Fica conosco, Senhor!

Na tarde do Domingo da Páscoa, dois discípulos de Jesus regressam à sua aldeia, Emaús, profundamente desanimados porque Jesus Cristo, em quem haviam posto todo o sentido de suas vidas, tinha sido entregue nas mãos dos líderes religiosos e do governador, condenado à morte e sepultado havia três dias. Eles provavelmente eram do grupo dos 72 discípulos. Nos últimos anos, haviam presenciado tantas coisas grandes: até eles mesmos haviam pregado o Evangelho, presenciado algum milagre… 

Como estava a sua alma? Eles tinham deixado muitas coisas boas para seguir a Cristo. Sua única ambição era acompanhá-lo, ouvi-lo, aprender dele, ajudá-lo em tudo. O futuro parecia-lhes promissor: conheciam o poder e a sabedoria do seu Mestre. Comprovavam que seu prestígio conquistava muitas pessoas. 

Agora, porém, em poucas horas, tudo ficou completamente arruinado: o Mestre traído, entregue nas mãos dos judeus, foi condenado à morte pelo governador romano. O corpo de Jesus, depositado no sepulcro, foi tirado de lá e não se sabe o que foi feito dele, apesar de algumas mulheres dizerem ter visto um anjo assegurar que Ele está vivo. Tudo parece haver terminado tragicamente. E, agora, o que será de nós? O que faremos?

Um forasteiro os encontra no mesmo caminho e começam a conversar. No entanto, eles não percebem que o viajante era o próprio Senhor ressuscitado. O diálogo quase completo é transcrito pelo evangelista: manifestam seu estado de ânimo, abrem seu coração e relatam a sua decepção. Trata-se de uma conversa que abranda o medo, recupera o ânimo, alivia seus corações, ilustra sua inteligência e os transforma completamente.

É interessante a postura de Jesus, ao deixar-lhes completamente livres para contar tudo o que lhes pesa no coração. E não os interrompeu, abreviando o desabafo. Esperou que exteriorizassem seus sentimentos, manifestassem seus medos, desesperanças e frustração. Jesus provocou o encontro, coincidindo no mesmo caminho; participou da conversa, intuiu seus sentimentos pelo modo cabisbaixo com que caminhavam e percebeu seu coração tristonho. Com palavras cálidas, ajudou a vencer a ignorância, o desânimo, a deformação do juízo daqueles homens, que sentiram confiança para contar o que lhes preocupava: os acontecimentos ocorridos em Jerusalém na tarde da sexta-feira, culminando na morte de Jesus de Nazaré. Com muita paciência, apoiado nas Escrituras, apresentou uma série de argumentos para lhes mostrar como o plano de Deus se foi cumprindo, afirmando que não tinham motivo para andar angustiados: “...começando por Moisés, e passando por todos os profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras o que se referia a ele” (Lc 24,27). 

Ao chegarem à sua aldeia, eles o detiveram, como se dissessem: “Precisamos continuar conversando com você. Sentimos o nosso coração aliviado. Recuperamos a alegria. Foi muito bom abrir a alma com sinceridade total e confidenciar os nossos sentimentos…”. 

Nesse momento, Jesus se revelou ao se sentar à mesa com eles e ao partir o pão eucarístico; imediatamente, desapareceu de sua vista. Eles se sentem agora felizes e alegres. Estão completamente recuperados. “Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém… e contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão” (Lc 24,35).

Nesse tempo da Páscoa, devemos fazer o mesmo: conversar em nossa oração com Jesus Ressuscitado, contar-lhe a nossa situação: nossas preocupações, aflições e desânimos. Detê-lo entre nós – “fica conosco” – na Eucaristia, na Comunhão, na fração do pão. Somos privilegiados porque temos o nosso Deus tão próximo: nos nossos caminhos diários, na celebração da missa e na Sagrada Comunhão. Que saibamos encontrar Jesus Ressuscitado na oração e na Eucaristia. 

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