Gratidão a Deus pelo dom da vida do Cardeal Cláudio Hummes

Prossegue até a quarta-feira, 6, os ritos fúnebres do Cardeal Cláudio Hummes, que morreu na segunda-feira, 4, aos 87 anos de idade em decorrência de um câncer no pulmão.

Gratidão a Deus pelo dom da vida do Cardeal Cláudio Hummes

Dom Cláudio Hummes foi Arcebispo de São Paulo entre 1998 e 2006, Prefeito da Congregação para o Clero, de 2006 a 2010, e já como Arcebispo Emérito teve destacada atuação em defesa da Amazônia e dos povos originários.

Na terça-feira, 5, fiéis, padres e bispos que participaram das missas de corpo presente na Catedral da Sé falaram à rádio 9 de Julho sobre o legado de Dom Cláudio para a Igreja e a sociedade.

Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo de Piracicaba (SP)

Dom Cláudio foi um arcebispo que esteve à frente da Arquidiocese de São Paulo no momento de muito trabalho de intensas atividades. Também um homem de toda a Igreja, com o trabalho que exerceu lá em Roma à frente da Congregação para o Clero, quando muito contribuiu para a formação do clero. Nas vezes em que eu estive com ele aqui na Arquidiocese, ele já emérito e eu como bispo auxiliar, era uma presença sempre alegre, muito jovial e nem a doença tirou isso dele. Mesmo nos momentos em que ele sofria, mantinha essa jovialidade, alegria, mas, sobretudo, mantinha a fé. Dom Cláudio soube viver essa fase da doença com muita coragem e confiança na vida eterna. Ele não deixou de trabalhar mesmo durante o tempo porque em que já estava com câncer, fazendo os tratamentos necessários. Ele estava no trabalho da Amazônia inclusive fazendo várias viagens. Ele nos falava com muito entusiasmo da questão da Amazônia. É uma pessoa que tem a sua morada definitiva não aqui nessa realidade passageira, mas na vida eterna.

Dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto (SP)

Não podia deixar de vir hoje aqui para rezar e agradecer a Deus pela vida e o ministério de Dom Cláudio. Ele terminou sua vida entre nós ontem para entrar na vida definitiva. Tenho presente sua dedicação ao serviço da Igreja, mais recentemente na Amazônia. Foi um homem dedicado à causa do Evangelho, de modo especial evangelizando em situações limites, desafiadoras como a questão da Amazônia, os direitos dos indígenas, dos ribeirinhos, dos quilombolas. Portanto, ele deixa para nós um legado muito bonito de total dedicação a serviço do Evangelho.

Eliana [sobrenome não identificado]

Eu acompanhei a vida do Dom Cláudio porque ele ficou muito tempo na minha cidade, Santo André. Depois, tornou-se Arcebispo aqui, e eu sempre acompanhei a trajetória dele, inclusive quando ele foi embora para Roma. Em 2019, aqui nesta Catedral, no dia 28 de julho, eu pude, depois de muitos anos, conversar com ele aqui e relembrei todo esse tempo. Ele fez muita coisa boa: restaurou essa catedral e a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Santo André. Ajudou muitas pessoa! Dom Cláudio Hummes foi, é, e sempre será um grande homem, como pessoa, como padre e como bispo.

Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida (SP)

A voz de Dom Cláudio soou mais alta, mais forte, ao falar de muitos aspectos da Amazônia, dos pobres, das vocações e dos leigos. Como franciscano, ele sempre lembrava que todos somos irmãos, seu lema episcopal, que ele sempre bem viveu. Ele tinha um coração muito aberto ao diálogo. Durante a Conferência de Aparecida, em 2007, eu era delegado dos bispos de Santa Catarina, e pude conversar muito com Dom Cláudio. A Igreja toda tem muito a agradecer a Deus pela vida de Dom Cláudio.

Irma Maria Nazaré, que conviveu com Dom Cláudio

Aprendi muitas coisas boas com Dom Cláudio. Quando cheguei, nunca tinha cozinhado para um cardeal. Ai eu ia fazer as coisas para ele, eu sempre dizia que não havia ficado bom. Um dia, ele falou assim: ‘vai fazendo, vai fazendo que um dia sai bem’. Ele dava muita força pra gente. Ficávamos animadas com isso porque ele dava apoio, não reclamava, comia de tudo, falava que estava bom. Era calmo, paciente, bom. Ia para seu escritório, descia cinco minutos antes do meio dia para almoçar. Chegava e perguntava: ‘posso rezar?’, eu respondia que podia rezar que estava pronto o almoço. Ele rezava, a gente almoçava e ele subia para fazer seu descanso. Foi um homem de muita oração. Ele não deixava de celebrar, todo dia. Às vezes, chegava tarde de viagem e falava que ia celebrar, pois ainda não tinha celebrado a missa do dia. Um homem muito piedoso. Dava sempre força da gente. Era um pai espiritual.

Padre Aldo de Lima, do clero arquidiocesano

Foi acolhido por Dom Cláudio na Teologia e também tive a ordenação presbiteral na Paróquia São Paulo Apóstolo, do Belém, em uma tarde de domingo, 27/01/2002. Dou graças a Deus por tudo aquilo que Dom Cláudio fez na minha vida, pelo meu ministério, pela minha formação nesta Arquidiocese e por tudo aquilo que ele foi: a sua simplicidade, a sua vida franciscana, o seu testemunho de empregar o Evangelho e viver uma vida muito simples, muito quieta e de muito testemunho silencioso entre nós, padres. Dom Cláudio inspira a Igreja nos dias de hoje, diante dos desafios. Vejo no ministério, na vida de Dom Cláudio, as palavras que são próprias de São Francisco: os atos falam, as palavras cessam. Sua vida silenciosa fica registrado na minha mente e no meu coração, seu jeito até meio tímido, mas agindo, sempre trabalhando de modo incansável no meio de nós e testemunhando a simplicidade de Jesus Cristo.

Padre Tarcísio Mesquita, coordenador do Secretariado de Pastoral

Destaco a beleza de Dom Cláudio e do seu trabalho, sobretudo agora na sua fase de mais idade, na defesa da Amazônia, dos povos originários do Brasil, da América Latina, da região amazônica, bem como seu cuidado com as questões sociais e humanitárias. Para mim, ele fica como um exemplo. Tenho certeza de que São Francisco de Assis o abraçou e disse: ‘Cláudio, venha para cá!”.

Cônego José Renato Ferreira, ex-diretor da rádio 9 de Julho

Preciso destacar que Dom Cláudio foi o arcebispo que conseguiu, depois de todo empenho de Dom Paulo Evaristo Arns, inaugurar a nossa rádio 9 de julho. Todas as vezes que nós o convidávamos, ele ia à rádio, falava. Ele deixa um grande legado. E fica a memória desse franciscano discreto, mas presente, muito presente e firme nas suas convicções. Lembro-me que os nossos planos pastorais em todas as grandes celebrações, em nossas reuniões do clero, dizia que é preciso ir atrás dos católicos batizados, mas não evangelizados. Ele abraçou a causa da Amazônia como um grande franciscano e também pastor da Igreja. E o lema episcopal dele também ecoa nesses compromissos que ele exercia. ‘Vos sois  todos os irmãos’. Agora, o que me impressionou foi durante esse período, de tanto sofrimento com o câncer, a sua resistência e fé. Estava na cruz com Cristo, e agora está ressuscitado plenamente. É um homem que não poderá ser esquecido de jeito nenhum e é com gratidão que a gente o entrega a Deus. Vai ser um grande intercessor da Igreja de São Paulo para que ela viva esse tempo de missão.

(Colaborou: Júlia Cabral e Cleide Barbosa)

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