Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

Um ano para caminhar juntos

Com a chegada de fevereiro, a vida pastoral vai entrando novamente no seu ritmo, depois de um período de atividades mais contidas por causa das férias. E temos muito pela frente neste ano!

Iniciamos acolhendo dois novos bispos auxiliares na Arquidiocese de São Paulo: Dom Márcio Antônio Vidal de Negreiros, OSA, ordenado Bispo em Bragança Paulista (SP) no dia 24 de janeiro. Ele será encarregado, como Vigário Geral e Vigário Episcopal, do Vicariato regional de Santana. E Dom Celso Alexandre, do clero diocesano de Ourinhos (SP), ordenado Bispo na Catedral dessa Diocese no dia 1º de fevereiro passado. Ele será encarregado como Vigário Geral e Episcopal para cuidar do Vicariato regional Ipiranga. Ambos tomarão posse de seus ofícios, como Vigários Gerais e Vigários Episcopais, no próximo dia 15 de fevereiro na Catedral da Sé Metropolitana. Gratidão ao Papa Leão XIV pela nomeação desses dois irmãos no episcopado, que contribuirão muito na vida e missão de nossa imensa Arquidiocese.

A Quaresma vai chegando sem demora e, com ela, faremos nossa preparação para a celebração da Páscoa, momento central na nossa fé e na vida litúrgica da Igreja. Durante a Quaresma, ouviremos novamente o chamado à conversão a Deus e seu Reino e a crescer em fraternidade, expressão da caridade cristã. A verdadeira conversão a Deus leva sempre ao amor aos irmãos. O lema da Campanha da Fraternidade deste ano é a questão grave da moradia: “Ele veio morar entre nós” (cf Jo 1,14). O lema interpela a todos, quando vemos tantas pessoas sem ter onde morar, vivendo na rua, ou morando muito precariamente em favelas e cortiços, ou habitações extremamente precárias nas extensas periferias das metrópoles. O lema faz pensar se aí não há uma situação gritante de falta de fraternidade. Nesse caso, fraternidade, dignidade humana e justiça social andam juntas. O que podem fazer os cristãos, discípulos de Cristo, diante dessa situação?

O ano pastoral tem seu ritmo próprio, com ações cotidianas para servir e animar o povo de Deus na vivência de fé e no testemunho da caridade e da esperança. Em cada paróquia, comunidade ou organização eclesial há muito para se fazer para ajudar o povo de Deus a caminhar unido e solidário, bem alimentado pela Palavra de Deus, pela Eucaristia e pela vida de oração. Contudo, é preciso olhar ao redor e em frente, dando-nos conta da realidade que nos cerca e do caminho que temos a percorrer. Por isso, a Arquidiocese tem um Projeto Pastoral Emergencial, assumido após a conclusão do 1º sínodo arquidiocesano, que orienta a viver a “comunhão, a conversão pastoral e a renovação missionária”.

Esse Projeto Emergencial, com suas indicações específicas, nos ajudará também neste ano, enquanto a Coordenação Pastoral já trabalha na elaboração da proposta do próximo Plano de Pastoral arquidiocesano. As referências permanentes desse novo Plano de Pastoral serão, antes de tudo, a Palavra de Deus, a missão da Igreja e a realidade eclesial e social que nos cerca. A Igreja não se encontra em um espaço neutro, mas em um contexto com características próprias, dentro do qual ela vive e exerce sua missão. As indicações do nosso sínodo arquidiocesano precisam ser levadas à prática com lucidez e perseverança; assim também, as referências do sínodo universal sobre a sinodalidade da Igreja; e as referências da Conferência Episcopal (CNBB), que vai aprovar, neste ano, novas Diretrizes Gerais para a ação evangelizadora no Brasil.

Nossa Arquidiocese vive o aniversário dos 280 anos de sua criação, pelo Papa Bento XIV, em 6 de dezembro de 1745, com a Bula Pontifícia Candor lucis aeternae (“O esplendor da luz eterna”). Ao longo deste ano, é oportuno que recordemos a história desta Igreja particular, da qual somos parte e cuja história devemos também nós enriquecer. Temos muito a agradecer a Deus por tantas pessoas que aqui nos precederam no caminho da fé e da missão: bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas, tantas pessoas anônimas, que viveram e testemunharam sua fé, esperança e caridade. Elas também constituíram a estrutura física de nossas paróquias, igrejas, conventos e os espaços de serviço para a vida e a missão da Igreja nesta cidade imensa. O que hoje temos à nossa disposição e usufruímos foi fruto de muito trabalho e sacrifício generoso de pessoas que creram como nós e assumiram sua parte na missão da Igreja em todos os sentidos. Que Deus seja louvado! E que nós saibamos escrever bem a nossa página na história da Igreja de São Paulo.

Ao longo deste ano, caminhemos juntos, abertos aos chamados de Deus e atentos uns aos outros. Abracemos juntos a missão da Igreja e nos mantenhamos unidos em Cristo e na comunhão da Igreja. Que nada rompa o laço profundo que nos une na Igreja de Cristo, não apenas em São Paulo, mas na Igreja de todo o mundo. Alegremo-nos por ser parte dela e com ela, assumamos também as dores e sofrimentos pelo Evangelho. Juntos, caminhamos melhor e mais amparados. E que Deus nos ajude e acompanhe!

Comentários

  1. A mensagem de Dom Odilo Pedro Scherer, neste editorial, é um convite claro e inspirador a atos concretos por parte dos leigos e leigas, bem como de suas respectivas comunidades. Parabéns. Ora et labora!

    Responder

Deixe um comentário para Pedro Luiz Dias Cancelar resposta