Ser testemunha de Cristo até os confins da terra, com a força do Espírito Santo

Nas reflexões que escreveu para o Dia Mundial das Missões deste ano, o Papa Francisco concentrou-se nas palavras com que Cristo se despediu dos apóstolos, enviando-os em missão: “Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo” (At 1,8). 

Fazer missão é, em primeiro lugar, ser testemunha de Cristo – daí este lado fundamental da vida e da identidade da Igreja: “Testemunhar Cristo, isto é, a sua vida, Paixão, Morte e Ressurreição por amor do Pai e da humanidade”. Esta evangelização, alerta o Papa, se apoia, ao mesmo tempo, na dimensão eclesial e na pessoa singular do missionário: por um lado, pois todo missionário age e fala sob a autoridade da Igreja que o enviou, e com a qual se mantém unido tanto por vínculos institucionais quanto por laços sobrenaturais da graça; por outro lado, porque o homem moderno não se atenta somente ao cargo ou título de quem fala, mas sobretudo à sua credibilidade, a seu testemunho de vida, à autoridade com que prega (cf. Mt 7,28-29). Permanece indispensável, contudo, o efetivo conteúdo da mensagem – ou seja, ao missionário não cabe anunciar a si mesmo, nem sequer escolher, a seu arbítrio, meros recortes da mensagem de Cristo, mas, sim, ensinar integralmente, e sem diluições, todo o conjunto da doutrina salvífica confiada por Deus aos apóstolos. “Como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue? (...) Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da Palavra de Cristo” (Rm, 10,17).

Em segundo lugar, diz o Papa, a missão deve se estender até os confins do mundo — ou seja, expandir-se num movimento centrífugo, como que em círculos concêntricos. Até mesmo os obstáculos e as contrariedades que encontrarmos podem ser instrumento da Providência: assim como as perseguições dos primeiros séculos levaram à diáspora e favoreceram a difusão do Evangelho, assim também hoje em dia as perseguições aos cristãos e a realidade dos migrantes podem nos servir de nova ocasião de evangelização. 

Aqui se insere também a missão ad gentes: ir ao encontro das pessoas nas zonas de fronteira existencial, e dar-lhes testemunho do amor de Cristo, amor “a todos os homens e mulheres de cada povo, cultura, estado social”. 

Por fim, o Papa relembra que Cristo nos promete a força do Espírito Santo — como se nota claramente, aliás, no episódio de Pentecostes, em que outrora tímido São Pedro, agora fortalecido com o fogo do Espírito, fez o primeiro anúncio público do Evangelho, e converteu milhares. De fato, a graça divina é um pré-requisito para evangelizar – e por isso mesmo “a oração... (permitam-me destacá-lo mais uma vez) tem um papel fundamental na vida missionária”. 

Decidamo-nos, portanto, a dar a cada dia um tempo generoso de oração a nosso Bom Pai, para que, fortalecidos pelo Espírito, saibamos levar Cristo aos homens e mulheres que a Providência colocar em nosso caminho – e assim deixar em todos os caminhos da terra um rastro de luz, até os confins do mundo. 

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