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Caridade e conhecimento: oito séculos da Ordem de Santo Agostinho

A Ordem de Santo Agostinho está em 45 países, dedicando-se sobretudo à educação, às paróquias e às missões. Desde 8 de maio de 2025, um de seus membros, Robert Francis Prevost, ocupa a sé de Pedro com o nome de Leão XIV.

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Imagem gerada por IA (Copilot)

Ordenado sacerdote em 391 e depois bispo de Hipona, Santo Agostinho manteve a vida em comum com seus clérigos, para os quais escreveu sua Regra, centrada na vida fraterna e na partilha dos bens. Morreu em 430, durante o cerco da cidade pelos vândalos. A comunidade não sobreviveu à perseguição que se seguiu, mas a Regra continuou a circular e, a partir do século XI, foi adotada pelos cônegos regulares, padres que vivem em comunidade sob uma regra.

Em 1244, Inocêncio IV reuniu eremitas da Toscana sob essa mesma Regra, e, em 1256, Alexandre IV uniu diversos grupos eremíticos em uma única ordem mendicante, que se instalou nas cidades para pregar e ensinar. A Ordem é dirigida por um prior-geral, eleito pelo capítulo geral, e tem sua sede em Roma. A partir do século XVI, os frades chegaram ao México (1533), ao Peru (1551), às Filipinas (1565), à China, ao Japão e à Índia. Em Roma, abriram no início do século XVII a Biblioteca Angélica, uma das primeiras bibliotecas públicas da Europa. No Brasil, fundaram em 1693 um convento em Salvador, suprimido em 1824.

Em meados do século XVIII, a Ordem tinha cerca de 20 mil membros. Nas décadas seguintes, governos de vários países fecharam conventos e confiscaram seus bens. Na França, a Revolução destruiu a maior parte dos 157 conventos agostinianos; na Alemanha, as leis de secularização confiscaram suas propriedades. Portugal extinguiu as ordens masculinas em 1834. Na Espanha, em 1835, foram suprimidos 105 dos 153 conventos; manteve-se o colégio de Valladolid, que formava missionários para as Filipinas. Na Itália, após a unificação, o Estado tomou o convento-sede de Santo Agostinho, em Roma. Houve fechamentos também no México, na Rússia e em Hanôver (Alemanha), e a revolução nas Filipinas, em 1896, causou grandes perdas. No início do século XX, a Ordem contava com pouco mais de 2 mil membros.

A reconstrução começou em 1878, com o apoio de Leão XIII. Em 1882, a cúria instalou-se na atual sede, junto à Praça São Pedro. Províncias foram restauradas, e os frades de Valladolid refundaram a Ordem na Espanha. Estados Unidos, Irlanda, Países Baixos e Malta passaram a enviar missionários à África, à Oceania e à América Latina. Ao Brasil chegaram frades das Filipinas em 1899, de Castela na década de 1930 e de Malta em 1962; em 2013, foi criada a Província Agostiniana do Brasil. Em 1968, a Ordem deixou de usar o nome “Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho”. Em 1970, Paulo VI inaugurou em Roma o Instituto Patrístico Augustinianum, mantido pela Ordem.

O lema da Ordem, Caritas et Scientia (Caridade e conhecimento), une duas dimensões: o estudo e a busca da verdade, de um lado, e a vida fraterna e o serviço, de outro. Uma não se separa da outra: o conhecimento deve estar a serviço do amor. Na prática, o lema se reflete no peso que a Ordem sempre deu ao ensino, com universidades, colégios, bibliotecas e o Instituto Augustinianum, ao lado da atuação em paróquias e missões.

Entre os agostinianos mais conhecidos estão Santa Rita de Cássia, monja agostiniana em Cascia, na Úmbria, morta em 1457; Gregor Mendel, que entrou no mosteiro de São Tomás, em Brno (atual República Tcheca), em 1843, fez ali os experimentos com ervilhas que fundaram a genética; e Robert Prevost, nascido em Chicago em 1955, missionário no Peru, Prior-geral de 2001 a 2013 e Bispo de Chiclayo antes de ser eleito papa.

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