Após 13 anos, bispos de dioceses paulistas realizam visita ad limina a Roma

Entre os dias 19 e 23, os bispos de várias dioceses paulistas, entre as quais a Arquidiocese de São Paulo, participam da visita ad limina Apostolorum, em Roma. Esse evento remonta a uma antiga tradição que consiste na peregrinação que os bispos fazem periodicamente “ao limiar dos Apóstolos” – daí vem o nome –, isto é, ao túmulo dos Apóstolos São Pedro e São Paulo e para se encontrar com o Sucessor de Pedro, o Papa. 

Antoine Mekary/ALETEIA

Nesse caso, participarão da visita o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e os sete bispos auxiliares da Arquidiocese, juntamente com todos os bispos das dioceses paulistas. 

Essa visita acontece a cada cinco anos. No entanto, a última vez que os bispos do estado de São Paulo a realizaram foi em 2009, ainda no pontificado do Papa Bento XVI. A seguinte estava prevista para acontecer entre 2014 e 2015, visto que as visitas dos bispos brasileiros tomam praticamente o ano todo, pois passam de 300. Entretanto, com a eleição do Papa Francisco, em 2013, que teve um início de pontificado marcado por inúmeras viagens e outros compromissos, a ad limina foi adiada para 2020. A pandemia de COVID-19, porém, obrigou um novo adiamento. 

PROGRAMA 

A programação da visita se desenvolve em três momentos fundamentais. Em primeiro lugar, a peregrinação aos túmulos de São Pedro e São Paulo, colunas da Igreja, junto aos quais os bispos celebram a Eucaristia. 

O Diretório da Visita ad limina ressalta que a veneração e a peregrinação às relíquias dos apóstolos Pedro e Paulo são praticadas desde a remota antiguidade cristã e “mantêm o seu profundo significado espiritual e de comunhão eclesial”. 

Além de celebrarem nas basílicas de São Pedro e São Paulo, os bispos também costumam celebrar nas basílicas de Santa Maria Maior, onde se encontra o antigo ícone de Maria Salus Populi Romani, e de São João do Latrão, catedral da Diocese de Roma. O segundo momento significativo é o encontro pessoal dos bispos com o Papa, no qual tratam das questões concernentes à vida das igrejas particulares e solidificam a comunhão dos bispos com o Pontífice, em torno do qual constituem o Colégio Episcopal. 

COMUNHÃO COM PEDRO 

“O encontro com o Sucessor de Pedro, primeiro guarda do depósito de verdade transmitido pelos apóstolos, tem como objetivo ressaltar a unidade da própria fé, esperança e caridade e a fazer conhecer e apreciar o imenso patrimônio de valores espirituais e morais que toda a Igreja, em comunhão com o Bispo de Roma, difundiu em todo o mundo”, salienta o Diretório. 

O terceiro compromisso é o contato com os vários Dicastérios da Cúria Romana, órgãos da Igreja que ajudam diretamente o Papa no pastoreio da Igreja. Esse encontro nos dicastérios permite aos bispos conhecerem melhor a estrutura organizativa da Santa Sé, dos quais recebem orientações pastorais e administrativas para as dioceses sob seus cuidados. 

Este ano, a visita aos dicastérios tem um sentido ainda mais profundo, por ser a primeira após a promulgação da constituição apostólica Praedicate Evangelium, que sistematiza as várias reformas implementadas pelo Papa Francisco na Cúria Romana. Esse documento reforça a missão dos organismos da Santa Sé na solicitude para com as igrejas particulares. 

RELATÓRIOS 

A visita ad limina é antecedida pelo envio de um relatório quinquenal elaborado por cada Bispo sobre a situação de sua diocese. Esse relatório abrange as questões administrativas, o ministério do Bispo, o funcionamento da Cúria Diocesana, a vida dos sacerdotes, a situação dos seminários e das vocações, congregações religiosas, as celebrações litúrgicas, os ministérios leigos, a catequese, as escolas católicas, as pastorais e movimentos, as relações ecumênicas, a presença da Igreja nos meios de comunicação e o relacionamento com o poder público, entre outras questões. 

Esse relatório é dividido pelos dicastérios, de modo que os órgãos da Cúria Romana tenham essas informações como base para o diálogo com os bispos. Essa é também uma ocasião de cada diocese avaliar periodicamente sua vida e missão evangelizadora. 

Nesse sentido, a visita ad limina não pode ser entendida como um simples ato jurídico-administrativo ou uma mera prestação de contas. É, na verdade, “um ato que todo Bispo cumpre para o bem de sua própria diocese e de toda a Igreja, para favorecer a unidade, a caridade, a solidariedade na fé e no apostolado” (Diretório para a Visita ad limina). 

BISPOS DO BRASIL 

Dado o fato de o estado de São Paulo ter o maior número de dioceses do País, 42, o episcopado foi dividido em dois grupos. O primeiro compreende as províncias eclesiásticas (conjunto de diocese em torno de uma arquidiocese) de Aparecida, São Paulo e Sorocaba. Na semana seguinte, acontecem as visitas dos bispos das províncias de Botucatu, Campinas e Ribeirão Preto. 

Desde maio, já realizaram a visita os bispos do Rio Grande do Sul, das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em outubro, será a vez dos bispos dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina. Os bispos do Paraná foram os únicos que chegaram a realizar a ad limina no início de 2020, antes das restrições da pandemia. 

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