Em Tóquio, paralímpicos ‘quebraram recordes, aqueceram os corações e abriram mentes’

Em meio à pandemia de COVID-19, sem o público nas arquibancadas das arenas esportivas e com muitos protocolos para evitar a disseminação do coronavírus, a realização da 16a edição dos Jogos Paralímpicos foi desafiadora, mas entrou para a história pelo empenho dos atletas em alcançar a excelência em seus desempenhos.


José Carlos Chagas, bronze na bocha BC1, conquistou umas das 72 medalhas do Brasil nas Paralimpíadas de Tóquio (Foto: CPB)

“Em 12 dias mágicos, os atletas deram ao mundo confiança, alegria e esperança. Quebraram recordes, aqueceram os corações, abriram mentes. É importante ressaltar que os atletas mudaram vidas. No Japão, existe uma bela filosofia antiga chamada Kintsugi. Significa ‘abraçar as imperfeições que todos nós temos, não para escondê-las, mas para celebrá-las’”, afirmou, na cerimônia de encerramento, o brasileiro Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês).

Ao longo dos Jogos, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), foi lançada a campanha #WeThe15, que busca a conscientização global contra as discriminações que ainda sofrem as pessoas com deficiência e o apoio às suas lutas por inclusão, acessibilidade e dignidade.

“Estamos em uma encruzilhada determinante para o nosso planeta. Nenhuma máscara pode cobrir suas falhas. À medida que o reconstruímos e o tornamos melhor, 15% da população mundial não pode ficar para trás. Devemos ver além dos atletas que tiveram um desempenho tão bom aqui e enxergar o 1,2 bilhão de pessoas com deficiência. Eles podem e querem ser cidadãos ativos em um mundo inclusivo”, ressaltou Parsons.

Campanha histórica

A delegação brasileira alcançou seu melhor desempenho em uma edição paralímpica: foram 72 medalhas, igual quantidade à dos Jogos Rio 2016, mas com recorde em conquistas de ouro, 22 ao todo (leia mais no box), o que fez com que o Brasil fosse o 7o colocado entre as 86 nações que conquistaram ao menos uma medalha em Tóquio.

“O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) celebra, além da maior campanha de todos os tempos, o atingimento de todas as metas, como a de participação de mulheres, participação de atletas jovens, participação de atletas de classes baixas [atletas com as deficiências mais severas]”, ressaltou, em coletiva de imprensa, Mizael Conrado, presidente do CPB.

Conrado afirmou, ainda, que os bons resultados também são fruto do programa Bolsa Atleta, iniciado em 2005, que permite a manutenção financeira dos atletas de alto rendimento, além de aporte aos novos talentos de diferentes modalidades. Apenas neste ciclo paralímpico, o total investido diretamente nos integrantes da delegação brasileira que estiveram em Tóquio foi de R$ 75 milhões.

Nem sorte, nem superação: muito trabalho

Daniel Dias com as três medalhas de bronze conquistadas em Tóquio (foto: CPB)

Ao longo dos Jogos, muitos medalhistas ressaltaram que é preciso que a sociedade brasileira seja mais inclusiva e levantaram voz contra o capacitismo, ideia que parte do pressuposto de que a pessoa com deficiência é menos capaz que as outras, de modo que todos os seus feitos, inclusive no campo esportivo, seriam fruto de superação de suas “naturais limitações” por não ter um “corpo perfeito”.

“Tudo que eu conquistei no esporte foi com muita dedicação e perseverança. Criei um nome. Creio que posso ser um influenciador positivo. Sou exemplo para muitas pessoas, inclusive as sem deficiência. Quero passar a mensagem ‘Sorria para a vida’. Que em um futuro, a gente pare com o bullying e o preconceito. Temos que entender que somos diferentes, sim, mas iguais em capacidade”, declarou o nadador Daniel Dias, que em Tóquio conquistou três medalhas de bronze e encerrou a carreira com 27 pódios na história das paralimpíadas.

Aos 56 anos, Elisabeth Gomes foi medalhista de ouro no lançamento de disco F53 no atletismo. Ela lembrou que o resultado foi fruto de intensos treinamentos: “O trabalho foi árduo desde 2016. Veio a pandemia e não paramos, nós nos reinventamos com treinamentos remotos. Montei academia em casa, comprei a aparelhagem que faltava para que isso não pudesse atrapalhar o nosso sonhado Tóquio 2021. E hoje estamos aqui para escrever essa história. Eu acreditei e fui atrás dos meus objetivos. Eu repeti muito esse movimento, então estava segura do que ia fazer. Em nenhum momento foi sorte. Foi treino”.

BRONZE

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