Somos pessoas. Embora pareça algo simples e até mesmo trivial, esse fato, quando considerado em sua profundidade, faz toda a diferença no processo de formação das novas gerações e no modo como vivemos.
Conversando com muitas famílias e acompanhando estudos e pesquisas, constato diariamente o quanto estamos distanciando as novas gerações do ideal de ser de uma pessoa.
Estamos guiando a nós e nossas crianças pela bússola do sentimento. Isso acontece de modo tão radical que chegamos a um sentimentalismo sem medidas – hoje, somos o que sentimos, ou seja, tornou-se real aquilo que sinto sobre mim ou o que sinto sobre o outro e não o que verdadeiramente sou ou ele é.
Nós nos reduzimos ao que sentimos e, ser pessoa significa ir além dos sentimentos. Estes fazem parte da vida animal de modo geral, mas, na pessoa, os sentimentos, apesar de importantes, não são o diferencial. Temos potências superiores.
Somos a única espécie capaz de ressignificar sentimentos, de encontrar sentido, de estabelecer metas e de encontrar modos para alcançá-las. Somos a única espécie em que cada indivíduo pode verdadeiramente escrever sua própria biografia e vai fazê-lo de modo diferente dos demais a partir do uso da liberdade que trazemos como traço radical por sermos pessoas. Isso significa dizer que não somos somente um aglomerado de células, não somos somente um cérebro, somos corpo, sim, mas temos alma espiritual – o que nos abre um leque imenso de possibilidades.
Acontece que a maioria de nós, pessoas, nem sabemos disso. Nem sequer tomamos conhecimento de nossos potenciais, do quanto podemos nos desenvolver por meio de um processo de ensino – aprendizagem que vise a chegarmos ao máximo do nosso potencial. Ficamos escravizados pelos sentimentos. A criança precisa se sentir bem, precisa ser acolhida e validada em seus sentimentos (sejam eles bons, maus, proporcionais, desproporcionais, apontem para a verdade ou não). Pior do que isso, muitos adultos hoje já vivem guiados por seus próprios afãs de conforto e prazer, não mais pelo propósito ou pela missão. Quando não conseguimos perceber os sentimentos como um dos aspectos da vida e sim como O aspecto fundamental dela, estamos com problemas sérios, pois os sentimentos normalmente não apontam para o fato, mas para um olhar subjetivo e, portanto, nem sempre verdadeiro, nem sempre proporcional. Tornamo-nos todos vítimas – das ações dos outros, das palavras alheias, dos olhares, da falta de compreensão, da injustiça, ou melhor, da vida – porque tudo isso é a vida acontecendo, faz parte integrante dela.
No entanto, pessoas bem formadas, com clareza de seus potenciais e com metas elevadas para a vida, tiram desses “acontecimentos” força para mudar, para amadurecer, para ampliar horizontes, para ressignificar sentimentos e escolher livremente como lidar com eles. Claro que isso não é simples, assim como não é simples viver, mas é belo, é grande, é para isso que fomos criados – para sermos aquilo que fomos pensados para ser.
Somos imagem e semelhança de Deus e nos vemos hoje limitados a diagnósticos, doenças psíquicas, imaturidade. Certamente não estamos trilhando o melhor caminho, afinal, o destino a que estamos chegando é ruim.
É preciso revermos a rota, começando pelo conhecimento sobre o potencial que temos. É preciso tirar as crianças do limbo do sentimentalismo e resgatar nelas a vida de virtude – a moderação, a fortaleza, a generosidade, a magnanimidade. É preciso nos libertarmos dos mitos dos traumas, das incompreensões, das injustiças e percebermos que a vida é exigente e somente aqueles que estiverem preparados irão vivê-la com a dignidade de pessoas, com a felicidade e a liberdade a que temos direito por dom, mas que estamos desperdiçando por ignorância.
Famílias, vamos correr para sanar esse prejuízo e salvarmos nossos filhos dessa pequenez que desumaniza. Vale a pena!





