Em meio às violências contemporâneas, faz parte da nossa convivência diária, adquirindo extrema importância e trazendo consequências profundas, o que vou chamar de “Roubo da Consciência”.
Este fenômeno não é capaz de, diretamente, tirar a vida, mas o faz de modo indireto, pois acarreta a perda da noção da pessoa que deixa de agir por vontade própria, sendo continuamente manipulada por motivações externas e com prejuízo à sua saúde emocional.
O que caracteriza o “Roubo da Consciência” é justamente a manipulação emocional, o abuso psicológico e a excessiva crença em determinadas informações, que são insistentemente impostas.
Funciona como um sistema controlador do pensamento individual, de grupo ou, até mesmo, de parte da sociedade, por meio de mensagens contínuas, com conclusões já concebidas sobre os temas abordados, não permitindo um discernimento sobre os assuntos.
Neste modelo de comunicação, há apenas permissão para a adesão às ideias propostas. Quem não adere se sente excluído, ficando com sentimento de culpa por não acompanhar o grupo. As redes sociais estão se tornando os principais canais deste roubo de consciência coletivo, predominantemente por meio dos grupos de WhatsApp.
A consciência é influenciada pelo inconsciente por meio das informações recebidas. Quando estas informações são captadas como únicas e inquestionáveis, moldam o pensar e o agir, caracterizando um verdadeiro “Roubo da Consciência”.
É uma influência invisível, mas potente pelos algoritmos das redes sociais, que direcionam sempre os argumentos para um único ponto de vista. Esta avalanche de conceitos “indiscutíveis”, somada às emoções de pertença das pessoas, levam a decisões impensadas, não elaboradas e, sobretudo, não conscientes.
Existe a sensação de estar decidindo, quando, na verdade, essas decisões já foram tomadas anteriormente a partir dos interesses de quem envia as mensagens em escala que atingem milhões de pessoas. Aquela “verdade” que se apresenta na qual se acredita e com base na qual se adquire a certeza para tomar decisões, não existe. O que parece ser uma decisão consciente é uma decisão guiada por terceiros.
Há um controle mental sobre determinados “dogmas”, com os quais a pessoa passa a se identificar de tal forma que se quisesse, eventualmente, discordar do grupo, seria excluída, “cancelada”. E esta é uma sensação que assusta.
Contudo, este seria o momento crucial para buscar a liberdade de pensar e entender que se pode discordar, recuperando sua liberdade, podendo ouvir outras teses sobre os assuntos em discussão, e, então, concordar ou discordar, mas de forma consciente.
Para sair dessa condição – no sentido junguiano – não cabe “desligar” as influências. Para Carl Jung, o caminho é outro: tornar-se consciente daquilo que está moldando você. Não é uma fuga. É um processo de integração.
É preciso questionar o próprio modo de pensar, buscando possíveis alternativas àquela convicção: quais são os parâmetros do tema em questão? Quem é o autor e quais são as fontes? Quem pensa diversamente? Qual é a formação desta pessoa? Há comprovações teóricas ou factuais sobre aquilo que você considera certo?
O caminho, sempre, é buscar a verdade, com discernimento e intenção, pois, mesmo diante de influências externas, somos responsá-veis por nossas escolhas e por suas consequências.




Concordo com o autor. A enxurrada de fake news e mesmo de conteúdo que parece “bom” proporcionam apenas desinformação e o viés de confirmação, ou seja; a repetição sistemática de material que apenas reforça o posicionamento e as convicções de cada bolha, produz o “efeito manada” onde passamos a acreditar que somente o nosso lado está certo e o outro lado é “do mal”. A consequência é a polarização e divisão entre as pessoas. Sem espaço para a diversidade de opiniões, posturas e crenças, estamos vivendo o totalitarismo e isso não é, nunca foi , nem nunca será bom.
Um texto muito necessário, especialmente por nos lembrar que recuperar a consciência também significa assumir a responsabilidade pelo que pensamos, reproduzimos e escolhemos. Em meio a tantos estímulos e narrativas que nos atravessam diariamente, parar para questionar de onde vêm nossas ideias e escolhas é também uma forma de exercer nossa liberdade. E é fundamental que nós, enquanto sociedade, possamos promover espaços para o questionamento e, consequentemente, para o crescimento, sem que as pessoas se sintam oprimidas ou excluídas por expressarem suas ideias.