depois pelo Papa Francisco (2013): não podemos ir adiante, fazendo de conta que ao nosso redor nada mudou e que tudo continua como sempre esteve na nossa Igreja. Não podemos continuar a fazer uma pastoral de mera conservação; precisamos rever nossos modos de fazer as coisas e dar à nossa ação pastoral uma conotação fortemente missionária.

A primeira parte da Carta Pastoral é um convite à Arquidiocese inteira para trabalhar, agora, a “comunhão, a conversão e a renovação missionária” propostas pelo sínodo, priorizando algumas questões como: viver a comunhão eclesial de forma nova; crescer no sentimento de pertença e participação na Igreja; promover uma verdadeira renovação missionária e tornar mais missionárias as nossas comunidades e organizações eclesiais; dar nova valorização à família, como “Igreja doméstica”; priorizar a catequese em todas as fases da vida; recuperar o sentido do Domingo, dia de Deus e da comunidade. Os frutos do sínodo serão alcançados se esses pontos forem devidamente assumidos em todas as expressões da Igreja em nossa Arquidiocese.

A segunda parte da Carta Pastoral traz as propostas sinodais específicas para as diversas dimensões da vida pastoral, elaboradas pela assembleia sinodal arquidiocesana. Cada grupo ou organismo pastoral na Arquidiocese precisa agora confrontar-se com as propostas, que poderíamos também chamar de “propósitos sinodais”. A partir dessas propostas, muita coisa vai se renovando na vida pastoral da Arquidiocese.

Mas o sínodo também propôs a revisão e atualização de diversos instrumentos pastorais e administrativos de nossa Arquidiocese, como o Plano de Manutenção, o Diretório dos Sacramentos, o Diretório da Formação Presbiteral, entre outros. Vários instrumentos referenciais novos deveriam ser criados, como um Regimento interno da Cúria, um Diretório Litúrgico da Arquidiocese, um Diretório da Vida Pastoral. Foi sugerida a criação de dois Vicariatos para a Arquidiocese: da Pastoral da Saúde e da Pastoral da Catequese. Enfim, a renovação pastoral também requer a adequação da própria organização pastoral da Arquidiocese, para torná-la mais integrada e funcional. A reorganização pastoral da Arquidiocese na fase pós-sinodal deverá contemplar também a elaboração de um novo Plano de Pastoral para a Arquidiocese, para os próximos anos, que leve em conta as indicações do sínodo.

Para seguir o trabalho com uma metodologia sinodal, foram nomeados e encarregados 12 grupos de trabalho específicos, que deverão preparar as propostas dos instrumentos administrativos e pastorais que lhes foram pedidos. Esse trabalho será expressão importante da corresponsabilidade pela organização e a vida pastoral da Arquidiocese, sobretudo do clero. Os grupos de trabalho deverão levar em conta o grande propósito sinodal, que está expresso no tema do sínodo: que nossa Arquidiocese faça “um caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”. Trata-se de uma mística que deve permear a organização, a ação e toda a dinâmica da vida eclesial.

Alegra-nos saber que nosso caminho sinodal arquidiocesano se cruzou com o caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco. Ele pede que toda a Igreja seja sinodal – em comunhão, participação e missão. Ser “sinodal” não é algo novo, pois assim foi a Igreja desde os apóstolos. Comunhão, participação e missão fizeram parte do ser da Igreja desde as origens, desde que Jesus chamou e formou o grupo dos apóstolos e os enviou em missão.

Com o passar do tempo, isso ficou um tanto esquecido e a Igreja passou a ser vista mais como uma organização clerical de benefícios espirituais e religiosos. No entanto, ela é o povo de Deus, formado por todos os batizados, chamados a viverem como discípulos, missionários e testemunhas de Jesus Cristo, a santificarem o mundo e a darem testemunho de que o Reino de Deus já chegou.

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Maria Geracilde Alves
Maria Geracilde Alves
9 meses atrás

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo Jesus é a luz nós ilumina os caminhos a seguir em casa cuidando bem da família e de nós mesmo com amor e respeito na igreja intercessão comunhão dentro da igreja e fora viver o sínodo com amor no amor Jesus 👑 Rei e senhor nosso transformando vidas para que todos tenham vida em abundância a igreja de Cristo que salva cura e liberta leva para o céu Deus é nossa força e caminha conosco não devemos temer a nada nem ninguém é fazer nossa parte ide evanjeliza sendo instrumento de mudança começando em nos mesmo somos testemunhos do senhor Deus aqui na terra 🌎 a paz é possível sim e viva a vida.

Niceias de Aquino
Niceias de Aquino
9 meses atrás

Trabalhar o sínodo arquidiocesano será um grande desafio para resgatar nossa fé cristã visando sempre o centro de nossa vida que é e será sempre NOSSO SENHOR JESUS CRISTO