Oração, uma relação de amizade

Santa Teresa define a oração como trato de amizade: “A meu ver, a oração não é outra coisa senão tratar intimamente com Aquele que sabemos que nos ama, e estar muitas vezes conversando a sós com Ele”.  

A oração consiste em uma forma de comunicação interpessoal, que ressalta a sensibilidade de cada um, a proximidade e a familiaridade. Orar é exercitar o amor a Deus, que se expressa também no amor aos irmãos. O centro da oração se encontra na construção de uma relação de amizade. A oração se situa na revelação central do Novo Testamento: Deus é amor (cf. 1Jo 4,16). Orar, em última instância, é amar. Santa Teresa propõe, ainda, que a oração parta do relacionamento de filiação. De fato, no Batismo, o Espírito Santo nos configura a Cristo e nos faz filhos do mesmo Pai de Jesus. Filhos no Filho, fazemos nossa a oração de Jesus ao Pai. A oração cristã tem, portanto, uma dimensão trinitária, claramente afirmada por Santa Teresa: “Por desbaratada que ande a vossa imaginação, forçosamente haveis de achar entre tal Pai e tal Filho o Espírito Santo”.  

A iniciativa é sempre de Deus que nos ama. O orante entra num diálogo no qual Deus toma sempre a iniciativa. O próprio Criador supera o abismo que o separa da criatura ao escolher a pessoa humana para ser sua morada. A iniciativa de Deus exige que o ser humano se esforce para se entregar totalmente. Por mais difícil que seja, o orante busca se voltar para Deus não só com os lábios ou a mente, mas com todo o seu ser. 

A oração é adesão espiritual à própria existência de graça e à própria vocação. A existência de graça se refere à filiação divina comum a todos os que pertencem ao povo de Deus. A vocação, por sua vez, tem a ver com o crescimento e santificação do orante no estado de vida, o dom recebido na Igreja. De fato, sem oração, não acontece a necessária adesão à própria vocação, ou seja, é na oração que o cristão se apropria de seu ser cristão, crescendo na comunhão com Cristo, vivendo sua identidade e missão.   

Na vida e missão como cristãos, somos chamados a cultivar a dimensão orante e contemplativa, fortalecer a espiritualidade, mesmo no turbilhão de tantos compromissos urgentes e difíceis. E quanto mais a missão nos chamar para amar e servir os irmãos nas periferias geográficas e existenciais, tanto mais devemos rezar, mantendo o coração unido a Cristo, cheios de misericórdia e amor. Somos convidados a rezar sempre, sem cessar, aprofundar nossa comunhão com Deus, viver essa relação profunda de amor e amizade.

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