Desde o início, o ano de 2026 tem nos trazido oportunidades para reflexão profunda sobre o que está acontecendo com a nossa sociedade. Quem, ou melhor, o que estamos nos tornando?
Logo nos primeiros dias de janeiro, recebemos a notícia de que alguns adolescentes haviam matado de modo cruel um cachorro que pertencia a uma comunidade em Santa Catarina. Em poucas horas, um movimento foi suscitado nas redes sociais: posts, opiniões, julgamentos e condenações foram publicados. Nem ao menos se tinha ideia do que, de fato, havia acontecido, e todos já podiam emitir opiniões sobre o assunto.
Uma verdadeira loucura imaginar a crueldade de adolescentes, capazes de agredir e matar de modo perverso um animal, mas não menos cruel perceber a pressa em divulgar, opinar e “fazer sucesso” com um acontecimento tão triste. A que ponto chegamos? O mal executado, além de trazer os prejuízos inerentes a ele mesmo, ainda ganha holofote, e muitos são condenados sem sequer serem devidamente investigados e julgados.
Claro que houve maldade, é evidente que estamos diante de alguém que precisa de muita ajuda, que deve ter recebido uma educação deficitária, que vai sofrer e muito pelas consequências do mal que fez e não se trata de defender o malfeitor. No entanto, será que pensamos no mal que podemos estar fazendo com juízos rápidos, com tamanha divulgação de culpados ainda não comprovados? Se não há virtude alguma no primeiro ato, também não consigo enxergar virtude no segundo. Aliás, que pressa em impactar, em ganhar likes, e que egoísmo – tirar vantagem pessoal de uma tragédia social.
Agora, recebemos mais uma triste notícia: um pai que tira a vida de filhos adolescentes e sua própria vida por alguma dor pessoal, que ainda não conhecemos ao certo. Como conceber algo que motive um homem a sentenciar a morte de dois meninos com a vida toda pela frente? O que justificaria essa atitude tão desmedida e cruel? Nada. Somente a Deus cabe dar e retirar a vida.
Que triste pensar que podemos chegar tão longe (ou melhor, tão baixo), que estamos tão distantes da lucidez e da vida que fomos criados para viver! Que triste pensar que estamos tão afastados de atualizar o potencial gigante que temos como pessoas e que estamos deixando aflorar o que de mais bruto e horroroso temos – nossas más tendências, impulsos e sentimentos desordenados.
É urgente nos educarmos, é urgente educarmos os que nos são confiados. É necessário voltarmos a entender que a vida é feita de dores, alegrias, prazeres, sacrifícios, momentos bons e grandes frustrações e procurarmos vivê-la de modo a tornar tudo caminho de crescimento, de aprendizagem, de conquista de virtudes – que, aliás, é a única possibilidade que temos de aperfeiçoar a nossa natureza. Mas, atenção: virtude se luta para viver, viver em primeira pessoa. De nada adianta pregar e falar aos sete ventos, se a luta interior ainda não foi estabelecida.
É urgente cuidarmos uns dos outros, orientarmos os que nos cabem com responsabilidade e verdadeiro amor, sem egoísmo, sem preguiça, sem comodismo. Somente este caminho – árduo, exigente e maravilhoso – nos levará à lucidez que tanto precisamos em nossa sociedade e em nossas vidas. Vale a pena!





