Testemunho da Ressurreição

A Seqüência de Páscoa – Victimae paschali laudes -, cantada na Igreja durante o Tempo Pascal, contém um dos versos mais tocantes que se ouve na liturgia da Igreja: “Diz-nos, ó Maria, o que vistes durante o seu caminho? Vi o sepulcro de Cristo vivente, o testemunho dos anjos, o sudário e suas vestes: vi a glória da Vida que ressurge!”. Na boca de Maria Madalena, a Igreja coloca as palavras que testemunham a ressurreição de Cristo, que pregam ao mundo a Boa Nova da Vida que vence a morte. Essencialmente, o fundamento da fé da Igreja é essa mesma pregação do apostólica, isto é, o testemunho daqueles que presenciaram os fatos da vida de Jesus e que, pela tradição, foram passando àqueles – nós, inclusive – que não estiveram presentes historicamente para ver e escutar da boca de Deus feito carne o seu testemunho.

Ainda que a pregação dos Apóstolos já seja suficiente para levar as pessoas de boa vontade à Fé, Deus quis ainda deixar outros vestígios que dão testemunho de sua ressurreição; e eles são aquilo que conhecemos como o Santo Sudário. Atualmente, existem duas peças de pano que se reconhecem como o Sudário de Cristo; uma delas se encontra em Oviedo, na Espanha, e contém somente a imagem da face de Jesus, a outra – mais famosa – se encontra em Turim, na Itália, e apresenta a imagem de todo o corpo de Nosso Senhor. Seria este uma prova física das penas que Jesus sofreu em sua carne, dos flagelos à crucifixão, e testemunham a ressurreição de Cristo de modo palpável.

Tamanha alegação fez com que diversos grupos de cientistas se debruçassem sobre o Sudário para testá-lo e, assim, procurar confirmar se, de fato, o que a tradição da Igreja afirma é verdadeiro ou falso. Um dos mais famosos estudos sobre o assunto, conduzido em 1978 por um grupo americano, o STURP (Projeto de Pesquisa sobre o Sudário de Turim, na sigla original), chegou a conclusões que coincidem com o relato evangélico e outras diversas pesquisas sobre a crucifixão.

Em resumo, o que esses pesquisadores encontraram foi uma imagem inexplicável para a ciência. Depois de diversos testes, o que eles puderam concluir é que o tecido não apresentava nenhum tipo de pigmento ou tinta, o que derrubava a tese que tal pano pudesse ser uma falsificação, realizada por um suposto artista medieval piedoso. Mais ainda, ficou claro para eles que o pano teria tido contato com um corpo real, o que explicava a presença de sangue a das marcas de flagelos presentes na imagem. Assim, concluíram seu estudo afirmando que, de fato, a imagem presente no Sudário não tinha explicação científica de como teria sido produzida nem por quem, e que tal tecido havia tido contato com o corpo de um homem crucificado, fato revelado nos diversos ferimentos encontrados pela imagem.

Ainda outras diversas análises parecem corroborar essa tese: o sangue contido na trama do tecido é semelhante ao de um outro milagre, o de Lanciano, em que a hóstia consagrada se modificou em carne e sangue aparentes. Ambos possuem a mesma tipagem (AB+), que é frequente ao povo judeu. Além, testes revelaram a presença de soro sanguíneo no tecido, fato comum àqueles que sofrem duros ferimentos antes da morte. Mas, mais impressionante, é a forma como a imagem se apresenta sobre o tecido: não foi pintada, impregnando os fios da trama com tinta, mas foi como que impressa por uma radiação, como a luz ou o calor, como se fosse uma queimadura controlada sobre o tecido. De fato, os Evangelhos relatam a glória de Deus sempre como uma luz muito intensa, radiosa; poderia esta ser a origem da imagem do Sudário, a “glória da Vida que ressurge”, como canta a Seqüência Pascal.

De qualquer forma, a Igreja sempre teve muita prudência em se manifestar sobre o Santo Sudário, e nunca lhe deu o peso de algo que fosse essencial à fé católica, nem muito menos que fosse a única prova de que Jesus tenha sofrido a morte pela Cruz. Contudo, sempre o venerou como um grande testemunho do quanto Cristo padeceu por amor aos homens, e de que, ainda por esse amor, venceu a morte e conquistou-nos a Vida. Assim, diversos papas foram ao encontro dessa grande relíquia da Paixão do Senhor, para o venerar e tirar dele mensagens de grande valor, como o Papa Bento XVI, em 2010: “O Sudário é um Ícone escrito com o sangue; a imagem impressa no Sudário é a de um morto, mas o sangue fala da sua vida. Cada traço de sangue fala de amor e de vida”.

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