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Pais, não deixem de ser o porto seguro dos filhos 

Qualquer um de nós que tenha um olhar minimamente atento, perceberá rapidamente uma grande tragédia que se instaura em nossos dias: filhos, desde muito pequenos, falam de modo desrespeitoso com seus pais. Discutem tudo, se manifestam enfrentando-os, crescem percebendo-se como merecedores de tudo o que lhes é oferecido generosamente pelos pais, aliás, tratam os pais como se tivessem obrigação disso. 

No entanto, é muito importante tomarmos consciência de que isso não é culpa deles, nem acontece porque são uma geração difícil, mas sim porque não estão sendo ensinados a respeitar, não estão aprendendo a ser gratos, não estão sendo formados com a verdadeira e necessária autoridade que os pais precisam exercer sobre os filhos para que sejam pessoas de bem. 

Pais, que deveriam ser para os filhos referência segura e inspiradora, estão perdidos e despreparados para isso. 

Em primeiro lugar, os pais têm dificuldade de manterem-se presentes – olhando verdadeiramente para os filhos, ouvindo-os, fazendo refeições sem distrações externas, fazendo dos momentos de convívio, ocasiões de verdadeira presença. A presença alimenta o vínculo, fortalece o amor e faz crescer a admiração, mas exige empenho, exige deixar de lado o celular, o jogo, as preocupações de trabalho e colocar-se à serviço, doar-se verdadeiramente; sair de si, coisa muito difícil hoje em dia, pois somos cada vez mais seres de muitos direitos e poucos deveres, muito menos quando se trata de um dever de entrega “gratuita”. 

Além disso, outras atitudes dos pais modernos, criam os vícios na relação: 

Tratar os filhos, desde muito pequenos, como se fossem capazes de escolhas. Queridos, entendam: crianças nascem débeis, incapazes, precisam aprender tudo. Quando as tratamos como capazes de escolher o melhor para si, estamos colocando-as no lugar de adultos e isso as deixa extremamente inseguras. Nós, adultos, de quem elas esperam orientação segura, estamos abandonando o posto e deixando-as entregues a sua própria imaturidade. Um verdadeiro abandono de incapazes. 

Negociar com elas. Esse segundo vício deriva do primeiro. Com quem nós negociamos? Eu mesma respondo: com iguais. Como podemos transmitir segurança e ordem para crianças se elas se percebem em condições de negociar tudo? Então, não há certeza na sua posição de orientador? Como adulto você não tem a capacidade de identificar a diferença entre o que a criança quer e o que ela realmente precisa, e assumir seu papel de fazer o que ela precisa para ser mais saudável física, afetiva, moral e intelectualmente? Imaginem a falta de admiração e respeito que tal atitude suscita nos filhos! 

Ter medo de desagradar o filho. Confesso que esse aspecto me assusta! Como imaginam ser possível compaginar uma boa formação do caráter, do juízo moral dos filhos, se não estiverem dispostos a não os desagradar? É sabido que crescimento e amadurecimento se dão na frustração, no contato com os limites e pergunto sinceramente: quem de nós se agrada com frustrações? No entanto, no contato e superação delas, crescemos em todos os aspectos, inclusive em autoestima. 

Esse medo dos pais modernos reflete o medo de não serem amados pelos filhos e, se ninguém ainda lhe contou, tomo a liberdade de contar eu mesma: pais não podem depender do amor dos filhos. Devem amá-los incondicionalmente, no entanto, sem medo de não haver correspondência. Ame muito e por isso faça o bem mesmo que o desagrade. Um dia, quando amadurecerem, compreenderão. 

Por isso, pais queridos, reflitam, olhem para si mesmos e identifiquem em que ponto estão se desviando dessa missão tão importante de serem referências seguras para seus filhos. Eles e toda a sociedade agradecem. 

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