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Propor o melhor para o porvir

Ainda vivemos sob os efeitos da pandemia. Às vezes, queremos acreditar que estamos chegando ao fim deste pesadelo, porém os noticiários nos advertem que devemos nos preocupar e preservar a nós mesmos e aos que amamos. Duas palavras surgem simultaneamente no nosso inconsciente: medo e esperança. Medo de que essa doença permaneça por muito tempo, afetando nossa saúde e nosso equilíbrio emocional. Medo pelo desconforto de vigiar constantemente os nossos relacionamentos e policiar permanentemente o nosso comportamento social, sobretudo em relação aos nossos familiares. Esperança de que dias melhores nos tragam boas notícias. Esperança nos medicamentos encontrados pelos cientistas. Esperança de que abriremos nossas janelas e portas e estaremos novamente prontos para encontrar nossos familiares e amigos. Esperança de que a vida efetivamente comece com dias melhores.

Por quanto tempo ainda teremos que ter medo do incerto e esperança por dias ensolarados? Quanto mais precisaremos para enterrar definitivamente o vírus e viver momentos tranquilos? Lembramos com prazer e saudade do tempo que se foi e permanece na memória no antes da pandemia. Trazemos as marcas de quando vivemos o hoje do coronavírus e ansiosamente esperamos que tudo passe.

O que devemos esperar para o amanhã? Quando chegará o verdadeiro porvir? Bastará o fim do distanciamento e a descoberta de medicamentos e vacinas? Tudo voltará a ser como antes? Encontraremos nossos familiares, abraçaremos nossos amigos, retomaremos nossos trabalhos, nossos estudos e revisitaremos nossos lugares preferidos, que nos eram aprazíveis?

Já foi muito dito que não seremos os mesmos depois da pandemia. Tomando essa máxima, sugerimos uma interrogação: Como estamos nos preparando para o porvir? Em quais propostas estamos apostando? Estamos propondo para a nossa vida otimismo ou pessimismo?

Durante muito tempo, ouvimos a palavra solidariedade. Essa palavra-chave moveu o mundo e foram inúmeras as ações que mobilizaram os continentes. O mundo ainda está sensível. As pessoas sentem compaixão dos rostos anônimos, dos enfermos nos hospitais e de quantos os assistem, da velhice desamparada nos asilos e de tantos outros transeuntes que passam e circulam sem serem vistos. Compaixão daqueles que sofrem.

Como deve ser a nossa proposição de vida? Como deve ser o agir de quem segue a Jesus Cristo? Como seguir seus passos, como pessoa que interage com o mundo? Duas palavras muito recorrentes até agora foram solidariedade e compaixão. Como cristãos, devemos utilizar uma palavra mais apropriada, que é caridade. “Agora, portanto, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (1Cor 13,13).

Depois da pandemia, de certa forma, nada será como antes. A educação possivelmente será híbrida (presencial/virtual), o ambiente de trabalho terá mais espaço para o home-office, os lugares públicos serão mais restritos e restritivos. Como dimensionar o porvir? Como serão as relações humanas, o futuro da educação e de trabalho e as celebrações religiosas?

O melhor, para cada um de nós e toda a humanidade, passa pelo projeto de como estamos propondo o porvir. Devemos pensar o hoje e o futuro, redimensionando a vida no seguimento de Jesus Cristo, para viver e continuamente praticar o bem. “Discerni tudo e ficai com o que é bom” (1Ts 5,21)

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