Os leigos e a missão

Iniciamos nesta semana o mês de outubro, em que a Igreja no Brasil, atenta ao mandato recebido de seu divino Fundador de fazer discípulos todos os povos, batizando-os e ensinando-os tudo o que Ele mandou (cf. Mt 28,19-20), dedica-se à temática das Missões. 

Por isso, gostaríamos de tratar, neste primeiro editorial do mês, da missionariedade própria dos leigos. Como nos ensina o Concílio Vaticano II, não são apenas os padres e religiosos que devem fazer apostolado e buscar conversões: antes, todos os batizados “são chamados a concorrer como membros vivos (…) para o crescimento da Igreja e sua contínua santificação” (Lumen gentium, 31). De modo particular, cabe aos leigos levar a Igreja aos “locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra” (Ibidem): ou seja, àquelas empresas, comércios, salas de aula e escritórios em que já quase ninguém frequenta a missa ou busca conhecer as coisas de Deus. As pessoas que vivem nesses ambientes dificilmente terão a ocasião de ouvir e ser ouvidas por um bom padre – mas podem ser atingidas por um bom amigo que seja fiel católico.

Tocando no ponto do apostolado, é sempre bom relembrar que A Alma de Todo Apostolado, na feliz expressão de Dom Chautard, é sempre a oração e a intimidade com Deus: daí que só será fecundo o apostolado daqueles cristãos que oferecem como “sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo”, “todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo (…) e as próprias incomodidades da vida, suportadas com paciência” (Idem, 34). Esta importância fundamental do espiritual se nota pela própria escolha da Padroeira das Missões: para um tão importante papel, a Igreja escolheu não um São Francisco Xavier, um São José de Anchieta, ou mesmo um São Paulo Apóstolo, mas Santa Teresinha do Menino Jesus, uma monja de clausura que passou a maior parte de sua vida atrás das grades do Carmelo de Lisieux, e que, com sua vida interior, sustentava, de forma invisível, a conversão de multidões.

Resguardada, então, esta precedência da dimensão espiritual da evangelização, o apostolado dos leigos conta também, naturalmente, com elementos exteriores e humanos. Por isso é que eles são chamados a manifestar sua fé “também nas estruturas da vida secular”, “a fim de que a força do Evangelho resplandeça na vida quotidiana, familiar e social” (Idem, 35). Apesar das enormes mudanças e progressos tecnológicos de nossos tempos, os homens e mulheres com quem nos foi dado viver continuam se colocando as mesmas perguntas fundamentais que sempre moveram a humanidade: Por que estou aqui? Qual o sentido de minha vida? Para onde vou depois da morte? E que força apostólica não se pode extrair do testemunho de vida de bons leigos, que em seu dia a dia manifestam aquele “coração em festa” (cf. Sl 15,9), próprio de quem foi visitado pelo Senhor! Num mundo cada vez mais habituado a crises conjugais, divórcios, rixas entre irmãos e parentes – uma família cristã em que os membros verdadeiramente se amem em atos pode atrair mais do que muitos sermões.

Por fim, os leigos são chamados a buscar adquirir, com diligência, “um conhecimento mais profundo da verdade revelada” (Ibidem), para que saibam dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pedir (cf. 1Pd 3,15). Este conhecimento da doutrina, do Catecismo, é também muito importante – pois nossa religião é frequentemente desacreditada sob falsas alegações de que seria irracional, anticientífica ou obscurantista… 

Busquemos, então, trazer para Cristo todos os nossos irmãos: rezando, testemunhando-lhes o Evangelho com nossa vida, e dando-lhes as razões de nossa esperança.

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