Cor Unum promove ações de solidariedade em favor de migrantes e refugiadas

O atendimento personalizado proporcionou às participantes oportunidades de aprendizado, autoconhecimento e esperança

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Voluntários da associação Cor Unum realizaram na manhã do sábado, 2, na Paróquia São Vito Mártir, no Brás, uma série de atividades nas áreas de assessoria jurídica, atendimento psicológico, dicas de planejamento e empreendedorismo que beneficiaram 11 refugiadas venezuelanas e duas angolanas.

O atendimento personalizado proporcionou às participantes oportunidades de aprendizado, autoconhecimento e esperança, além de novos horizontes para empreender e garantir o sustento de suas famílias.

Um só coração

A associação Cor Unum foi criada em 2020, em meio à pandemia de COVID-19, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, com o apoio dos Padres Michelino Roberto, Pároco, e Alessandro Enrico de Borbón, então Vigário Paroquial. Sensibilizados pela situação das pessoas frente à pandemia, em uma reunião pastoral, eles convidaram os paroquianos a se unirem em uma ação emergencial para ajudar os mais necessitados.

Da união e engajamento da comunidade paroquial, surgiu o Cor Unum, com o intuito de unir, como o próprio nome diz, em um só coração, os paroquianos e ajudar os irmãos em situação de vulnerabilidade social.

Em pouco mais de um ano, a entidade cresceu e, diante das necessidades, criaram-se várias frentes de atuação – ou braços, como chamam os organizadores –, com o objetivo de assegurar a dignidade integral e não somente uma assistência pontual.

Os voluntários, que preferem não identificar seus nomes, mas serem conhecidos como os paroquianos da Nossa Senhora do Brasil, são unânimes em afirmar que a ação pastoral ampliou os horizontes de compreensão das necessidades do próximo e intensificou a prática da solidariedade e a dimensão da espiritualidade.

Autonomia financeira

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Pensando na integralidade dos beneficiários, uma das ações do Cor Unum é a Mentoria/Finanças, com o intuito de proporcionar às pessoas atendidas um caminho de autonomia financeira.

A iniciativa em parceria com o Espaço SEHR, do chef Rodney Neuri Carvalho, conhecido pelo apelido de Caco, numa extensão do Programa Cozinha Inclusão, tem ensinado refugiadas que vivem no Brasil a fazerem receitas simples e de baixo custo da culinária brasileira: brigadeiro, trufa, bolo de chocolate, de cenoura, pão de mel, torta de frango; numa proposta de “faça e venda”.

“O objetivo é capacitar essas mulheres a uma autonomia. A Gastronomia é uma via que oferece possibilidades de empreendedorismo, uma vez que, aqui, ensinamos receitas populares, que estão no gosto do brasileiro e que podem ser vendidas em estabelecimentos, quiosques e carrinhos na rua ou sob encomenda”, ressaltou um dos voluntários.

A primeira turma concluiu o curso de Confeitaria no fim de setembro, e cinco participantes produzem e vendem os bolos como fonte e complementação de renda.

A venezuelana Betzy Jholyne Morão Rosa está no Brasil há dois anos. Foi uma das alunas do curso. Em seu país, trabalhava como policial. Em decorrência da crise econômica, ela afirmou que o salário não era suficiente para manter o básico e, assim, resolveu partir em busca de melhores condições de vida.

“As pessoas gostam dos meus bolos, e já estou recebendo encomendas para festas e aniversários”, contou, salientando que já se inscreveu no próximo curso de Decoração de Bolos que será oferecido pela associação em novembro.

Assessoria jurídica

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Outra ação é o Juris Cor, que conta com 27 advogados voluntários que auxiliam as entidades apoiadas em questões jurídicas e tem ajudado, sobretudo, refugiados e migrantes no Brasil a regularizar sua documentação para a permanência no País.

Maria Gabriela Aparicio Perez, 19, é venezuelana e mãe de Santiago, de 2 anos. Ela veio ao País em busca de trabalho e para garantir o futuro do filho longe da violência e da fome.

“Um dos motivos de estar aqui neste sábado é para regularizar a documentação de residência do meu filho. Conversei com a psicóloga e sou uma das alunas do curso de Confeitaria”, contou.

Em busca de direitos

Fifi Siala Poba é refugiada angolana. Em razão do desemprego e da pobreza em seu país, há cinco anos deixou tudo para recomeçar em outro continente. Veio com o esposo e quatro filhos. Dois nasceram no Brasil. A mais velha permaneceu na terra natal, por falta de dinheiro para a viagem.

Fifi foi à ação do Cor Unum em busca de apoio jurídico, uma vez que a empresa em que trabalha em São Paulo, há dois meses tem atrasado seu salário e os benefícios.

“O trabalho é a forma como sustento meus filhos e economizo para trazer a minha filha que ficou em Angola. Os atrasos me impedem de pôr a comida na mesa, de pagar o aluguel”, disse, segurando no colo a pequena Vivian, de 3 meses. “A associação estende as mãos, aponta caminhos e a esperança renasce”, ressaltou. Ela concluiu o curso com o chef Caco e aproveitou o atendimento psicológico “para falar sobre os sentimentos, a vida e as dificuldades.”

Celebrar as conquistas

Joselyn Del Valle Bameto Mujica é venezuelana. Está no Brasil há um ano e seis meses. Deixou seu país por causa da situação política e econômica. Lá estava desempregada. Veio com o marido e os filhos.

“No curso, aprendi a fazer as delícias brasileiras. Hoje, vendo os bolos no ponto de ônibus perto de casa. Vim aqui confraternizar com minhas amigas essa conquista, que é muito importante para nós que estamos chegando ao novo País”, disse, destacando que os sabores mais pedidos por seus clientes são os bolos de cenoura com cobertura de chocolate e o de laranja.

Outras ações

O Kitchen Cor é um dos braços da associação, pelo qual são produzidas marmitas, de segunda a quinta-feira, em uma cozinha industrial, bem como nas casas dos voluntários do Cor Unum.

No Sandu Cor, as famílias se organizam em suas residências, locais onde preparam e depois distribuem sanduíches a quem precisa. A ação conta com a colaboração dos jovens da Paróquia, e, a cada dois domingos, os sanduíches são encaminhados à Aliança de Misericórdia e à Missão Belém.

No Saúde Cor, há cerca de 80 profissionais da área da Saúde que doam seu tempo para atender, em projetos sociais, a população em situação de vulnerabilidade.

O Kits Cor viabiliza a doação de kits de higiene e chinelos às pessoas internadas no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Há, ainda, a equipe do Eventos Cor e o Curadoria Cor, que planejam as ações a serem realizadas.

Sobre o êxito e crescimento do projeto, os participantes afirmam que tudo é possível graças à ação do Espírito Santo, da colaboração dos paroquianos e fruto das orações. Inclusive, um dos braços é o Intercessão Cor, grupo que reza por aqueles que estão na missão e pelos que são beneficiados pela atuação dos voluntários.

CONHEÇA E PARTICIPE @corunum_nsb

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