Em uma sociedade deslumbrada com a força, a paz desarmada e desarmante vem do amor e da coragem que nascem da fé

Cresce, em nossos tempos, uma mentalidade que celebra o valor da força, do confronto e da hostilidade. Não é por maldade das pessoas – ainda que alguns manipulem essa tendência. É reflexo do desencanto com as lideranças políticas, da sensação generalizada de insegurança, do enfraquecimento dos laços comunitários que antes davam senso de pertencimento e apoio. Nesse contex-to, a agressividade vira linguagem de afirmação para quem se sente invisível ou desrespeitado.
Viver em permanente autoafirmação e vigilância contra o outro, porém, é desgastante: gera ansiedade crônica, nunca se pode baixar a guarda. Empobrece a empatia, já que reconhecer a dor alheia soa como concessão perigosa. Gera postura defensiva, em que a imagem de força esconde uma insegurança profunda não elaborada – quanto mais frágil a pessoa se sente por dentro, mais precisa parecer dura por fora.
Com o tempo, essa couraça cobra um preço alto: isola e empobrece o espírito. Quem só sabe se relacionar pela força perde seus vínculos de amor, confiança, cooperação e apoio. Essa posição leva à exaustão emocional, à solidão disfarçada de autossuficiência e a uma dificuldade crescente de pedir ajuda ou admitir vulnerabilidade; compromete o bom senso, a razão cede à necessidade de se justificar e deslegitimar o outro; impede a sociedade de encontrar as melhores soluções para os problemas, pois essas sempre implicam entendimento e cooperação.
A ternura, o cuidado e a abertura que nascem do amor não são fraque-zas, mas sim a resposta mais adequada e racional aos problemas de nossa sociedade.


