Leão XIV, em outubro de 2025, publicou a carta apostólica Desenhar novos mapas de esperança, por ocasião do aniversário de 60 anos da declaração conciliar Gravissimum educationis. A educação sempre foi importantíssima para o Cristianismo. Luigi Giussani, padre fundador de um movimento, que sempre trabalhou como professor, dizia: “Deixe-nos nus, mas não nos tirem a liberdade de educar”! Para a Igreja, a educação é muito mais do que capacitação profissional ou formação moral. É abertura à realidade, caminho de liberdade, possibilidade de encontro com Aquele pelo qual nosso coração espera. Por isso, esta edição do Caderno Fé e Cultura é dedicada a reflexões sobre esta carta de Leão XIV.

“A história da educação católica é a história da ação do Espírito Santo”, diz Leão XIV, na carta apostólica Desenhar novos mapas de esperança (DNME 2.1). O Papa destaca que “os carismas educativos são respostas originais às necessidades de cada época” (DNME 2.1). O Espírito, que é sempre novo e sopra onde quer, suscita iniciativas bastante diversas, em vista da necessidade de um determinado tempo e lugar, sempre à luz do mesmo fundamento que recebemos da fé: a promoção da dignidade da Pessoa, que é “imagem de Deus, capaz de verdade e de relação”.
A carta traz algumas referências que ilustram essa diversidade, como a atuação dos padres do deserto no início da cristandade, que ensinaram a reconhecer Deus em toda parte, o trabalho imprescindível dos mosteiros, que, ao preservarem obras clássicas, realizaram um enorme serviço à cultura universal, até os muitos missionários que dedicaram sua vida à educação, especialmente dos mais pobres, dos quais gostaria de destacar alguns exemplos.
São José de Calazans, um nobre espanhol que viveu no século XVII, ao andar pelas ruas de Roma e se deparar com a situação de crianças e jovens abandonados, compreendeu que sua missão era ajudá-los por meio de uma educação que não se limitasse ao ensino religioso. E assim, abriu a primeira escola gratuita da Europa para jovens das classes sociais mais pobres.
No século XIX, São João Bosco desenvolveu uma filosofia educacional conhecida como “método preventivo”, baseada em “razão, religião e amor”, uma alternativa às metodologias punitivas da época. Por meio da razão, o aluno aprende a ter discernimento e assumir responsabilidades; por meio da religião, conhece a fé cristã e os valores do Evangelho; por meio do amor, cria-se um ambiente de confiança e cooperação que facilita o processo de aprendizado e desenvolvimento pessoal. Trata-se de um método que forma “bons cristãos e honestos cidadãos”.
O Papa menciona ainda a dedicação de diversas mulheres, como Santa Francisca Xavier Cabrini (Madre Cabrini), com seu trabalho incansável junto aos migrantes, e Santa Elizabeth Ann Seton, que fundou as primeiras escolas católicas nos Estados Unidos.
Entre elas, gostaria de destacar o trabalho de Santa Catarina Drexel, uma norte-americana que viveu no século XIX, e que após ser convidada à vida missionária pelo próprio Papa Leão XIII, resolveu dedicar sua vida aos povos indígenas e afro-americanos. Filha de um famoso banqueiro, Catarina utilizou sua herança para abrir inúmeras escolas e centros missionários para índios e negros em pelo menos 13 estados norte-americanos em uma época de grande segregação racial no país. Seu trabalho gerou inclusive perseguições, a ponto de uma de suas escolas ser incendiada, na Pensilvânia.
Estes exemplos nos ensinam que, diante dos desafios atuais em relação à Educação e da tentação de se buscar soluções rápidas, é mais importante abordar os problemas com habilidade do que dar uma resposta precipitada sobre por que algo aconteceu ou como superá-lo. O objetivo é aprender a lidar com os problemas, que são sempre diferentes, porque cada geração é nova – com novos desafios, sonhos e perguntas” (DNME 4.3).
Talvez esta seja a grande lição que aprendemos com o exemplo de tantos homens e mulheres de fé que ao longo da História dedicaram sua vida à Educação: a capacidade de conciliar a abertura à ação da Graça com uma adequada leitura da realidade que permita, ao mesmo tempo, discernir a vontade de Deus para cada tempo e lugar e realizar obras que realmente promovam o Bem para aqueles que mais precisam.
Que o Espírito Santo possa inspirar novos carismas educativos que atendam às necessidades deste tempo à luz da Fé de sempre!
Agradecemos ao Projeto Veritatis Mater pela coordenação e execução desta edição do Caderno Fé e Cultura
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