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Vivei à altura do Evangelho de Cristo

No mês da Bíblia, aprendemos a acolher a Palavra de Deus com fé, com a ajuda do Espírito Santo. O breve trecho da Carta de São Paulo aos Filipenses (1,20c-24.27a), lido no 25º Domingo Comum (20.09.26), é um exemplo da perene atualidade da Palavra de Deus, mesmo lida em tempos diversos e em contextos culturais muito diversos.

São Paulo achava-se na prisão, provavelmente em Éfeso, por causa da sua atuação missionária; nessa circunstância, ele escreveu à comunidade cristã dos Filipenses, que lhe era muito cara. Essa comunidade havia enviado uma ajuda para ele na prisão e desejava ter notícias do Apóstolo, que agradeceu, sensibilizado. Os fiéis de Filipos estavam preocupados com o bem-estar de Paulo na prisão e, certamente, também com sua defesa e libertação. Ele mesmo nem estava tão preocupado com isso e estava consciente do risco de vida que corria e da possibilidade de não conseguir mais encontrar os fiéis daquela comunidade, como é seu ardente desejo. Nessa circunstância, ele aproveita para mostrar aos Filipenses, e a nós, o que realmente importa na vida cristã.

E, então, apareceu o homem de fé que ele era e que entregou sua vida inteiramente a Jesus Cristo e pelo Evangelho: “Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (v.20-21). Paulo sabe que, vivendo ainda, ele poderá continuar a fazer muito bem, anunciando a todos a Palavra de Deus. Mas, se viesse a morrer, seu martírio glorificaria a Deus e fortaleceria a fé da comunidade. De fato, Paulo ainda não seria martirizado nessa circunstância e teria de enfrentar mais outras lutas pelo testemunho de Jesus Cristo em Roma, na prisão e diante dos tribunais, até ser condenado à morte e martirizado.

Enquanto isso, o Apóstolo viveu serenamente a sua entrega a Cristo: “O meu viver é Cristo” (v.21). Impressiona a sua fé forte e persistente, mesmo na prisão e aparente solidão. Essa atitude tem sua explicação no encontro pessoal inteiramente singular de Paulo com Jesus Cristo ressuscitado no caminho de Damasco. Esse encontro foi muito marcante e motivador para ele e o levou a uma mudança radical em sua vida. De perseguidor de Cristo e dos cristãos que era, ele se converteu a Cristo e ao Evangelho sem reservas. O verdadeiro missionário é, antes de tudo, um discípulo ligado ao Mestre por uma experiência forte.

Da prisão, Paulo também exortou os Filipenses a não se abaterem e a permanecerem firmes na fé e no testemunho do Evangelho, levando “vida digna do Evangelho de Cristo” (cf. v.27). É o mesmo que ele escreveu, depois, ao seu jovem companheiro Timóteo, quando estava preso em Roma e condenado à morte: “Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de fortaleza, de amor e de moderação. Portanto, não te envergonhes de testemunhar a favor de nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro; mas, sustentado pela força de Deus, sofre comigo pelo Evangelho” (2Tm 1,7-8). E o próprio Paulo reforça esse testemunho de coragem e perseverança: “Suportando os presentes sofrimentos, não me envergonho, pois sei em quem acreditei e estou certo de que ele é poderoso para guardar até aquele dia o que me foi confiado” (v. 12). “Aquele dia” é uma referência ao comparecimento diante do julgamento de Deus.

Jesus repreendeu a Pedro, que o queria impedir de subir para Jerusalém, para enfrentar os sofrimentos da paixão e morte, exortando-o a “pensar conforme Deus, e não conforme os homens” (cf. Mt 16,23). A leitura constante da Sagrada Escritura não tem o mero objetivo do conhecimento intelectual e ilustrativo, mas de acolher a Palavra de Deus contida na Bíblia e, assim, assimilar sempre mais na consciência e na prática da vida pessoal e comunitária a sabedoria de Deus que se manifesta por meio da Escritura. O objetivo final da leitura da Palavra de Deus é “ouvir Deus” e que a fé se afirme; que conheçamos sempre melhor os caminhos de Deus e levemos vida segundo Deus: “Assim, a pessoa que é de Deus estará capacitada e bem preparada para toda obra boa” (2Tm 3,17).

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