A educação como espaço de diálogo e busca pela verdade é um antídoto contra a arrogância do dogmatismo e a passividade do ceticismo, tão presentes nos dias de hoje. É um exercício de caridade intelectual que, ao integrar fé e razão, acolher a dúvida e buscar a sabedoria com incansável esperança, serve não apenas ao indivíduo, mas oferece ao mundo uma forma concreta e urgentemente necessária de humanismo integral. Neste espaço, formam-se não apenas profissionais competentes, mas seres humanos conscientes de sua dignidade, abertos ao transcendente e comprometidos com a construção de um mundo mais verdadeiro e bom.

Em sua recente carta apostólica Desenhando novos mapas de esperança, Leão XIV oferece uma reflexão sobre o papel vital da educação católica no mundo contemporâneo. O documento aborda desde emergências educacionais globais até a necessária inovação pedagógica, destacando a relação inseparável entre fé e razão no processo do conhecimento e na busca pela verdade. Essa relação não é um “capítulo opcional” (DNME 3.1), mas a condição para uma busca intelectual verdadeiramente responsável, rigorosa e integralmente humana, que evita tanto o reducionismo racionalista quanto uma fé desconectada do pensamento crítico.
A Igreja, lembra-nos o Papa, se compreende como mãe e mestra – portanto, educadora por excelência – não por um desejo de supremacia e controle da verdade, mas por vocação de serviço. Nesse sentido, cada estilo educativo que dela brotou ao longo dos séculos se fundamenta em uma visão do ser humano como imagem de Deus, chamado à verdade e à bondade. Este fundamento antropológico define o objetivo último do processo educativo: não a mera eficiência técnica, mas a realização plena da pessoa em sua dimensão espiritual, intelectual e moral.
O ser humano é, portanto, capaz da verdade. Essa capacidade exige que a busca pela verdade não seja fragmentada, dilacerada ou dividida. Reconhecer a complementaridade entre fé e razão é indispensável para um conhecimento autêntico. Separar o desejo do coração do rigor do intelecto é mutilar o ser humano. Por isso, escolas e universidades católicas devem ser lugares de acolhimento das dúvidas, em que a escuta prevalece sobre disputas estéreis. O medo do questionamento é incompatível com uma confiança na verdade que se propõe buscar (DNME 3.1).
Esta postura, segundo o Papa, implica uma mudança de perspectiva fundamental ou a “criação de novos mapas de esperança”. Essa nova educação deve saber que a verdade não é troféu a ser defendido; deve aprender a abordar os problemas com humildade intelectual, sabedoria e abertura. Nesse sentido, oferecer ao mundo uma educação focada na resolução de problemas – entendidos em sua complexidade humana, ética e existencial – é mais perene e eficaz, pois forma pessoas capazes de enfrentar os desafios sempre novos de cada época com um espírito crítico e criativo.
Nesta jornada, a fé não é apenas mais um “tema” no currículo. Ela é o combustível e o espírito que vivifica toda a busca. É o que confere sentido e profundidade ao estudo da história, das ciências, da filosofia e da arte. Ao estudar a natureza, por exemplo, o estudante católico não vê apenas um conjunto de leis físicas, mas “vestigia Dei” (vestígios do Criador), o que enriquece sua admiração e sua responsabilidade. A fé impulsiona uma sede de saber que não se sacia, tornando-nos, nas palavras do Papa, “incansáveis buscadores da sabedoria” (DNME 11.3).


