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A eficácia da Ressurreição de Cristo

No final de mais um tempo pascal, podemos nos perguntar: onde está a força, a evidência ou a presença da Ressurreição de Cristo na história? Parece que o mundo continua miserável como sempre, absurdo como sempre… Mesmo para aqueles que creem em Jesus, não é fácil identificar a presença da Ressurreição de Cristo no desenrolar da história. Existencialmente, historicamente, olhando os fatos da história, parece que Cristo não ressuscitou… Ou se ressuscitou, não mudou muita coisa… Entretanto, se é verdade o que o próprio Cristo diz: “Eu venci o mundo” (Jo 16,33), onde podemos “ver” essa vitória? Muitas vezes, nós, cristãos, para nos livrarmos desse “embaraço”, projetamos tudo no futuro: “se verá no futuro”, enquanto “agora” ainda não se vê. Será? 

A vitória da Ressurreição de Cristo sobre o mal, porém, só tem sentido se é a vitória sobre cada pedaço da realidade, se é o desfecho último de cada coisa, o resultado de cada processo, fato, acontecimento. É vitória somente se for a última palavra sobre tudo aquilo que existe e acontece. E assim é, para os olhares atentos! O mundo com as suas vicissitudes e acontecimentos (todo e qualquer um) terá como desfecho, resultado, a vitória de Cristo ressuscitado. 

Se a história do mundo é determinada pela força última da Sua Ressurreição, cada coisa que acontece, boa ou ruim, se desenrolará, se desenvolverá, até que a vitória de Cristo sobre toda a realidade e sobre “aquela” realidade ali, se manifeste, se torne visível. Isso vale tanto para aquilo que é bom quanto para aquilo que parece desgraça. Olhando para a história passada, pode-se ver, por exemplo, o nascimento da civilização cristã após a queda do Império Romano, assim como, após a II Guerra Mundial, surge a primeira tentativa de diálogo entre todos os povos com a ONU, a comunidade europeia, nasce a tecnologia computacional, a nova legislação sobre os direitos humanos, o desenvolvimento da ética e da ciência. O mal passou, mas as coisas boas ficaram. Cristo ressuscitado manifesta a sua vitória nos acontecimentos do mundo, gerando em algumas pessoas de coração bom, por meio de uma série de circunstâncias, sempre novas realidades, novas possibilidades de salvação, de regeneração. 

Não é verdade que o mundo está sob o domínio de forças caóticas. Nem é verdade que os homens que causam destruição sairão vencedores. Mesmo que uma civilização seja destruída, uma nova nascerá. E algo novo, nunca antes visto ou conhecido, surgirá, exatamente daquelas ruínas. A força de Cristo ressuscitado encontrará sempre possibilidades novas para ressuscitar a história. Nunca será uma repetição do que havia antes, mas “algo” novo. Ele é o Senhor e, portanto, tem na mão toda a realidade. A dinâmica da fidelidade de Deus e da sua capacidade de regeneração diante de cada mal, é continuamente relatada na história bíblica.

E se uma bomba atômica for jogada no mundo e acabar com tudo? Em vez de conjecturar sobre o futuro, é melhor olhar para o passado. De fato, esse enorme risco ocorreu. Em 1983, no dia 26 de setembro, um tenente-coronel russo chamado Stanislav Petrov, responsável pelo controle das bombas nucleares naquele momento, recebeu um alerta máximo de que mísseis nucleares norte-americanos haviam sido disparados em direção a Moscou. Mas, contrariando o protocolo, ele desconfiou dos alertas e decidiu não apertar o botão que acionaria o contra-ataque nuclear automático. A “inspiração” e a consequente recusa de Petrov de acionar o botão teve um papel direto na preservação da paz mundial e evitou a guerra nuclear. Pela recusa em seguir o procedimento padrão, Petrov recebeu uma reprimenda e sua ação permaneceu em sigilo durante anos. Após a Guerra Fria, porém, ele foi reconhecido como o homem que salvou o mundo e recebeu prêmios de prestígio global antes de falecer em 2017. Este é apenas um exemplo. A Ressurreição de Cristo porá sempre no coração de muitas pessoas um pedacinho do céu (esta é a eficácia da encarnação de Deus).

Há consequências práticas para nossa vida: uma segurança inabalável diante e dentro de todo o sofrimento, pois o fim é certo, e será a vitória de Cristo sobre aquele mal. A cruz, cada cruz, desembocará, inevitavelmente, em uma ressurreição pela força da ação de Cristo ressuscitado. A insegurança de estarmos em uma situação caótica, para quem compreende isso, desaparece. Há ainda uma outra consequência muito prática: aconteceu algo horrível? Em vez de se jogar no medo, na incerteza, no desespero, na dúvida sobre tudo, invoque! Invoque o Senhor! Peça a Ele para iluminar e conduzir você para que você “veja”. Ele não falhará! Pode ser que a vida nova venha depois da morte, como aconteceu com Santa Teresinha do Menino Jesus. Para Deus, estamos sempre vivos.

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