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Seguir Jesus: encontro, chamado, escuta

Toda vocação começa com um encontro. É Deus quem toma a iniciativa, aproxima-se da pessoa humana e faz ressoar um chamado que transforma a existência. O encontro desperta o coração, o chamado dá direção à vida e a escuta sustenta a fidelidade do discípulo. Assim acontece com todos aqueles que seguem Jesus Cristo.

Pelo Batismo, todos somos vocacionados. Antes de qualquer ministério, estado de vida ou serviço eclesial, existe uma vocação comum: viver como filhos e filhas de Deus, configurados a Cristo e enviados em missão. A vocação cristã não é privilégio de alguns, mas dom oferecido a todos os batizados, chamados à santidade, à comunhão e ao anúncio do Evangelho.

A Igreja nasce precisamente desse encontro com Cristo morto e ressuscitado. Ela não é fruto de um projeto humano nem de uma simples organização. É a comunidade daqueles que ouviram o chamado do Senhor e decidiram caminhar com Ele. Como ensinava São João Crisóstomo, a Igreja é “nome de união e de concórdia, não de divisão”. Toda vocação autêntica conduz à comunhão.

Neste Ano Jubilar Franciscano, São Francisco de Assis resplandece como um dos mais belos exemplos desse caminho. Seu encontro com Cristo tornou-se concreto quando abraçou o leproso e reconheceu naquele irmão sofredor a presença do próprio Senhor. Mais tarde, diante do Crucificado de São Damião, recebeu um chamado que marcaria toda a sua vida: “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja”. A princípio, compreendeu aquelas palavras literalmente; depois, descobriu que Cristo o chamava, antes de tudo, a reconstruir a Igreja pela conversão, pela fraternidade e pelo testemunho do Evangelho.

Toda vocação amadurece na escuta. O chamado de Deus não se impõe; ele é acolhido por um coração que sabe ouvir. O antigo Israel expressava essa atitude na palavra Shemá: “Escuta, Israel”. Escutar é reconhecer que Deus continua falando na oração, nas Escrituras, na vida da Igreja e, também, na voz dos irmãos e irmãs, sobretudo dos pobres, que ocupavam lugar privilegiado no coração de São Francisco.

A escuta é um verdadeiro artesanato. Como toda obra artesanal, exige tempo, paciência e delicadeza. Também a comunhão se constrói assim: pouco a pouco, valorizando cada pessoa e discernindo juntos os caminhos do Espírito. Quando aprendemos a escutar, nossos processos pastorais e administrativos deixam de ser apenas funcionais para se tornarem verdadeiros espaços de participação, corresponsabilidade e fraternidade.

O Papa Francisco recordava que a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio. Ela não é apenas um método de trabalho, mas um modo de viver o Evangelho. Sinodalidade significa caminhar juntos, descendo ao chão em que o outro pisa, acreditando que o Espírito Santo também fala por meio dele.

Por isso, somos convidados a romper o ciclo do fazer excessivo para entrar no dinamismo do encontro, do chamado e da escuta. Quem encontra Cristo descobre sua vocação; quem acolhe seu chamado encontra sentido para a vida; quem aprende a escutar torna-se instrumento de comunhão. Que o testemunho de São Francisco de Assis inspire todos os batizados a responder generosamente ao chamado de Deus, reconstruindo a Igreja pela força do Evangelho e pelo amor aos irmãos, especialmente aos mais pobres.

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