‘Corações ardentes, pés a caminho’: vai começar o 3º Ano Vocacional do Brasil

Iniciativa, que terá início no dia 20, destaca que todo batizado tem uma vocação, recebida como graça de Deus, que deve ser traduzida em missão

‘Corações ardentes, pés a caminho’: vai começar o 3º Ano Vocacional do Brasil, Jornal O São Paulo

Uma oportunidade para que cada batizado se redescubra como um agraciado por Deus e possa bem discernir e vivenciar a vocação que recebeu. Assim podem ser sintetizados os propósitos centrais do 3º Ano Vocacional do Brasil, que terá início no domingo, 20, na Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, e prosseguirá até 26 de novembro de 2023. 

Inspirado no documento final do Sínodo dos Bispos sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, de 2018, especialmente no parágrafo 78, em que a vocação é apontada com “um dom de graça e de aliança, como o mais belo e precioso segredo de nossa liberdade”, e também levando em conta os apelos do Papa Francisco na exortação apostólica Christus vivit, de 2019, o 3º Ano Vocacional do Brasil tem como tema “Vocação: Graça e Missão” e lema “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24,32- 33), alusivo à passagem bíblica dos discípulos de Emaús. 

Em uma live sobre o 3º Ano Vocacional do Brasil, em 20 de outubro, Dom João Francisco Salm, Bispo de Novo Hamburgo (RS) e Presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), destacou que cada pessoa deve ter consciência de que toda vocação é expressão do amor de Deus e não uma função: “Se exercemos funções na Igreja, isso é uma forma de concretizar aquilo que vem primeiro, que é amar como Jesus amou. Se isso não é compreendido, jamais entenderemos a vocação, o porquê de Deus nos querer assim como somos e como Ele se relaciona conosco nessa relação vocacional”. 

HISTÓRICO 

A 1º edição do Ano Vocacional do Brasil ocorreu em 1983, com o tema “Vem e segue-me”, e permitiu ampliar o conhecimento de que toda a comunidade cristã é responsável pela animação, cultivo e formação das vocações. 

Já a 2º edição, em 2003, tratou da temática “Batismo, fonte de todas as vocações”, e ajudou a promover um novo despertar vocacional e a conscientizar para a vocação e missão batismal na comunidade eclesial e na sociedade. 

Nesta 3º edição, conforme consta no texto-base, a meta é promover “a cultura vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias e na sociedade, para que sejam ambientes favoráveis ao despertar de todas as vocações, como graça e missão, a serviço do Reino de Deus”. 

“Passados 40 anos da 1º edição, essa cultura vocacional precisa ser permanentemente restabelecida, no sentido de que possa abranger todas as vocações. Não se trata de uma vocação ou de outra, mas, primeiramente, a vocação à vida”, comentou a Irmã Maristela Ganassini, FSCJ, assessora do Setor de Juventudes e Vocações da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) na mesma live

ANIMAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E SENSIBILIDADE VOCACIONAL 

Entre os objetivos específicos do 3º Ano Vocacional do Brasil está o de cultivar uma sensibilidade vocacional que favoreça a compreensão de que toda a espiritualidade, atividade pastoral e formação são vocacionais; bem como fortalecer a consciência de que todos os batizados têm um compromisso vocacional. 

“O Ano Vocacional tem um chamado em duas dimensões: a primeira é a de revitalizar a vocação de todos os cristãos leigos, dos consagrados e dos ministros ordenados. Ele ajudará a todos nós a renovar o dom, a graça que cada um tem. Um segundo aspecto é o de reforçar esta sensibilidade, essa transversalidade da animação da Pastoral Vocacional na ação evangelizadora, pois os serviços, os ministérios e a presença da Igreja no mundo é vocacional. Assim, a oração se torna vocacional, a espiritualidade também, igualmente o caminho formativo e todo o trabalho da evangelização”, comentou, ao O SÃO PAULO, Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Referencial da Pastoral Vocacional. 

Também estão entre os objetivos específicos: aprofundar a teologia da graça e da missão; acompanhar cada jovem em seu protagonismo e serviço à missão; despertar e acompanhar as vocações à vida consagrada, ao ministério ordenado e à vida familiar; intensificar a prática da oração pelas vocações; e fomentar o serviço de animação vocacional em âmbito pessoal, familiar e comunitário, bem como nos regionais, nas dioceses e nas paróquias. 

“A temática vocacional é transversal, não é de propriedade dos animadores vocacionais. Ela é de todos nós. A animação vocacional perpassa pela nossa vida, pela missão em qualquer movimento ou pastoral em que estejamos”, ressaltou a Irmã Maristela Ganassini. 

VOCAÇÃO, GRAÇA E MISSÃO 

O texto-base apresenta reflexões sobre as três dimensões contempladas no tema escolhido. 

Sobre a vocação, é apontado que esta é uma convocação que o Mestre faz a cada pessoa para segui-lo (cf. no 22), esperando que seja respondida com amor. “É o amor experimentado e alimentado pela íntima amizade com Cristo que dará ao chamado a possibilidade de testemunhar com a vida o que seus lábios proferem em discursos e súplicas” (no 52), devendo a vocação ser constantemente alimentada pela Palavra, os sacramentos, a oração e o serviço ao próximo.

Também se aponta que a adesão a Cristo “é uma experiência pessoal e livre” (no 96), e que toda vocação é dom e graça. “Dom de Deus que chama mulheres, homens, jovens para seguirem Jesus. Graça por ser um chamado gratuito para permanecer com Jesus e, com Ele, sair para anunciar o Reino e compartilhar dons e talentos, recebidos gratuitamente do Pai, pelo Espírito” (no 119). 

A resposta vocacional só será autêntica, porém, se for traduzida em missão (cf. no 136), e que nesta seja possível “promover espaços que favoreçam a participação efetiva de todos, que possibilitem o exercício do poder compartilhado e de escuta das múltiplas subjetividades dos membros de nossas instituições religiosas, do nosso grupo, de nossa comunidade, proporcionando espaços que viabilizam essa abertura para outras pessoas que ainda não fazem parte do nosso grupo, de nossa comunidade” (no 173). 

PISTAS DE AÇÃO 

O texto-base também apresenta algumas pistas de ação, a começar pela construção de uma cultura vocacional, “que certamente facilitaria qualquer processo vocacional, mostrando que a responsabilidade é de toda a Igreja – cristãos leigos, vida consagrada, ministros ordenados –, sendo fundamental um adequado planejamento e organização, num serviço em rede, nos diversos âmbitos” (no 204). 

Também se menciona a prática da oração pelas vocações, o testemunho de vida de cada vocacionado, a mostra aos jovens sobre a riqueza e a diversidade da Igreja, a aproximação dos serviços de animação vocacional com as pastorais juvenis, grupos de Catequese e famílias, a formação de animadores que possam escutar e acompanhar de modo personalizado os mais jovens em seu itinerário vocacional, entre outras iniciativas. 

“O Ano Vocacional é um tempo de ação. Não basta rezarmos pelas vocações. Assim, que se procure fazer coisas bem concretas para se chegar a cada pessoa. Para isso, devo olhar quem ela é, em qual situação se encontra e pensar com qual atividade posso dela me aproximar. É importante que na paróquia, na diocese, haja um grupo que identifique essas possibilidades de ação”, afirmou Dom João Francisco Salm. 

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