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O eixo do mundo está mudando para a Ásia?

Ao longo da história, o centro de gravidade da civilização nunca permaneceu fixo. Durante a Antiguidade, as grandes civilizações floresceram no Oriente. Posteriormente, a Europa tornou-se o principal polo político, econômico e militar do planeta. No século XX, os Estados Unidos consolidaram-se como a maior potência global. Entretanto, o século XXI parece inaugurar uma nova etapa, na qual inúmeros indicadores sugerem um deslocamento gradual do eixo mundial em direção à Ásia.

Sob a perspectiva econômica, os números são eloquentes. A Ásia responde por uma parcela crescente da produção mundial e do comércio internacional. Países como China, Índia e Coreia do Sul apresentam elevados níveis de industrialização. A China já ocupa posição central na economia internacional, enquanto a Índia desponta como uma das economias com maior crescimento do planeta.

Além disso, a região concentra alguns dos maiores centros financei-ros e tecnológicos do mundo, com cidades como Xangai, Singapura e Tóquio tornando-se referências globais em inovação.

Paralelamente, observa-se uma impressionante transformação social. Milhões de pessoas saíram da pobreza nas últimas décadas, formando uma ampla classe média consumidora. A educação, tradicionalmente valorizada nessas sociedades, contribuiu para a formação de profissionais qualificados.

Enquanto isso, grande parte do Ocidente enfrenta desafios estruturais importantes. A Europa vive um acelerado envelhecimento populacional, com taxas de fecundidade abaixo do nível necessário para a reposição da população. O Brasil, por exemplo, experimenta rápida redução da fecundidade, acompanhada do envelhecimento da população, com impactos profundos para os sistemas previdenciários.

Outro aspecto frequentemente menos observado é a dimensão religiosa dessa transformação. Durante séculos, o Cristianismo concentrou seu maior número de fiéis na Europa. Entretanto, nas últimas décadas, o crescimento do catolicismo tornou-se mais expressivo em diversos países asiáticos, com elevado dinamismo missionário e aumento de vocações religiosas.

Do ponto de vista geopolítico, a ascensão asiática também se manifesta pelo aumento da influência diplomática regional, consolidando um ambiente internacional cada vez mais multipolar, no qual a Ásia ocupa posição central.

Entretanto, afirmar que o eixo do mundo já se deslocou completamente para a Ásia seria uma simplificação. Os Estados Unidos continuam sendo a maior potência militar do planeta, e a Europa, apesar de seus desafios demográficos, mantém elevado nível de desenvolvimento humano. O cenário mais provável não é a substituição de um polo por outro, mas a formação de uma ordem internacional mais distribuída.

As perspectivas para as próximas décadas indicam que a Ásia continuará exercendo papel crescente na economia e na diplomacia internacional. Sua dimensão populacional e seus investimentos em inovação lhe conferem vantagens competitivas significativas.

Em síntese, os indicadores econômicos, demográficos e religiosos apontam para uma profunda reconfiguração do sistema internacional. O século XXI tende a ser marcado por um protagonismo asiático cada vez maior, sem que isso implique o desaparecimento da influência Ocidental. Assiste-se ao surgimen-to de um mundo multipolar, no qual a Ásia se consolida como um dos principais centros da economia, da cultura e da inovação mundial.

*Vanilo de Carvalho, advogado e mestre em Negócios Internacionais, é presidente da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB, no Ceará.

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