Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva tem novo estatuto 

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Entra em vigor na quarta-feira, 24, o novo estatuto do Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva, da Arquidiocese de São Paulo, por meio da aprovação e promulgação do decreto no 1492/22, pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. 

Instituído em 1918, por Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro Arcebispo de São Paulo, o Arquivo Metropolitano segue uma disposição do Código de Direito Canônico, que prevê que em cada cúria diocesana deve ser instalado um arquivo diocesano, “onde se guardem, dispostos na ordem devida e diligentemente fechados, os documentos e escrituras relativos aos assuntos diocesanos não só espirituais, mas também temporais”. 

Reprodução

No texto do decreto no 1492/22, Dom Odilo aponta que “desde a sua criação até os nossos dias, o Arquivo Metropolitano possui a missão de custodiar e preservar a memória histórica, tanto da Igreja quanto da sociedade, contribuindo para o desenvolvimento religioso, cultural e social das presentes e futuras gerações”, e que por esta razão e com o intuito de garantir que as finalidades do Arquivo sejam integralmente cumpridas, em 29 de abril deste ano foi instituído um conselho de administração “ad interim”, que, entre outras atribuições, elaborou este novo estatuto, cujo teor recebeu a primeira aprovação deste mesmo conselho interino, em 2 de agosto, e, no dia 18 do mesmo mês, a aprovação, de forma unânime, do Conselho de Presbíteros da Arquidiocese. 

O novo estatuto entra em vigor, ad experimentum, por cinco anos, a partir da data de sua publicação, 24 de agosto. O documento apresenta alterações no regimento interno e na organização administrativa e pastoral do Arquivo Metropolitano. 

COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E DA DIRETORIA

Em outro decreto, também datado de 24 de agosto, Dom Odilo Pedro Scherer nomeia e provisiona a nova Diretoria do Arquivo Metropolitano, para um período de dois anos. O Diretor-geral é o Padre Hernane Santos Módena, e o Diretor Administrativo é o Padre Zacarias José de Carvalho Paiva. 

No mesmo ato, foi nomeado como Diretor Técnico do Arquivo Metropolitano o senhor Jair Mongelli, que trabalha no Arquivo há mais de 30 anos. 

No documento, o Arcebispo Metropolitano ressalta que a adequada administração e organização do Arquivo “é questão de respeito pelo passado, de justiça em relação ao presente e de responsabilidade diante do futuro”. 

Em outro decreto, também do dia 24 de agosto, Dom Odilo constitui o Conselho de Administração do Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva e nomeia os seus membros para um período de dois anos. Além dos já citados Padres Hernane e Zacarias, também foram nomeados pelo Arcebispo Metropolitano os Padres Everton Fernandes Moraes, José Rodolpho Perazzolo e Sidnei Fernandes Lima. 

PADRE HERNANE MÓDENA: DIRETOR-GERAL
Que o Arquivo seja um espaço aberto e acolhedor ao povo, ao clero e a todos os que nos procuram’ 

Nomeado pelo Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano, como Diretor-geral do Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva, o Padre Hernane Santos Módena, 43, relatou, ao O SÃO PAULO, que deseja “dar continuidade ao trabalho que ao longo de décadas manteve viva a memória histórica da Igreja em São Paulo por meio das suas fontes documentais”. 

Padre Hernane Módena

Doutorando, mestre e bacharel em Teologia, licenciado em História, bacharel em Filosofia e especialista em Ética e Filosofia, Padre Hernane enfatiza que o Arquivo Metropolitano “é um patrimônio cultural de valor incomensurável, pois abriga documentos em diferentes suportes, quer de cunho espiritual, quer de cunho temporal, constituindo-o num testemunho da história, da vida e da cultura da Igreja”. Ele também manifesta gratidão a todos os que ajudaram a manter esse organismo arquidiocesano nestes mais de cem anos. 

FOCO INICIAL DOS TRABALHOS

“Com a minha nomeação, cabe a mim e aos demais diretores, ao Conselho do Arquivo sob a presidência do Arcebispo, continuarmos esse trabalho importante de preservação da memória, contribuindo, assim, para o desenvolvimento religioso, cultural e social do tempo presente e das gerações futuras”, comentou. 

Padre Hernane recordou que desde a nomeação do Conselho do Arquivo, por meio de decreto publicado em 29 de abril deste ano, o Arquivo tem passado por manutenções e adequações de suas instalações. 

“Uma das metas já concluídas foi a criação do Estatuto do Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva da Arquidiocese de São Paulo, aprovado no dia 2 de agosto pelo Conselho de Administração, dando clareza de identidade e finalidade. Agora estamos na fase da reelaboração do regulamento interno para o melhor funcionamento do Arquivo.” 

MUDANÇAS NO ESTATUTO

Padre Hernane ressaltou que, além da criação de um estatuto próprio, houve a manutenção do Conselho de Administração do Arquivo, que é formado por membros representantes dos vários departamentos, organismos e unidades acadêmicas da Arquidiocese, e presidido pelo Arcebispo de São Paulo, “favorecendo, assim, uma maior participação nos assuntos relativos ao Arquivo, que é de interesse e responsabilidade de toda a Igreja local”. 

O Sacerdote avalia como significativo haver uma diretoria para a administração do Arquivo, composta por um Diretor-geral, um Diretor Administrativo e um Diretor Técnico, com mandatos e atribuições definidas. “Com a criação do Estatuto, o regimento interno do Arquivo está passando por uma reelaboração, por isso precisa ser adequado de acordo com as alterações”, detalhou. 

OBJETIVOS

Ainda de acordo com o Diretor-geral do Arquivo Metropolitano, entre os muitos objetivos a serem alcançados estão, desde já, “que o Arquivo seja um espaço aberto e acolhedor ao povo, ao clero e a todos os que nos procuram. Que seja um lugar de encontro e de conhecimento da história e da vida da Arquidiocese de São Paulo”. Para tal, o Sacerdote assegura: “Iremos ampliar e favorecer as visitas técnicas, projetos culturais, pesquisas pessoais e acadêmicas, proporcionando o desenvolvimento das diversas ciências e o testemunho da história e da vida da Igreja de São Paulo”. 

UM PATRIMÔNIO QUE PRESERVA A HISTÓRIA, A VIDA E A CULTURA DA IGREJA

Criado em 4 de abril de 1918, por iniciativa de Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro Arcebispo de São Paulo, o Arquivo Metropolitano está localizado no bairro do Ipiranga, na zona Sul da cidade. 

Desde 1984, por decisão do Cardeal Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo Metropolitano, leva o nome de seu idealizador: Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva.

A FORMAÇÃO DO ACERVO

Quem visita o Arquivo Metropolitano se depara com uma diversidade de séries documentais e processos, entre registros de Batismo, Matrimônio e Óbito, processos eclesiásticos, fotografias, partituras musicais, plantas e projetos arquitetônicos, testamentos e inventários, como os retratados nas fotos acima. 

Em 1921, Dom Duarte teve uma iniciativa inédita nas dioceses brasileiras: a criação de “livros duplicatas” de Batismo e Casamento. Com isso, cada paróquia tinha de fazer uma cópia dos registros desses sacramentos em um segundo livro, que, depois de preenchidos, eram encaminhados ao Arquivo. 

Para cada paróquia que pertence à Arquidiocese de São Paulo ou dela já fez parte, existem pastas de documentações avulsas. 

Quando criada, em 1745, a então Diocese de São Paulo abrangia os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o sul de Minas Gerais. Portanto, o Arquivo possui documentos dessas regiões pelo menos até o período de abrangência da Igreja particular de São Paulo. 

Alguns documentos do período anterior à proclamação da República, em 1889, só existem no Arquivo Metropolitano. Durante o regime do padroado, que vigorou no período colonial e do império, a Igreja era o “grande cartório do Estado”, uma vez que os principais registros da vida de uma pessoa, como o Batismo (nascimento), casamento e a morte, eram feitos pelas paróquias. 

Há cerca de 250 partituras musicais dos séculos XVIII e XIX, uma delas de autoria de Dom Pedro I. 

As principais obras dessa época são de André da Silva Gomes, que foi o mestre de capela da antiga Sé de São Paulo. Há também todo o acervo musical do Padre João Lyrio Talarico, também mestre de capela da Catedral, com mais de 3 mil composições. 

Também faz parte do acervo plantas e projetos arquitetônicos, desde 1893. Esse material foi fonte de pesquisa para o restauro da Catedral da Sé, de 1999 a 2002. 

Em 2006, o Arquivo Metropolitano começou o registro de depoimentos em vídeos de personagens da Igreja em São Paulo, entre clérigos, religiosos e leigos, que falam sobre suas histórias de vida ou sobre fatos históricos.

ENTRE EM CONTATO COM O ARQUIVO METROPOLITANO
Telefones: (11) 2272-3644 ou 2272-3726 
E-mail: arquivo.curia.sp@terra.com.br 
Endereço: Avenida Nazaré, 993, Ipiranga. 

(Colaborou: Fernando Geronazzo) 

Deixe um comentário