‘As Ave-Marias de Villa-Lobos’

Temática da dissertação de mestrado defendida na USP pelo Maestro Danillo Del Chiaro foi motivada por seu caminho de conversão à fé católica 

‘As Ave-Marias de Villa-Lobos’, Jornal O São Paulo
Arquivo pessoal

Danillo Del Chiaro (foto), 47, é mestre em Musicologia pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), maestro do Coro da Paróquia Nossa Senhora do Brasil e diretor musical do Coral e Orquestra Del Chiaro. 

Em conversa com O SÃO PAULO, o maestro conta sua jornada na música, seu caminho de conversão à fé católica e a defesa da tese de mestrado com o tema: “As Ave-Marias de Villa-Lobos”. 

JORNADA NA MÚSICA 

Danillo é filho de Sandra e José; irmão de Daniel e Denis. Casado com Rita, é pai do Carlo Felice, 24, do Giovanni, 15, e da Micaela, 7. Iniciou sua jornada na música aos 10 anos, sob influência e incentivo do seu avô que estudava Música. Na escola, viu as aulas de piano e pediu à mãe que também queria estudar o instrumento coma professora Noemi Munhoz. 

Na adolescência, parou de estudar piano e, a princípio, havia desistido da música. Ao concluir o ensino médio, prestou vestibular e foi aprovado em Engenharia. “Quando fui fazer a matrícula no curso de Engenharia, não consegui. Foi quando percebi que a música tinha um espaço especial dentro de mim. Mudei a rota e, desde então, estudo e vivo profissionalmente da Música”, afirmou Danillo, destacando a alegria em ter ingressado na graduação da USP e por ter sido aluno do renomado pianista Hermes Jacchieri. 

Trabalhou como bolsista no Coral do Museu Lasar Segall, sob regência do maestro Marco Antônio da Silva Ramos, e ali atuou como monitor dos tenores. Cantava e tocava piano. 

Realizou vários concertos com a Orquestra de Câmara da USP e com a Orquestra do Festival de Prados, sob a Regência do Maestro Olivier Toni. No festival de Prados, em 1996, atuou como regente assistente de coro infantil e, em 1998, foi regente do coro juvenil/adulto e, no mesmo período, de 1996 a 1998, atuou como arranjador orquestral e acompanhador. 

Estudou Regência na USP, sob orientação do professor Marco Antônio da Silva Ramos, quando teve a oportunidade de reger o Coral da ECA-USP por várias vezes. Danillo Del Chiaro tem especialização em Música, com ênfase nas áreas de Piano e Regência pela União Bandeirante de Ensino (Uniban); pela University of Louisiana Monroe (ULM); pela Sociedade Kodály do Brasil; e, na USP, estudou sob a orientação do professor e pianista Doutor José Eduardo Martins. No mesmo centro de ensino, foi monitor de Música, lecionando aulas na classe de Piano. 

AVE-MARIA INÉDITA 

Em 2020, durante a pandemia, Danillo Del Chiaro ingressou no mestrado em Musicologia na USP, concluindo-o em outubro deste ano com o tema: “As Ave-Marias de Villa-Lobos: conjunto da obra e discussão sobre uma possível Ave-Maria inédita a partir da análise do manuscrito MVL 1999-21-0005”, sob a orientação da professora Susana Cecilia Almeida Igayara de Souza. 

A ideia original do projeto de mestrado era reunir as várias partituras das Ave-Marias de Villa-Lobos com o intuito de catalogar as composições do músico brasileiro. 

“Durante a pesquisa, debrucei-me sobre a origem e o contexto histórico da Ave-Maria, e foi, então, que encontrei um manuscrito original da primeira Ave-Maria de Villa-Lobos, de 1909, em formato rascunho, cuja partitura nunca havia sido editada, pois a mesma era considerada perdida”, recordou Danillo. 

“Tive a oportunidade de reconstruir o rascunho e apresentar à sociedade a partitura a partir da composição original de Villa-Lobos. É uma alegria, após 113 anos de sua composição, apresentar essa Ave-Maria inédita do compositor, maestro, violoncelista, pianista e violonista brasileiro – de singular importância para a história da música do nosso País”, enfatizou, ressaltando que esse é um legado acadêmico que fica para as próximas gerações de estudantes. 

CAMINHO DE VOLTA 

Quando criança, Danillo fez os sacramentos na Igreja Católica e depois, por muitos anos, ficou afastado da Igreja. O caminho de volta, a “conversão”, como ele costuma afirmar, aconteceu quando seu filho Giovanni, na época com 3 anos, ficou muito doente e precisou ser internado às pressas. 

Passados 15 dias e ainda sem o diagnóstico médico, com o coração de pai apertado e desesperado, procurou no hospital uma capela para rezar e pedir pela saúde do filho. “Ali, na capela, diante da imagem do Sagrado Coração de Jesus, de joelhos, queria entender o que Deus queria de mim e senti a voz de Deus me afirmando: é um problema de fé”, recordou. 

Após esse encontro de oração e escuta do apelo de retornar à Igreja, ele se comprometeu a participar das missas dominicais. Seu filho se recuperou rapidamente, recebendo alta no dia seguinte. 

Durante a pandemia, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, Danillo fez a sua consagração a Nossa Senhora pelo método de São Luís de Montfort. Aos domingos na mesma Paróquia, é maestro do coro. “Deus me trouxe de volta, resgatando a fé e a pertença a Cristo, a Maria e a Igreja”, descreveu, ressaltando que a temática da dissertação do mestrado foi motivada pelo caminho de conversão e desejo de aprofundar a composição mariana. 

MÚSICA: EXPRESSÃO DE FÉ 

Sobre a experiência musical na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, Danillo destacou que o coro é composto por paroquianos que são atraídos pela beleza dos cantos litúrgicos e dos cantos gregorianos. “A música bem cantada, bem tocada, proporciona aos fiéis uma verdadeira experiência de fé e oração e os conduz à participação mais ativa do momento celebrativo e da inserção na dinâmica comunitária”, disse o maestro. 

“Nosso desejo é ajudar o povo a participar de forma mais ativa da celebração. Queremos oferecer o melhor para que a música litúrgica seja a expressão de fé do povo católico”, afirmou Danillo, recordando o intenso trabalho realizado na Paróquia, e a preocupação da sua empresa Del Chiaro na formação musical católica para os casamentos e demais eventos. 

Danillo Del Chiaro destacou que entre as inúmeras funções do maestro, uma das mais primordiais é a de orientar os músicos sobre o “‘caminhar’ da melodia, a fim de proporcionar aos ouvintes uma experiência, um encontro consigo e com o belo que a música, seja ela sacra ou não, proporciona”, frisou. “A canção aproxima, acalenta e promove a cultura e a fé”, concluiu. 

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