Sínodo definindo os rumos da pastoral

Nosso primeiro sínodo arquidiocesano está chegando à conclusão dos seus trabalhos. No dia 5 de novembro, teremos a 6ª sessão da assembleia sinodal arquidiocesana, restando apenas uma, no início de dezembro. O encerramento do sínodo será celebrado no dia 25 de março de 2023, com a divulgação das propostas sinodais e a ação de graças a Deus pelo trabalho realizado.

Nas duas sessões da assembleia que ainda restam, serão apresentadas as propostas elaboradas pelas 25 comissões temáticas, tratando dos mais diversos aspectos da vida e da organização pastoral da nossa arquidiocese. As propostas serão submetidas à votação da assembleia para a manifestação do seu consenso sobre elas.

Durante os 5 anos do caminho sinodal arquidiocesano, procuramos lançar um olhar atento sobre a realidade religiosa e pastoral de nossa Arquidiocese. A vasta pesquisa de campo e o levantamento paroquial (2018) trouxeram à luz uma imensidade de dados importantes e até preocupantes sobre a nossa situação eclesial. Desse primeiro momento do sínodo, que se caracterizou como um ver-ouvir comunitário, passamos a sucessivas etapas de avaliação e discernimento, movidos pelo desejo de compreender os apelos de Deus que nos vêm pela “voz da realidade” eclesial. Deixamo-nos interpelar pelas palavras do Apocalipse dirigidas às sete igrejas da Ásia Menor, já no final do primeiro século do Cristianismo: “Quem tem ouvidos, escute o que o Espírito diz às igrejas”: à nossa Igreja em São Paulo!

Assim, compreendemos melhor os motivos que levaram o episcopado da América Latina e do Caribe, na Conferência de Aparecida (2007), a conclamar toda a Igreja em nosso continente a entrar num processo de comunhão, conversão e renovação missionária. Diante das profundas mudanças culturais, sociais e religiosas ocorridas nas últimas décadas, e ainda em curso, nossa Igreja não pode desconhecer nem subestimar o impacto que essas mudanças produziram e ainda produzem sobre a fé e a vida religiosa do povo e sua participação na vida das comunidades.

Não podemos continuar a fazer apenas uma pastoral de conservação, como se nada tivesse acontecido. A fé e a prática da fé nas comunidades diminuíram e já não se transmite mais a fé por um processo espontâneo, de geração em geração; há escassa identificação dos membros da Igreja com ela mesma, e o senso de pertença à Igreja muitas vezes desapareceu. O apreço pelos Sacramentos e a participação na vida sacramentária baixou muito, enquanto cresce uma geral indiferença religiosa. Com isso, também se enfraquece o testemunho cristão na vida social e na cultura. Consequência previsível nesse estado de coisas é o desânimo e a deserção de muitos, para os quais a Igreja e a fé cristã se tornaram pouco relevantes e desinteressantes. Inevitável também é a escassez de vocações sacerdotais e religiosas, tão necessárias à vida e missão da Igreja.

Diante disso, perguntamo-nos, como o apóstolo São Paulo às portas de Damasco: "Senhor, que devemos fazer? Por onde começar?" E, mais uma vez, a resposta já nos foi dada pelo Magistério recente da Igreja e pelo episcopado latino-americano reunido em Aparecida (SP): precisamos partir novamente de Jesus Cristo, do renovado encontro pessoal e eclesial com Ele, “autor e meta da nossa fé”. Dele, de sua palavra no Evangelho e da fé apostólica é que podemos recobrar forças e orientação para a vida cristã pessoal e comunitária.

Por isso, faz todo sentido que nosso sínodo arquidiocesano tenha sido proposto como um “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” para nossa Igreja em São Paulo. Veremos agora como essa proposta e o caminho já percorrido serão traduzidos nas propostas sinodais.

O certo é que o encerramento do sínodo não significa o final do caminho nem um ponto de chegada, mas apenas uma etapa importante no caminho sinodal de nossa Igreja. A tarefa continuará no esforço para traduzir as indicações sinodais em processos e práticas permanentes de comunhão, conversão e renovação missionária ao longo do tempo. Que o Espírito Santo nos ilumine e nos ajude!

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