Maria, a cheia de graça

Neste mês de maio, enquanto vivemos a profunda experiência pascal, mais uma vez somos chamados a invocar Maria, a Mãe de Jesus, Mãe de Deus e nossa, Mãe da Igreja. Vale muito neste “tempo mariano”, na mente, no coração e pelos lábios, recordar e meditar o belo texto do Evangelista São Lucas, no anúncio do Anjo Gabriel: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo… Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (cf. Lc 1,28-31). 

Sim, uma palavra tão ampla e densa, que contempla em si toda a vida de Maria. Ela, a cheia de graça, simplesmente, o Anjo seu nome não diz, mas a saúda na alegria, a plena de graça. Verdadeiramente na graça se encontra a identidade mais profunda de Maria, sua escolha, seu sim como resposta, sua entrega incondicional, seu se colocar a serviço, sua missão de Mãe do Messias. Não só isso, Maria é uma pessoa antes de tudo amada por Deus, tão cara a Ele desde a eternidade. Como é maravilhosa esta perspectiva amorosa, onde a graça se torna o espaço, o lugar onde Maria se encontra com seu Criador, o Deus amado. Tudo é graça de Deus, dizemos tantas vezes, pois Deus é amor (cf. 1Jo 4,8), logo a vida é graça, dom de amor, e a nossa vocação é graça e missão. Na graça residem a grandeza e a beleza de Maria. E podemos realmente proclamar: Maria é Maria porque é cheia de graça, e, ao dizer isto, dizemos tudo o que está na Palavra de Deus: a cheia de graça, e encontraste graça em teu Deus. 

Em nossa oração, e ao dizer “Ave, Maria, cheia de graça”, queremos reconhecer que ela está plena do favor de Deus, seu agrado, seu bem querer, pois nela está o Senhor, serás Mãe, terás um filho, seu nome será Jesus. Maria é toda agraciada, toda bela, graciosa, reluzente de bondade, santa e imaculada, repleta de todas as virtudes. A Mãe de Jesus se reconhece predileta, no Magnificat recorda e agradece: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1,47). Dar graças significa antes de tudo reconhecer a graça recebida, aceitar sua gratuidade, de Deus tudo recebemos gratuitamente. Sabemos que a salvação, alcançada por Cristo, é graça. É pela graça que fomos salvos, mediante a fé, como dom de Deus (cf. Ef 2,8). 

A anunciação da graça traz consigo consolação e coragem, alegria e esperança. Maria é convidada pelo Anjo a se alegrar por causa da graça, a não ter medo, por causa da graça recebida. Nós também, a exemplo de Maria, renovemos cada dia o contato com a graça de Deus, que está em nós, pela fé professamos, recebemos de sua Palavra, pelos sacramentos, no amor pelos irmãos. Que neste mês de maio rezemos o Santo Rosário com mais confiança, e a cada “Ave, Maria, cheia de graça”, demos graças a Deus, a Ele bendizemos com gratidão. 

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