O Natal de Belém e o nosso

Pouco antes de se completar o tempo para o nascimento de Jesus, a Sagrada Família chegou a Belém, para se alistar no recenseamento de César Augusto. José certamente desejava encontrar acomodações confortáveis para sua esposa – e talvez tenha imaginado que, como ela trazia em seu ventre o Filho do Altíssimo, Deus haveria de abrir-lhes todas as portas. Que surpresa e angústia não deve ter passado, então, quando o dono da hospedaria, vendo que eram pobres, disse que ali não havia lugar para eles (Lc 2,7)!

A hospedaria estava cheia de convivas, com comida e bebida em abundância, músicas e luzes, e não faltavam festejos… mas não havia lugar para Jesus. Será que não corremos o risco de fazer assim também a nossa Noite de Natal? Podemos ter troca de presentes, decorações natalinas, uma saborosa ceia e bebidas, calorosos abraços de “Feliz Natal!”… Mas teremos a cumplicidade e o espírito de oração de Maria e José?  Iremos adorar o Menino Deus feito homem, que Se nos dá ainda hoje na Santa Missa?

Recusada no burburinho da hospedagem, a Sagrada Família foi se recolher no único lugar em que a aceitaram: a gruta de Belém. Não era muito aconchegante: escura e úmida, só o que ajudava a vencer o frio era o bafo quente do jumento e do boi… Se formos sinceros de verdade, vamos reconhecer que o nosso coração está mais perto da miséria da gruta do que do esplendor da hospedaria. Não somos capazes de um amor realmente generoso; cedemos a nossos “pequenos” egoísmos tantas vezes ao dia; a Sagrada Família dificilmente poderia achar em nós uma morada muito confortável. E no entanto ela continua batendo à nossa porta: eis aí José, conduzindo Maria Santíssima e o Menino Deus; eles pedem-nos com humildade e insistência que os deixemos entrar. Não farão caso da pobreza do ambiente – só querem partilhar conosco a alegria, o doce júbilo, da presença amorosa de Deus.

Dois mil anos atrás, em Belém, esta festa celestial passou despercebida a toda aquela barulhenta multidão da hospedaria. Só quem veio se alegrar com Maria e José foram os pastores e os sábios do Oriente: os pastores são as pessoas que sabem que não sabem nada; e os sábios, as que sabem que não sabem tudo. A lição: para encontrar o Menino Deus e a alegria que o circunda, precisamos ser humildes, precisamos dobrar um pouco nosso orgulho, e entrar encurvados pela porta estreita da gruta.

Neste tempo santo que se aproxima, deixemos entrar Jesus em nosso coração. Ele já está às portas: coloquemos, então, em ordem nossa pequena gruta. Ainda que pobre, ela pode ficar limpa e organizada, se nos apresentarmos, contritos, ao Sacramento da Confissão. E então, purificados de nossos pecados, experimentemos a alegria imensa de contemplar o Menino Deus, nos braços da Virgem.

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