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Jesus nos recomenda ser mansos e humildes

O evangelho do domingo nos mostra Jesus exultante de alegria, dizendo: “Eu te dou graças, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” Jesus abre seu coração numa oração em voz alta, mostrando que Deus esconde a revelação de si mesmo aos sábios e entendidos, mas se revela aos humildes. Em seguida, Jesus nos diz onde encontraremos a paz: sendo humildes. Vamos procurar entender. O que significa ser pequeninos? Não querer ser grandes. Não se considerar perfeitos, não se sentir isentos de ajuda, de conselhos. Pelo contrário, ficamos inquietos quando não queremos reconhecer os nossos erros, a nossa parcela de culpa. Devemos ter cuidado com o orgulho real: aquele que salta e nos faz perder a paz. Não podemos nos surpreender com os nossos erros. Não deveríamos sofrer demais com as humilhações. Não podem ser como terremotos: mesmo que sejam exageradas ou até mesmo completamente injustas. Não nos devem abalar os juízos dos outros, porque, como nos diz São Paulo, “quem me julga é o Senhor”, porque quem nos conhece perfeitamente é o próprio Deus. Nosso Senhor também faz uma afirmação que pode servir-nos muitas vezes de uma boa e carinhosa repreensão: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis repouso para as vossas almas”(Mt 11,29). Se queremos encontrar descanso e repouso para as nossas almas, devemos voltar o olhar para Cristo e aprender dele a ser mansos e humildes de coração. Jesus Cristo se dirigia às pessoas com profunda mansidão e humildade. Ele não se impõe aos outros à força, não exige uma submissão à sua autoridade, não se aproveita de seus poderes divinos para dominar. Para Jesus, a única preocupação no seu relacionamento com os outros era a de ajudá-los, consolá-los, libertá-los das suas doenças e pecados. A humildade de Cristo levava-o a tratar as pessoas com doçura, com suavidade, a esquecer-se de si mesmo para pensar no próximo e se colocar à sua disposição com simplicidade. A mansidão de Jesus Cristo também se coloca em evidência na sua paciência com os apóstolos: na lentidão dos discípulos em abrirem-se à fé; nas interpretações erradas do povo sobre o significado das suas palavras. É um grande exemplo para nós, que lidamos com pessoas que demoram em melhorar.

Tem mansidão a pessoa controlada no seu modo de falar: cultiva a rara habilidade de ouvir com interesse as razões dos outros. Sabe conversar. Expressa-se com palavras isentas de apaixonamento, não se exalta ao expor sua opinião. Isso não é uma questão de temperamento: aqueles que têm reações fortes, por serem nervosos e inquietos, também podem – e devem – chegar a ter reações controladas e serenas, porque se trata de uma virtude, uma conquista de quem se esforça, com o auxílio da graça, a vencer suas inclinações. Devemos convencer-nos de que a ira descontrolada prejudica todo o mundo: a nós mesmos, aos outros e esfria o relacionamento com Deus. 

Precisamos saber esperar a hora certa de falar: “Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. Conseguirás mais com uma palavra afetuosa do que com três horas de briga. – Modera o teu gênio.” (São Josemaría, Caminho, n. 10) Há coisas que só se resolvem com a passagem do tempo, no momento certo, e não com modos bruscos. Também é necessário encontrar o tom e o modo de falar: “Isso mesmo que disseste, dize-o noutro tom, sem ira, e ganhará força o teu raciocínio, e sobretudo não ofenderás a Deus. (idem, n. 9)

Por fim, também ajuda muito a manter o controle das irritações, contar com momentos de descanso: um passeio, uns dias de férias, uma boa leitura, além de dormir direito e respeitar os horários de trabalho.

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