O ‘Jovem Rico’

28º Domingo do Tempo Comum – 10/10/2021

Após dizer que é preciso acolher o Reino de Deus como uma criança, Jesus se encontrou com um “Jovem Rico” (Mc 10,17-30), que, correndo, ajoelhou-se diante Dele. O entusiasmo é característico dos jovens. Quando se sentem atraídos por Deus, não têm vergonha de manifestá-lo exteriormente; têm até necessidade de se distinguir pela fé e pela piedade. 

Ajoelhar-se, adorar, fazer vigílias, jejuns, apostolado, ajudar os necessitados, defender a fé, lutar contra injustiças e comprometer-se são aspirações que nascem espontaneamente quando o dom da fé se encontra com o caráter generoso de um jovem. O demônio sabe disso e, por meio da infiltração na educação, direciona a generosidade combativa dos jovens para causas más, como o aborto, o marxismo e a ideologia de gênero.   

O rapaz, então, chamou Jesus de “Bom Mestre”. Algo Nele o atraíra: as palavras, a firmeza diante dos opositores, a força ao pregar à multidão, a sinceridade desconcertante, a influência sobre as massas… Os jovens são atraídos pela beleza, pela coragem e pela atitude decidida. Ao contrário do que se pensa, não se satisfazem com o prazer! Este somente os esvazia e entristece… Ao invés, a juventude é feita para a beleza e para o heroísmo. O hedonismo não é a sua aspiração profunda, mas sim uma etapa de sua degradação.  

O “Jovem Rico” quer ir além de um entretenimento banal ou vulgar: “Que devo fazer para ganhar a vida eterna?”. Quem sabe esperava, como é próprio da juventude, que Cristo lhe desse uma resposta fantástica ou uma solução imediata. Jesus, porém, respondeu com algo mais do que sabido: “Guarda os Mandamentos” (Mt 19,17)! Com isso, reafirmou o valor perene dos Dez Mandamentos e a necessidade de segui-los para sermos salvos. 

“Tudo isso tenho observado desde a minha juventude”… Vendo que era um bom garoto, embora movido por um ideal imaturo de perfeição, “Jesus olhou para ele com amor”. O mesmo olhar que se voltara para João e André e que se fixara sobre Mateus no telônio, deteve-se sobre ele e pediu-lhe o mesmo que pedira aos Apóstolos: “Vende o que tens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!”.

Porém, neste caso, o entusiasmo cedeu à veleidade. O heroísmo não superou o desejo de prazer. O conforto ofuscou a estética atraente do Mestre de Nazaré… E o jovem não se fez “como criança”! Assim, “ao ouvir isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico”. Um jovem apegado aos bens, à vaidade ou ao prazer é sempre um jovem triste. Ainda que tenha beleza, saúde e um bonito sorriso, por dentro é miserável. Para se converter, precisará de muitas dores, perdas e purificações nesta vida. 

Por isso, Jesus constata: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!”. Para entrar lá, todos nós teremos de “deixar tudo”, ao menos ao morrer. Passando pela “porta estreita”, deixaremos para trás bens, pessoas, saúde, trabalho, o mundo e até o nosso corpo, na esperança de receber a vida eterna, a ressurreição e o próprio Deus, nosso Tesouro.

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