No domingo, 18 de outubro, a Igreja Católica celebra em todo o mundo o Dia Mundial das Missões pela 100ª vez. Bem se vê que não é de hoje que ela tem a preocupação missionária e deseja envolver todos os seus filhos na obra missionária. De fato, essa preocupação vem dos tempos apostólicos, que já envolviam as comunidades dos fiéis na obra missionária. E assim aconteceu ao longo de dois mil anos da história da Igreja.
Jesus deu início à Igreja com o chamado dos apóstolos e dos demais discípulos. Comunicou-lhes o dom precioso do Evangelho do Reino de Deus e os preparou para que, depois dele, continuassem a anunciar essa boa nova a todos os povos e, também, fossem suas testemunhas em toda parte. E ofereceu-lhes a assistência permanente do Espírito Santo, para conduzir e animar a Igreja no cumprimento de sua missão.
Jesus não fundou uma ONG ou uma instituição autorreferencial deixada ao seu próprio destino. Ele quis que a comunidade dos discípulos ficasse bem unida a Ele, a Deus Pai e ao Espírito Santo. Na sua despedida, após a Última Ceia, Ele pediu que os apóstolos permanecessem unidos entre si, unidos Nele e em Deus Pai e se deixassem conduzir pelo Espírito Santo. Na parábola da videira e dos ramos, a necessidade dessa união e comunhão eclesial, que vai além dos aspectos meramente humanos, aparece fortemente configurada (cf. Jo 15,1-8). Ele é a videira, os discípulos são os ramos e o Pai do céu é o agricultor. O ramo que não permanece unido à videira fica infrutífero e seca. Jesus deseja que a missão dos apóstolos produza muitos frutos e indica a condição para que isso aconteça: permanecer unidos Nele e na comunhão eclesial.
O Papa Leão XIV, na sua mensagem para o 100º Dia Mundial das Missões, destaca isso: se quisermos que o trabalho missionário da Igreja produza frutos ainda em nossos dias, precisamos estar em comunhão com Cristo e em comunhão eclesial. As divisões internas da Igreja enfraquecem o testemunho missionário. As tentativas de atacar e minar, dentro da própria Igreja, a credibilidade e idoneidade moral de anunciar e testemunhar o Evangelho são péssimas para a sua missão. As questões internas da Igreja sobre aspectos organizativos e culturais não devem se tornar a preocupação principal da Igreja, para não enfraquecer o seu ardor missionário.
Leão XIV destacou a importância de uma renovada consciência sobre a natureza missionária da Igreja e a urgência da ação missionária bem participada. É importante perguntar sempre de novo: para que existe a Igreja? E lembrar que o primeiro motivo da sua existência é o anúncio e o testemunho do Evangelho. Portanto, isso precisa ter a primazia nas ações da Igreja e deve ser feito de muitas maneiras. A missão é da Igreja toda e, portanto, todos os membros da Igreja são missionários, cada um no seu lugar e com o dom recebido de Deus. Pela fé e pela nossa pertença à Igreja, somos todos da única grande vinha do Senhor, chamados a produzir frutos de vida nova, de testemunho e anúncio do Evangelho. “Permanecei em mim e eu em vós: se permanecerdes em mim e eu em vós, então produzireis muitos frutos” (cf. Jo 15,5).
A missão faz parte da natureza sinodal da Igreja e não deve ser relegada a alguns poucos. Todos os membros do povo de Deus participam dos bens da Igreja a partir do Batismo. Todos recebem os bens da redenção, da vida nova, do amor de Deus e da esperança mediante a inserção em Cristo, a “videira verdadeira”. E isso não é para que tenhamos esses bens apenas para nós mesmos, mas para que os compartilhemos com os demais e com o mundo. Somente pessoas e comunidades cristãs fervorosas tornam-se missionárias e dão testemunho de Jesus Cristo.
Uma das formas de participação da obra missionária da Igreja é o apoio material, mediante a “coleta missionária”, feita no Domingo das Missões em todas as celebrações da Igreja Católica. Com essa ajuda generosa, é possível apoiar concretamente a ação de muitos missionários nas “frentes de missão”, nas quais a Igreja está ausente ou ainda pouco presente. Sejamos generosos nessa partilha missionária. Será no domingo, dia 18 de outubro.




