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Todos somos apóstolos na Igreja

O Evangelho nos conta como aconteceu a escolha dos 12 Apóstolos. Sabemos que uma grande multidão se reunia para ouvir Jesus: “Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças” (Lc 6,18). Eram quatro, cinco mil pessoas que passavam muitas horas com Ele. Depois, havia um grupo mais reduzido de discípulos: eram 72 e iam de dois em dois preparar as aldeias por onde Jesus devia pregar. “Jesus passou a noite toda em oração a Deus. Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos” (Lc 6,14). 

São escolhidos para conviver com Ele, para participar dos milagres e das curas e, depois, para serem os responsáveis por levar adiante a pregação do Evangelho, para edificar a Igreja em todos os lugares. Os Doze são chamados um a um, pelo seu nome. Esses doze não pertenciam à classe influente de Israel, nem ao grupo sacerdotal de Jerusalém: eram pessoas simples. 

Entre os escolhidos estão os dois Apóstolos celebrados em 28 de outubro: Simão, também chamado Zelota para distingui-lo de Simão Pedro, era natural da Galileia, e Judas Tadeu, que era filho de Alfeu e de Maria de Cléofas. Pregaram o Evangelho, segundo parece, no Egito, na Mesopotâmia (atual Iraque) e na Pérsia (atual Irã), e morreram mártires em defesa da fé. De Judas Tadeu, sabemos que era parente de Jesus e que, segundo a tradição, é o autor de uma das Epístolas católicas. Como os demais Apóstolos, tiveram a imensa sorte de aprender dos lábios do Mestre a doutrina que depois ensinaram. Compartilharam com Ele alegrias e tristezas. 

Quantas coisas aprenderam na intimidade das conversas com o Mestre, para depois as transmitirem aos outros! Compartilharam com Ele as alegrias quando a multidão acolhia a sua pregação, e a pena quando notavam a falta de generosidade de um ou outro em seguir o Mestre. 

Na Carta aos Efésios, São Paulo diz que todos fomos chamados a ser apóstolos: “Sois da família de Deus. Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas” (2,19-20). O Papa Francisco disse isso claramente aos jovens na JMJ do Rio de Janeiro em 2013: “Jesus não disse: ‘Se vocês quiserem, se tiverem tempo’; mas: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’. Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandado que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você… Jesus não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor. 

Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas.”

Pelo Batismo, todos na Igreja são chamados a serem apóstolos. Como? Por meio da amizade, da conversa pessoal, do intercâmbio de ideias e da transmissão de experiências boas: nós aprendemos dos nossos amigos e nos enriquecemos com as suas experiências, com as suas qualidades. E nós também transmitimos as nossas convicções, as coisas boas que temos, porque não queremos guardá-las para nós. Oferecer ajuda e pedir conselho. Ensinar e aprender. Corrigir e pedir desculpas. 

Devemos tomar a iniciativa para aproximar-nos mais das pessoas e estreitar os laços de amizade. Falar dos nossos ideais, das convicções, da própria fé. Tudo isso em um clima de amizade, durante o intervalo do almoço, tomando um café etc. Como os Apóstolos, nós também queremos que as pessoas se tornem amigas de Jesus. São Josemaría começa o seu pequeno livro Caminho com um convite vibrante: “Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da terra com o fogo de Cristo que levas no coração.” É o momento de nos perguntarmos: quantas pessoas já se encontraram com Deus por meio da nossa amizade?

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