Por que amamos tanto Maria?

Nenhum outro santo é objeto de tanta veneração por nós, católicos, quanto Maria Santíssima: nem mesmo a um São Francisco de Assis ou a uma Santa Teresinha, por exemplo, chamamos Rainha dos Céus, Senhora dos Anjos, ou Mãe Nossa. Mas de onde vem tanto amor à Mãe de Jesus?

O lugar de Maria na criação só pode ser entendido com os olhos fitos no “divino mistério”, pelo qual Deus salvou a humanidade decaída pelo pecado: foi ela, afinal, que de seu seio “deu ao mundo a Vida” (Lumen gentium, LG,52-53).

De fato, para ser possível a Redenção, o Salvador precisava, por um lado, ser verdadeiramente humano, se realmente tinha de arcar com os nossos pecados. Por outro lado, porém, Ele não podia estar contaminado pelo pecado original que se propagara a todo germe de Adão.

Aqui vemos a importância de ser Maria, mulher e virgem, a trazer ao mundo o Verbo eterno. Por nascer de mulher, Jesus era verdadeiro homem; por nascer de uma virgem, reserva ao próprio Deus a iniciativa da Redenção: por meio dela, Cristo enxertou-se desde fora em nossa estirpe pecadora.

E Maria não apenas deu ao Verbo eterno o corpo com o qual sofreria a paixão redentora: acompanhou-O também ao longo de sua vida terrena, “associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que Dela nascera” (LG,57-59).

Para ocupar um papel tão especial na grande obra divina da salvação, Maria Santíssima foi predestinada desde toda a eternidade (LG,61), e prenunciada já desde a queda a nossos primeiros pais, e depois nas profecias ao antigo povo de Deus (LG,55). Se a Queda começara ao redor de uma Árvore, com Adão e Eva, ela agora acabava ao redor da nova árvore da Cruz, em que ao novo Adão, Jesus, consociava-se também a nova Eva, Maria. A este grande plano de Deus, a Virgem colaborou não “de forma meramente passiva (…), mas com livres fé e obediência” (LG,56).

É bom lembrar, porém, que, diante de seu Criador, Maria continua sendo uma “mera” criatura – seu papel especial não decorre, assim, de nenhuma necessidade intrínseca das coisas, mas apenas do bem-querer de Deus (LG,60). E é igualmente verdade que, em certo sentido, todas as criaturas cooperam na grande obra salvífica de Deus – mas é Ele próprio quem reserva a cada uma um caminho específico (LG,62).

Ora, este caminho específico, no caso de Maria, foi o de ser não apenas a Mãe de Deus, mas, também, a Nossa Mãe. Pregado na cruz para salvar a humanidade, Cristo tinha diante dos olhos as duas pessoas que mais amava na terra: sua Mãe e seu discípulo amado, João. Confiou-a, então, ao discípulo – e nele, a cada um de nós: “Eis aí a tua mãe” (cf. Jo 19,26-27).

Maria é como a lua: sem a luz do sol divino, seria apenas uma apagada massa rochosa flutuante na imensidão do espaço. Nas noites escuras, no entanto, somos gratos pela companhia da lua: vendo-a brilhar, sabemos que deve haver um sol que a ilumine. Imploremos, então, à nossa Mãe sua proteção, com a bela oração Memorare, de São Bernardo de Claraval, reproduzida nesta edição do O SÃO PAULO.

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