Monte o Presépio em sua casa!

Um dos mais belos documentos que o Papa Francisco já escreveu para a Igreja é a carta apostólica Admirabile signum, pela qual o Santo Padre desejava apoiar a tradição bonita das nossas famílias de prepararem o Presépio, nos dias que antecedem o Natal, e incentivar-nos para que esta prática nunca desapareça e, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir e revitalizar (n. 1). O Papa explicava também o motivo pelo qual esta tradição continua tão importante para nós, cristãos: além de nos recordar dos tempos em que se era criança e se esperava, com impaciência, o tempo para começar a construí-lo, o Presépio faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé a nossos filhos e netos (n. 10).

É interessante refletirmos sobre esta última frase do Papa: para o Santo Padre, o Presépio não é um mero objeto de decoração natalina, nem uma simples tradição cultural... Pelo contrário: o Presépio é uma verdadeira devoção, que excita em nós um amor mais ardente por Deus, e ajuda nossas crianças a conhecer nossa fé.

Mas alguém poderia se perguntar: o que tem de tão especial o Presépio? Afinal de contas, nós já não temos o texto dos Evangelhos? Para que acrescentar essas imagenzinhas de gesso ou resina?

Bem, não há dúvida que os Evangelhos continuam sendo a base para nossa devoção à Natividade de Nosso Senhor, naquela gruta fria em Belém. É no texto das Escrituras, inclusive, que encontramos os vários detalhes que enriquecem a montagem de nossos Presépios. No entanto, montar um Presépio, “ao vivo e a cores”, é algo que muito ajuda a nossa devoção – e isso, por um motivo bastante simples. Nós, seres humanos, não somos “puros espíritos” como os anjos, não somos meros intelectos, flutuando no ar, entre palavras e ideias. Nós temos nosso espírito – mas temos também nosso corpo, com seus cinco sentidos, que são capazes de deixar profundas marcas em nossa alma. Quem não se recorda com imenso carinho, afinal, do cheiro gostoso da casa dos avós, ou do gosto daquela comida que a mãe fazia na infância, ou do cafuné que recebia dos parentes queridos? 

Por isso é que, ao contemplarmos o Presépio, “ao vivo e a cores”, vamos alimentando nossa alma, ajudando-a a enxergar e amar as grandes coisas que Deus fez em nosso favor. A Encarnação, o fato de que Deus Todo-Poderoso, o Criador de todo o universo, dignou-se fazer homem, com a mesma natureza que a nossa, é algo que deveria nos causar vertigem. Um ser humano como eu e você, diante de toda a imensidão do universo, com seus bilhões de galáxias e com sua infinitude de átomos e moléculas, é menos que uma gota d’água no oceano. E todo este imenso universo, diante da majestade de Deus, é como um grão de areia no deserto. E no entanto, aquele mesmo Deus, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, dignou-se fazer-se homem, como eu e você!

Mais do que isso: Deus fez-se homem não por um mero capricho, ou porque queria nos humilhar. Ele se fez homem porque nos amou muito, de um tresloucado amor, capaz de dar a própria vida. No Presépio, o Deus que sustenta na existência todo o universo é sustentado pelos braços de Maria, e protegido pela vigilância paterna de José.

O Presépio, de fato, nos comove, nos leva às lágrimas, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-Se até à nossa pequenez” (Idem, n. 3). O sorriso de uma criança, por si só, já é capaz de trazer um pouco de luz, mesmo a nossos dias mais sombrios. Quanto mais luz, quanto mais paz, se esta criança for o próprio Menino-Deus, nascido pobre e desprezado, chorando de fome e de frio, na palha de sua manjedoura? Exclamemos, com São Francisco de Assis, o criador do primeiro Presépio: “Amemos o Menino de Belém!”.

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