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A correção fraterna

Corrigir os que erram é uma das sete obras de misericórdia espirituais, propostas por Jesus no Evangelho: “Se o teu irmão pecar, vai e corrige-o a sós” (Mt 18,15). A correção fraterna era praticada entre os primeiros cristãos. São Paulo também a recomenda: “Irmãos, se alguém for achado em falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão” (Gl 6,1). Os Padres da Igreja ensinavam a fazer a correção fraterna: “Aquele que corrige deve fazê-lo em particular e com mansidão, não como quem se alegra com o erro do outro, mas como um amigo e irmão.” (São João Crisóstomo, Homilia sobre a Carta aos Hebreus, 12,11-15). Este preceito de Nosso Senhor consiste em uma advertência feita a alguém, para que se abstenha de algo ilícito ou prejudicial. É uma obrigação de caridade verdadeira para com o nosso próximo. Assim, a correção fraterna é um instrumento queri-do por Deus para salvaguardar o espírito cristão e santificar as pessoas. Custa trabalho fazê-lo, mas é um dever de lealdade; sem dúvida, é muito mais fácil passar o dia lamentando-nos dos aborrecimentos que os outros nos provocam ou contá-los a terceiros, com ar de zombaria ou dramaticidade. Tal como aconteceu no famoso episódio do pecado de Davi, é possível que a pessoa não tenha percebido o seu pecado, ainda que o vejamos com uma claridade meridiana.

A correção fraterna é o meio mais eficaz para a solução dos conflitos. É o que realmente resolve. Não resolve corrigir os outros em público nem ainda lançar indiretas ou fazer ironias ou brincadeiras com os defeitos alheios. Muito menos se deve falar de modo destemperado, aos gritos, porque a pessoa – com razão – não aceitará. Mas se, depois de haver rezado, pensamos sobre o momento e o modo de falar, agimos com prudência, a pessoa aceitará bem a nossa advertência, porque sentirá a intervenção da graça de Deus; e assim a caridade mútua se fortalece. Mais de 90% do sucesso de uma correção depende de encontrar a hora certa. Não devemos corrigir quando estamos sob o efeito da dor provocada pelo erro e, muito menos, quando tivermos perdido os nervos. 

Se não praticamos a correção fraterna, facilmente cairemos no erro da maledicência: começamos pensando mal, e depois fazemos um julgamento condenatório. Assim, diante dos defeitos do próximo, a caridade cristã nos ensina a procurar colocar-nos na sua situação e a pensar como gostaríamos que nos fizessem as advertências: quando queremos bem a uma pessoa, desejamos que melhore, não cometa erros, supere seus defeitos… Devemos pressupor sempre a boa intenção dos outros. 

Por outro lado, consideremos que temos necessidade de receber essas advertências, em razão da incapacidade de enxergarmos os próprios defeitos. Vemos e ouvimos os outros, não nos vemos nem nos ouvimos. Há defeitos nossos que só os outros enxer-gam: um canto completamente desafinado ou a reação de desagrado com certa pessoa etc. As críticas positivas funcionam como um auxílio à nossa consciência. São saudáveis porque permitem nos corrigirmos: senão, permaneceríamos encarquilhados com os nossos defeitos, acumulando manias, caprichos, apegamentos, reações bruscas, faltas básicas de educação etc. Quando nos alertam e nos dizem as coisas claramente, temos a chance de nos conhecermos melhor e, portanto, condições de nos corrigirmos e de superar nossas deficiências. Vamos hoje aproveitar para pedir a Deus a coragem de praticar essa demonstração de caridade verdadeira com as pessoas que convivem conosco. 

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