Visualmente deslumbrante, o filme A Missão é um clássico que provoca reflexões sobre fé, poder e colonialismo. Contudo, não faltam críticas à sua precisão histórica e à caracterização de seus personagens.

A MISSÃO (The Mission)
Direção: Roland Joffé.
Roteiro: Robert Bolt.
Elenco: Robert De Niro, Jeremy Irons, Ray McAnally.
Produção: Goldcrest Films, Kingsmere, Enigma Productions (Inglaterra,1986).
Duração: 125 minutos.
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e incluído na lista dos 45 melhores filmes sobre religião, compilada pela então Pontifícia Comissão para as Comunicações Sociais, em 1995, A Missão é um épico histórico britânico que narra o conflito que levou à destruição das Reduções Jesuítico-Guarani.
A história acompanha o padre jesuíta Gabriel (Jeremy Irons), que evangeliza os indígenas guarani por meio da música, tocando oboé nas selvas acima das cataratas. Paralelamente, Rodrigo Mendoza (Robert De Niro), mercenário e traficante de escravos, busca redenção após assassinar o próprio irmão por ciúmes. Sua penitência consiste em arrastar sua pesada armadura montanha acima até a missão de San Carlos, onde é perdoado pelos mesmos guaranis que antes caçava. Ambos são confrontados com a tragédia quando o Tratado de Madri (1750) transfere as missões do domínio espanhol para o português, permitindo a escravidão indígena. Gabriel escolhe resistência pacífica por meio da oração, enquanto Mendoza retoma as armas para defender os nativos, culminando em um massacre devastador.
O filme captura o espírito da Guerra Guaranítica (1754-1756) e das reduções jesuíticas reais, mas toma liberdades dramáticas significativas. Embora o Tratado de Madri e a proteção jesuíta aos guaranis sejam históricos, os protagonistas são fictícios. Historicamente, foram os próprios guaranis, liderados por figuras como Sepé Tiaraju, que resistiram posteriormente. Alguns críticos apontam que o filme minimiza o protagonismo indígena, retratando-os como coadjuvantes passivos enquanto privilegia dilemas morais europeus. Outros enfatizaram que os conflitos internos do processo de evangelização foram ignorados, omitindo a permanência de crenças indígenas e o antagonismo entre algumas lideranças e os jesuítas.
Além da Palma de Ouro, o filme venceu o Oscar de Melhor Fotografia (Chris Menges) e o Bafta de Melhor Edição e Ator Coadjuvante. Recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Diretor. A trilha sonora de Ennio Morricone, com o sublime ‘‘Gabriel’s Oboe’’, conquistou o Globo de Ouro e o Bafta, sendo considerada uma das melhores da história do cinema.
Como acontece frequentemente nos filmes, mesmo quando simpáticos ao catolicismo e à fé cristã, deve ser tomado como obra de entretenimento, não como registro da história real.


