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Vaso de eleição, Apóstolo dos Gentios, Doutor das Nações 

Depois da Ascensão de Jesus e da efusão do Espírito Santo, a Igreja passou a ter, como “colunas” de sustentação e representantes do Senhor na terra, os Doze Apóstolos: os Onze escolhidos por Cristo mais Matias, substituto de Judas. Pouco depois, a eles veio se associar São Paulo. Paulo diria não merecer o título de Apóstolo pois fora um perseguidor da Igreja, mas é venerado como tal. Saulo – como se chamava – não conhecera o Senhor pessoalmente, mas o encontrou, por pura graça de Deus, na estrada de Damasco, ao cair por terra. A sua conversão marcaria indelevelmente a história da Igreja e por isso é celebrada anualmente; em nossa Arquidiocese, como solenidade patronal. 

Paulo fora um judeu extremamente observante e zeloso, formado na principal escola farisaica de seu tempo. Acreditara, em boa consciência, que os cristãos representavam um desvio da fé de Israel, um caminho pernicioso. Porém, suas convicções, formadas e provadas ao longo de anos no Judaísmo, literalmente caíram por terra quando uma “grande luz vinda do céu brilhou sobre ele” e o repreendeu amorosamente: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Cristo ressuscitado e elevado ao Céu retornou à terra por um instante, para cumprir como que sua “última missão pendente”: escolher e trazer para si esse “Vaso de eleição” destinado a ser Apóstolo dos Gentios e Doutor das Nações. 

Antes disso, porém, Saulo teve de se reeducar. Acolhido por Ananias, instruído e batizado, recebeu a luz da fé. Depois, acalmou seu espírito inquieto durante anos de oração, formação e recolhimento. Retirou-se para a Arábia, retornou a Damasco, foi a Jerusalém conhecer alguns Apóstolos e voltou a Tarso, sua terra, onde dedicou-se por cerca de uma década a estudar, meditar, orar, amadurecer e trabalhar como um fabricante de tendas. Depois de anos de preparação, foi enviado em missão pelos Apóstolos para edificar a Tenda de Deus, isto é, a Igreja. Como uma mola propulsionada por sua própria retração, lançou-se à atividade com uma força incomparável. Tudo o que desejara fazer durante os anos de vida recolhida foi posto em prática com vibração, podendo Paulo dizer com humildade: “Trabalhei mais do que todos os outros Apóstolos”. 

A Igreja reconheceu a verdade dessa apreciação e considera São Pedro e São Paulo como as duas principais e inseparáveis “colunas” de sua sustentação. Enquanto Pedro se encarregou do apostolado aos judeus, Paulo liderou a missão aos gentios, isto é, aos povos que não conheciam o Deus único e verdadeiro. Além disso, Paulo foi um dos escritores mais prolíficos do Novo Testamento, deixando uma série de cartas que contém instruções doutrinais cristalinas e exortações morais vibrantes. O seu amor a Jesus Cristo transbordou não apenas da pena, mas da sua própria vida totalmente entregue a Deus. Depois de ter sofrido muito por causa de Cristo e do Evangelho, aceitou de boa vontade sofrer o martírio por decapitação. 

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