O menino prodígio

Ao iniciar uma aula de Catequese, a professora explicou aos alunos o que eram as parábolas do Evangelho: estórias que Jesus contava para transmitir algum ensinamento importante. Depois, perguntou-lhes se alguém se lembrava de alguma dessas parábolas. Os alunos ficaram pensativos, passava o tempo e ninguém conseguia mencionar algum exemplo. Até que um menino pequeno exclamou: “Professora, eu sei uma parábola!”. Então, ela perguntou: “Como se chama?” “A parábola do menino prodígio!”, respondeu, satisfeito. “Acho que você está querendo dizer: parábola do filho pródigo”. Embora o conceito seja diferente, podemos dizer que, de fato, essa parábola fala de um grande prodígio: o poder da misericórdia de Deus que perdoa com amor o filho que abandonou a casa paterna e gastou a sua parte da herança em baladas e bebedeiras, em uma vida desenfreada. O rapaz “torrou” irresponsavelmente a parte da herança que havia sido adiantada pelo pai e, quando termina o dinheiro e começa a passar fome, arrepende-se profundamente de seus erros e decide retornar para casa. Imagina que, quando voltasse, seu pai nem quereria olhar nos seus olhos e o mandaria para fora, exigindo que ele trabalhasse até ressarcir o prejuízo. Mas, para sua surpresa, é recebido com abraços e beijos pelo pai, que organiza uma festa para celebrar o retorno do filho. 

Isso não existe em família alguma! É realmente um prodígio: o arrependimento sincero do filho e a decisão do pai de perdoar e restaurar a dignidade perdida. Não nos surpreende imaginar que aquele rapaz, na noite do dia do regresso, depois do término da festa, colocaria a cabeça no travesseiro e pensaria: “Eu sabia que meu pai me amava, mas não imaginei que me amasse tanto. Ele me esperava regressar: todos os dias, ele ficava observando a estrada. Ele correu ao meu encontro e, com grande carinho, me abraçou e cobriu de beijos, feliz com o meu retorno. E mandou matar um novilho gordo e banquetear com músicas e danças… E eu, tendo um pai tão bom, andava por aí, como um libertino no início e esfarrapado depois, faminto, desejoso de comer das sobras da comida dos porcos… Que loucura a minha, por desprezar um pai tão bom como o meu!” 

A grandeza do amor de Deus por nós se manifesta da mesma forma: com um perdão total, sem condições. Foi exatamente isso que Jesus Cristo fez conosco, quando, pelo pecado grave, manchamos irresponsavelmente a imagem e a dignidade de filhos de Deus. Isso é o pecado, o único mal, o pior que nos pode acontecer: o pecado é destruir a imagem de Deus que temos em nosso coração. Sabemos que nem assim Deus nos rejeita: podemos ofendê-Lo, tratá-Lo com indiferença, cair na tentação voluntariamente, mas nunca deixamos de ser filhos. Deus nunca se cansa de nos perdoar. Como o pai da parábola, Deus se adianta e se aproxima de nós, manifestando a sua predileção, mesmo que muitas vezes não estejamos à altura do seu amor. 

Nesta Quaresma, estamos desejando uma nova purificação do nosso coração. Vamos fazer o mesmo que o rapaz da parábola: caindo em si, reparou na sua falta de consideração com seu pai, em razão desse seu comportamento desordenado. Com o arrependimento, a contrição: peçamos a Deus o seu perdão no sacramento da Reconciliação e confessemos os nossos pecados. Todos nós podemos começar uma vida nova neste tempo de preparação para a Páscoa, como os Apóstolos de Jesus, que também pecaram, e depois se tornam fiéis e decididos, demonstrando uma fidelidade a toda prova, apoiados na vitória de Cristo Ressuscitado. 

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