Dom Odilo: ‘Pela Paixão e Morte de cruz, Ele nos amou até o fim e aceitou todo o desprezo do mundo’

Disse o Arcebispo Metropolitano, que presidiu a ação litúrgica da Paixão do Senhor na Catedral da Sé

Dom Odilo: ‘Pela Paixão e Morte de cruz, Ele nos amou até o fim e aceitou todo o desprezo do mundo’, Jornal O São Paulo
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em pé e em profundo silêncio, a assembleia de fiéis, formada por muitas famílias, acompanhou a procissão que se dirigiu ao presbitério da Catedral da Sé. Passavam-se alguns minutos das 15h quando o Cardeal Scherer prostrou-se diante do altar. Minutos depois, o silêncio foi rompido com a oração inicial com a qual ele iniciou a ação litúrgica da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa, 15.

“Ó Deus, pela Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu a todos. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim como trouxemos, pela natureza, a imagem do homem terreno, possamos trazer, pela graça, a imagem do homem novo”, rezou o Arcebispo, dando sequência à ação litúrgica.

O MAIOR DOS ACONTECIMENTOS

A entrega que Jesus fez de sua própria vida na cruz em favor da humanidade foi destacada por Dom Odilo ao iniciar a homilia.

“Hoje não celebramos uma data, mas celebramos um acontecimento. Recordamos a pessoa de Jesus e o acontecimento de sua Paixão e Morte. Trata-se do Filho de Deus, que veio ao mundo por nosso amor e que entregou a vida por amor a todos nós, para que tenhamos misericórdia, perdão, reconciliação e esperança de vida por meio dele”, observou Dom Odilo.

A CONDENAÇÃO E AS FAKE NEWS

Dom Odilo: ‘Pela Paixão e Morte de cruz, Ele nos amou até o fim e aceitou todo o desprezo do mundo’, Jornal O São Paulo

E por que Jesus, que só fez o bem, foi morto? Com essa indagação, o Arcebispo Metropolitano convidou os fiéis a refletir sobre as motivações humanas que fizeram com que Jesus fosse perseguido, preso e morto na cruz. 

A primeira motivação, conforme explicou o Arcebispo, foi de natureza religiosa, pois Cristo se apresentou como verdadeiro interprete da vontade de Deus, diferentemente de outras autoridades que manipulavam a religião em favor próprio.

“Não reconheciam quem de fato Cristo era, o Filho de Deus, que veio ao mundo para falar de forma verdadeira, autêntica sobre a Lei de Deus, a religião. Ele mostra um Deus que não é opressor, nem castigador, que não é um Deus injusto, que não procura o próprio bem, mas que se volta para o bem da humanidade. Por isso, foi acusado de falso profeta, de blasfemador, de transgressor das leis”.

No entanto, apenas as motivações religiosas não seriam suficientes para a condenação de Cristo, razão pela qual as autoridades da época passaram a acusá-lo de transgressor das leis, alguém perigoso para a nação, entre outras inverdades, falsidades, mentiras, calúnias, que se assemelham ao que hoje se conhece como fake news.

 “Cuidado, fake news podem matar, condenar, massacrar, linchar moralmente, levar para a cadeia e até assassinar”, comentou Dom Odilo. “Jesus foi vítima de fake news”, reforçou.

A PAIXÃO DE CRISTO NÃO É UM FATO PASSADO

Dom Odilo: ‘Pela Paixão e Morte de cruz, Ele nos amou até o fim e aceitou todo o desprezo do mundo’, Jornal O São Paulo

Ainda na homilia, o Cardeal Scherer enfatizou que a celebração da Paixão de Cristo não é a memória de um fato passado, mas atualizado pela vida de todas as pessoas que sofrem o mesmo que Cristo sofreu, aquelas apresentadas nas bem-aventuranças (cf. Mt 25): os que tem fome, sede, são perseguidos e caluniados.

Diante dessas pessoas, cabe ao cristão de hoje agir como fizeram algumas pessoas durante a Paixão de Jesus: “Como Maria, que com outras mulheres acompanhava Jesus que carregava a cruz, que o consolaram; como fez Verônica, que enxugou o suor do seu rosto; como fez o Cirineu, que ajudou a carregar a cruz; como fez João Evangelista, o discípulo que ficou de pé junto da cruz; como fizeram os dois fariseus, doutores da lei, que não compactuaram com a condenação de Jesus à morte; e Nicodemos, José de Arimateia, que fizeram o que era possível assim que Jesus morreu para ao menos honrar o seu corpo”, prosseguiu.

“O que podemos fazer hoje para que menos gente seja massacrada por causa de fake news, falsidades contra o próximo?”, indagou Dom Odilo, enfatizando, ainda, que a Paixão de Jesus coloca todos diante de uma missão: “hoje, somos chamados a fazer a nossa parte para que este mundo seja melhor. Pela Paixão e Morte de cruz, Ele nos amou até o fim e aceitou todo o desprezo do mundo”, comentou, lembrando ainda do grande sentimento de gratidão que cada ser humano deve ter por Cristo ter suportado todas as dores da humanidade.

ORAÇÃO UNIVERSAL

Após a homilia, a ação litúrgica teve sequência com a oração universal pela Santa Igreja, pelo Papa, por todas as ordens e categorias de fiéis, pelos catecúmenos, pelos que creem no Cristo, pelos judeus (aos quais o Senhor Deus falou em primeiro lugar), pelos que não creem no Cristo (a fim de que possam ingressar no caminho da salvação), pelos que não reconhecem a Deus (para que possam chegar ao Deus verdadeiro), pelos governantes, pelos que se empenharam no auxílio ao próximo durante a pandemia de COVID-19, pelos que padeceram de alguma forma como o coronavírus e por todos os que sofrem provações.

‘EIS O LENHO DA CRUZ’

Na sequência, pelo corredor central da Catedral, houve a entrada da cruz, ainda encoberta com um pano vermelho. No presbitério, ao declamar “Eis o lenho da cruz”, o Arcebispo lentamente a desnudou.

Em substituição ao rito do beijo na cruz, que este ano novamente não aconteceu para se evitar o risco do contágio por COVID-19, o Cardeal conduziu a cruz pelo corredor central da Catedral, um momento de perceptível emoção e oração entre aqueles que estavam na assembleia de fiéis.

“Chegando em casa, podem completar este gesto, fazendo o beijo da cruz. Façam essa veneração a Jesus crucificado que entregou a vida por nós”, disse Dom Odilo, recomendando,  ainda, que o crucifixo esteja em lugar destacado da casa.

À ESPERA DA RESSURREIÇÃO

Dom Odilo: ‘Pela Paixão e Morte de cruz, Ele nos amou até o fim e aceitou todo o desprezo do mundo’, Jornal O São Paulo

Após este ato, houve a coleta para os lugares santos, onde Jesus nasceu e viveu, mas cuja a manutenção atual das ações evangelizadoras da Igreja Católica só é possível com a ajuda financeira dos fiéis de todo o mundo.

Posteriormente, estendeu-se sob o altar a toalha e o corporal, rezou-se a oração do Pai Nosso e teve sequência o rito da comunhão.

Antes de conceder a bênção conclusiva da ação litúrgica, o Arcebispo reforçou o convite para que as pessoas participem da Vigília Pascal no Sábado Santo, que na Catedral da Sé acontecerá às 19h, e também será realizada em todas as paróquias da Arquidiocese.

Ainda na Sexta-feira Santa, houve a procissão com o Senhor Morto pelas ruas do centro, partindo da Praça da Sé, tendo a frente a cruz com o lençol, e depois a imagem de Jesus e de Nossa Senhora das Dores. A procissão foi organizada pela Confraria de Nossa Senhora das Dores. No retorno à Catedral da Sé, houve a reflexão sobre o Sermão das 7 Palavras.

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