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Publicidade e educação no combate à dependência das bets

A legislação é importante, mas sempre limitada, no combate às dependências – sejam quais forem. Campanhas publicitárias e educacionais podem ser importantes em nossa sociedade atual – mas precisam ser bem planejadas e executadas, inserindo-se em uma ação abrangente.

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Reprodução da Internet

O investimento das casas de apostas em mídia totalizou R$ 2,3 bilhões entre janeiro a agosto de 2024. Projetado em base anual, esse montante situa o setor como responsável por aproximadamente 5% e 13% do total do mercado publicitário nacional, dependendo da metodologia de comparação adotada. Essa força também aparece na remuneração de criadores de conteúdo: contratos de bets pagam de cinco e dez vezes mais do que uma campanha publicitária convencional. Em uma sociedade motivada pela propaganda, esse investimento tem seu retorno. Explícita ou velada, a propaganda constitui-se em uma das principais formas de dominação simbólica em nossa sociedade – e, o que é mais grave, uma influência à qual o indivíduo isolado nem sempre pode resistir, o que torna indispensável não apenas a regulação por parte do poder público, mas também o enfrentamento cultural e moral promovido pelas diversas instâncias da sociedade civil (religiões, grupos culturais, artistas, etc.).

O interminável debate entre censura ou regulação, liberdade individual perante o poder político ou autonomia de juízo perante o poder econômico, pode ocultar dados fundamentais, como o poder de convencimento dos influenciadores sobre públicos sem convicções firmes ou os resultados pífios de um controle inadequado da propaganda. Muitos países europeus tentaram restringir a propaganda das bets sem sucesso. A propaganda foi apenas deslocada para ocasiões e sites fora das restrições do Estado, mas ainda acessíveis aos públicos que deviam ser protegidos.

A publicidade contra o fumo é um dos raros casos de sucesso comprovado em saúde pública: banir anúncios e patrocínio de tabaco reduz em 20% as chances de alguém fumar e em 37% o risco de começar – mas só quando o banimento é abrangente e integrado a outras ações, como campanhas educativas nas escolas, taxações que elevam o custo dos produtos, limitações legais, etc. A publicidade negativa, que mostra o perigo em vez de vetar o produto, tem resultado ambíguo. As imagens de choque nas embalagens de cigarro aumentam o medo, a percepção de risco e a intenção de parar de fumar, mas nem sempre levam à suspensão do hábito.

A educação é fundamental, mas – para ser efetiva – não pode ser uma educação financeira genérica e esporádica. A experiência internacional com campanhas de combate às drogas mostra que a educação deve ser um processo continuado e integrado aos currículos para ser efetiva.

Para as bets no Brasil, a lição tem três frentes. Avisos de risco, já exigidos por lei, podem aumentar a consciência, mas, de forma isolada, dificilmente mudam o comportamento. Exigir tais avisos, bem como banir ou restringir publicidade, patrocínio e merchandising, ainda que necessário, só será eficiente se integrados a programas mais amplos de controle dos sites de apostas. A educação financeira não será efetiva se constituir-se apenas uma aula teórica isolada, em vez de formação sustentada e vinculada a decisões reais de consumo digital.

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