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Por que tanta atenção à Bíblia?

Setembro é o mês da Bíblia no Brasil. É uma boa ocasião para nos familiarizarmos mais com a palavra de Deus contida na Sagrada Escritura e para crescermos como discípulos atentos à “palavra da salvação”.

A Escritura oferece a base da nossa fé e daquilo que pregamos como “verdadeiro”. Ainda no início do Cristianismo, São Paulo, já na prisão em Roma e à espera do martírio, exortou seu discípulo e colaborador, Timóteo, a permanecer firme naquilo que aprendeu e aceitou como verdadeiro a partir da pregação do Apóstolo (cf. 2Tm 3,14), e destacou o valor da Sagrada Escritura: “Desde criança, conheces as Escrituras Sagradas. Elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé no Cristo Jesus” (v. 15).

E São Paulo continua, com um texto célebre sobre a importância da Bíblia na Igreja: “Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça. Assim, a pessoa que é de Deus estará capacitada e bem preparada para toda obra boa” (2Tm 3,16-17). Em síntese, a Sagrada Escritura capacita e prepara bem a pessoa para toda obra boa. Alguém já definiu a Bíblia como a “carta de amor de um pai a seus filhos muito queridos, para a boa educação deles”. Nos Salmos, encontramos várias vezes a súplica: “Mostra-me, Senhor, o Teu caminho e guia-me (…) pelo caminho certo” (cf. Sl 16,11; 27,11; 86,11; 143,8). Ao longo da Escritura, Deus vai revelando seus caminhos à humanidade. São caminhos de paz, de vida e de salvação.

A Sagrada Escritura é um verdadeiro tesouro, que precisamos conhecer sempre mais, familiarizando-nos com ela. Não basta dizer: “Já li, já sei, já conheço”. O Livro Sagrado é diferente de outros livros, uma vez que nos coloca em contato com o próprio Deus, que nos fala por meio dele. Mas como passar do texto escrito e das histórias bíblicas à escuta da palavra de Deus? Eis uma questão importante: Há um modo próprio de ler a Bíblia, para escutarmos Deus por meio dela. Antes da leitura, é preciso colocar-se em atitude de oração, pedindo ao Espírito Santo a ajuda e a nossa abertura para ouvir Deus. O mesmo Espírito Santo que inspirou os autores dos textos sagrados também ajuda hoje o leitor e ouvinte do texto sagrado a acolher o seu significado, enquanto palavra de Deus.

Outro elemento importante para a leitura proveitosa da Bíblia é a sua leitura contínua, e não apenas de trechos escolhidos ou selecionados, como se fossem receitas prontas para serem aplicadas. Um critério importante para a interpretação é este: a Escritura se compreende como um todo, e não apenas pelas partes ou por trechos isolados. A própria Escritura ajuda a compreender a Escritura. Do contrário, por trechos isolados, poderemos facilmente esvaziar ou deturpar o sentido dos textos sagrados, colocando-os em contradição com outros textos. Em cada parte da Bíblia, Deus dá-se a conhecer; mas é no todo da Escritura que teremos uma compreensão mais perfeita de Deus e dos seus caminhos. E a Igreja diz que é Jesus Cristo o centro da Bíblia, o mediador e a plenitude de toda revelação divina aos homens. Portanto, à luz de Cristo, compreendemos melhor o Antigo e o Novo Testamento.

Ainda outro critério importante para a leitura proveitosa da Escritura: ela é o “livro da família”, ou seja, do povo de Deus. E é no contexto da família, ou da comunidade de fé, que o seu sentido pode ser compreendido melhor. Isso não dispensa a leitura pessoal da Bíblia. É importante ler a Escritura pessoalmente. Mas há um valor especial e uma pedagogia divina importante na leitura e acolhida da palavra de Deus pela comunidade de fé, reunida em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Por isso, a celebração litúrgica e a reunião eclesial são os lugares e momentos privilegiados para a leitura e acolhida da palavra de Deus. Isso também evita desvios na interpretação da “palavra do Senhor”, que possui na comunidade de fé, a Igreja, o lugar seguro de sua acolhida e interpretação.

Para a melhor compreensão da importância da Sagrada Escritura para a nossa fé e para a vida da Igreja, aconselho a ler, no Catecismo da Igreja Católica, os parágrafos 51 a 141.

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