Católicos poloneses consideram ‘dever humano’ ajudar refugiados ucranianos

Católicos poloneses consideram ‘dever humano’ ajudar refugiados ucranianos
Caritas Polska

Mais de 3,5 milhões de pessoas foram forçadas a fugir da Ucrânia após a invasão russa ao país em 24 de fevereiro, levando a Organização das Nações Unidas (ONU) a declarar o êxodo em massa a maior crise de refugiados da Europa desde o fim da 2a Guerra Mundial.

A maioria dos ucranianos fugiu para o oeste, em busca das nações vizinhas – principalmente a Polônia –, onde encontraram refúgio dos bombardeios, dos combates e da destruição.

Na Polônia, os refugiados têm sido assistidos principalmente por grupos católicos, paróquias individuais e cidadãos comuns, dispostos a ajudar ativamente os deslocados.

“Considero meu dever humano ajudar nossos vizinhos. Eles simplesmente precisam de apoio. Eles deixaram para trás tudo o que tinham, toda a sua vida está contida em uma mala”, disse Dorota Pierscieniewska, uma moradora de 50 anos de Zabki, um subúrbio de Varsóvia.

ACOLHIDA

Até agora, a Polônia aceitou mais de 2,2 milhões de refugiados da Ucrânia. Somente Varsóvia recebeu 200 mil refugiados – cerca de 10% de sua população atual –, em menos de duas semanas. Outros países com grande número de refugiados incluem Romênia, Eslováquia, Hungria e Moldávia.

Felipe Van Braak, um dos líderes dos profissionais médicos da equipe de emergência da organização humanitária Médicos sem Fronteiras que está trabalhando na fronteira da Polônia com a Ucrânia, descreve a atual situação na área.

“O apoio concreto das autoridades e do povo polonês tem sido impressionante. Inicialmente, nada estava centralizado, eram apenas pessoas agindo por conta própria para ajudar no que pudessem. Eu nunca havia visto mobilização espontânea em tal escala antes. Tem sido realmente comovente testemunhar tudo isso. Em uma passagem de fronteira na semana passada, vi centenas de pessoas ao aguardo para atravessá-la. No lado polonês, os voluntários estavam esperando para receber as pessoas com sopa, chips para celulares, itens de higiene e roupas para proteger do frio. Escoteiros vieram de todo o país para ajudar as pessoas a carregar suas malas”, detalhou.

CUIDADOS

Dorota e sua melhor amiga, a ucraniana Liliia Bilozir, coordenaram esforços de divulgação para a acolhida de refugiados em sua pequena cidade de 30 mil habitantes.

Aqueles que fogem para a Polônia, disse Dorota, “precisam de ajuda real, como moradia, alimentação, roupas, produtos de higiene e assistência médica”.

As necessidades médicas desses ucranianos deslocados, às vezes, são negligenciadas. As agências de apoio no local rela- taram que queimaduras por frio, diarreias e desmaios são as aflições mais comuns que os afetam, e os médicos estão lutando para tratar essas e outras condições. Há também refugiados que lidam com doenças crônicas.

“Alguns deles estão doentes, sem medicação, sem histórico médico que não tiveram tempo de levar consigo”, disse Dorota. “Os médicos que declaram estar dispostos a ajudar, muitas vezes o fazem às cegas. Há também pessoas que interromperam a reabilitação [cuidados médicos contínuos], e sem ela sua saúde se deteriorará.”

EMPATIA

Além do alcance organizado, muitos poloneses, como Dorota, assumiram a responsabilidade de ajudar da maneira que puderem. Cerca de 95% dos poloneses disseram que querem que seu país aceite e ajude os refugiados ucranianos, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Rzeczpospolita, um jornal nacional da Polônia. Dorota disse que já existe uma grande população ucraniana vivendo na Polônia, muitos casados com cidadãos poloneses. Dorota, que trabalha em um banco e é paroquiana da Paróquia da Divina Misericórdia, em Zabki, acrescentou: “O pensamento de que eu poderia me encontrar nesse tipo de situação não me deixa dor- mir bem”.

“Quando falo com meus amigos ou com os clientes que atendo no banco, tenho a impressão de que a maioria dos poloneses pensa da mesma forma. Não me surpreende, porque também tivemos experiências semelhantes, por exemplo, desde o período da lei marcial”, disse ela. “Eu não quero apenas dizer a eles [os refugiados ucranianos], mas mostrar-lhes que não estão sozinhos; que eles podem contar conosco.”

VONTADE DE AJUDAR

Entre 1981 e 1983, o então governo comunista da Polônia instituiu a lei marcial, reprimindo e punindo os envolvidos no movimento Solidariedade ou qualquer esforço para protestar contra o regime repressivo do país.

“Assim como eles [os refugiados ucranianos], estamos cheios de medos diferentes”, disse Dorota. “A situação em que nos encontramos desencadeou em nós profunda vontade de ajudar. Percebi uma tendência estranha: quanto menos alguém tem, mais disposto está a compartilhar com os outros.”

Dorota afirmou que não apenas coletou itens para ucranianos deslocados, mas também abriu sua casa. “Nós os convidamos para nossas casas. Eu, de minha parte, ofereci o maior quarto da minha casa e estou ajudando com todas as formalidades relacionadas a colocá-los nas escolas e procurar emprego para eles.”

A Polônia aprovou uma lei que concede aos ucranianos o estatuto de cidadãos regularizados, bem como o acesso a emprego, educação e serviços.

“É muito importante dar a essas pessoas pelo menos um substituto para a normalidade. Não podemos focar exclusiva- mente as necessidades básicas. Também precisamos pensar em como ajudá-los a superar barreiras, por exemplo, as linguísticas, porque eles precisam encontrar trabalho e seus filhos precisam ir à escola”, disse ela.

Fontes: Catholic News Service (CNS), Médicos sem Fronteiras e CNN Brasil

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