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O amigo de Paulo

Paulo tinha vários amigos: Lucas, o querido médico, Priscila e Áquila, Timóteo, Tito, Silas etc. Mas, parece que este foi o primeiro, talvez tenha sido o mais decisivo para a sua vida e missão. Chamava-se Barnabé. É mencionado pela primeira vez quando Lucas fala sobre a comunidade cristã. Diz que não havia necessitados entre eles, pois todos os que eram proprietários de terrenos ou casas vendiam-nos, levavam o arrecadado do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos. E, então, se fala de um certo José, chamado pelos apóstolos de “Barnabé”, que significa “filho da exortação”, um levita natural de Chipre, que tinha um campo e vendeu-o e trouxe o dinheiro e o depositou aos pés dos apóstolos (cf. At 4,34-37). 

Mais tarde, quando Paulo estava em Damasco e começou a ser perseguido pelos judeus, depois de ter sido salvo pelos cristãos por meio de uma fuga estratégica, chegando a Jerusalém, Barnabé o levou até os apóstolos e testemunhou positivamente sobre ele: “Tendo chegado a Jerusalém, Saulo procurava juntar-se aos discípulos, mas todos tinham medo dele, não acreditando que ele fosse discípulo. Barnabé, então, o tomou, levou-o aos apóstolos e contou-lhes como, no caminho, Saulo tinha visto o Senhor – o qual falou com ele – e como em Damasco tinha pregado com valentia em nome de Jesus. Assim, ele andava livremente com eles em Jerusalém, pregando com valentia em nome do Senhor” (cf. At 9,19-30). 

Depois, quando os cristãos que tinham sido dispersos em razão da perseguição que sobreviera depois da morte de Estêvão chegaram a Antioquia e anunciavam a Boa-Nova aos judeus, mas foram surpreendidos pela conversão dos gregos (pagãos), Barnabé, enviado de Jerusalém, ao chegar a Antioquia, alegrou-se muito e exortou a todos para que permanecessem fiéis ao Senhor, com firmeza de coração, pois ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Foi quando ele foi atrás de Paulo: “Barnabé, entretanto, partiu para Tarso, à procura de Saulo. Tendo-o encontrado, levou-o a Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos naquela Igreja, e instruíram uma numerosa multidão” (cf. At 11,19-26). 

Foi assim que Paulo descobriu sua vocação de ser apóstolo dos gentios, o que foi confirmado depois pela comunidade cristã: “Certo dia, enquanto celebravam a liturgia em honra do Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: ‘Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de realizarem a obra para a qual eu os chamei’. Jejuaram, então, e oraram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo e os deixaram partir” (cf. At 13,1-3). 

Trabalharam muito juntos! Mas, depois se desentenderam e se separaram: “Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: ‘Voltemos a visitar os irmãos em cada uma das cidades onde anunciamos a Palavra do Senhor, para ver como estão’. Barnabé queria levar consigo também João, chamado Marcos. Mas Paulo opinava que não deviam levar consigo aquele que os tinha abandonado na Panfília e que não os tinha acompanhado na missão. Houve um desentendimento tal que os dois se separaram. Barnabé tomou consigo Marcos e embarcou para Chipre. Paulo, tendo escolhido Silas, partiu, confiado pelos irmãos à graça do Senhor” (At 15,36-40). 

Algumas passagens posteriores fazem intuir que Paulo não guardou ressentimentos já que, se o motivo da separação era Marcos, o primo de Barnabé, ele é mencionado por Paulo de maneira positiva, sem qualquer constrangimento (cf. Cl 4,10; 2Tm 4,11). Contudo, o mais relevante é que Barnabé tenha sido aquele que foi capaz de estar ao lado de Paulo quando todos olhavam para ele com desconfiança. E, por causa de sua acolhida, Paulo tornou-se o grande Apóstolo que foi. Faz-nos lembrar o dito dos antigos Romanos: “Amicus certus in re incerta cernitur” (amigo certo se conhece na incerteza), ou como dizia Jesus: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15).

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