‘Não tenhais medo, pequenino rebanho!’

O católico, por definição, tem um coração universal! Acreditamos que Jesus é Deus e o único Salvador e que, portanto, todos os homens, de todos os lugares e de todos os tempos, são chamados a fazer parte da sua Igreja. O Senhor manifestou ser essa a sua vontade, quando ordenou: “Ide e fazei em todas as nações discípulos meus, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-lhes a observar tudo o que Eu vos ensinei” (Mt 28,18s). 

Se olharmos ao redor, todavia, veremos que ainda há tanto a fazer! Muitos homens jamais conheceram o Senhor ou receberam apenas uma caricatura Dele. Outros simplesmente rejeitaram o Evangelho. Se pensarmos nos governos das principais nações, na ONU e nas ideias veiculadas pela mídia ao redor do mundo, constataremos que o Salmo 2 ainda é plenamente válido: “Os reis da terra se insurgem e os poderosos fazem aliança contra o Senhor e o seu Cristo” (Sl 2,2). 

Um cristão que ama verdadeiramente a Deus e aos homens poderia se entristecer ao ver que o Senhor ainda não é conhecido e amado. Associada às dificuldades normais da vida cotidiana, essa tristeza poderia levá-lo a uma perigosa tentação de desânimo. Por isso, o Senhor nos conforta no Evangelho deste domingo: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino” (Lc 12,32)! Não somos egoístas, que pensam apenas na sua própria relação com Deus. Também não nos fechamos em grupinhos exclusivistas, acomodados num falso sentimento de superioridade em relação àqueles que não creem. Afinal, o Senhor disse: “A quem muito foi dado, muito será pedido” (Lc 12,48). Porém, nem por isso, deixamos de agradecer e louvar o Senhor, reconhecendo que recebemos um dom incomparável: a fé em Jesus Cristo. 

Por Ele, temos coragem e otimismo, pois “esta é a vitória que vence o mundo: nossa fé” (1Jo 5,4)! Pela fé, já possuímos o que ainda esperamos: a união com Deus no Céu. Por ela, temos a certeza sobrenatural daquilo que ainda não podemos enxergar. A fé foi o que, desde o Antigo Testamento e inclusive depois da vinda de Cristo, tornou os homens justos e ricos aos olhos de Deus (cf. Hb 11,2ss). 

A Sabedoria afirma “que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos” (Sb 18,9). Nós, cristãos, compartilhamos as mesmas tribulações no mundo: o zelo pelos que não conhecem o Evangelho, as incompreensões e perseguições, a dor por tantos homens que passam por esta vida como por um túnel, sem jamais ver a luz da fé... Mas também participamos dos mesmos bens na Igreja: a fé, a esperança, a caridade, a graça santificante, os sacramentos... Cada igreja do mundo é nossa casa; cada cristão, um irmão! E participaremos juntos do Bem maior: aquele banquete sem fim, em que Deus será tudo em todos. 

Por isso, estamos atentos e vigilantes! Por isso, não esmorecemos! Por isso, não caímos no desânimo ou no medo. E recordamos, sempre que necessário, as palavras do Senhor: “Não tenhais medo, pequenino rebanho!”. 

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