Monsenhor Rogério Augusto é ordenado Bispo pelo Cardeal Scherer

Ordenação episcopal ocorreu em São José dos Campos (SP); novo Bispo Auxiliar de São Paulo escolheu como lema ‘O Senhor é o meu Pastor’

Por Daniel Gomes e Fernando Arthur

Cardeal Scherer preside o rito de ordenação episcopal do Monsenhor Rogério (fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Há sete anos, os fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Soledade, em São José dos Campos (SP), acostumaram-se com o convívio pastoral e fraterno do Padre Rogério Augusto das Neves. Na tarde do domingo, dia 1o, o Sacerdote lá estava novamente, já não mais como Pároco, mas, sim, para receber a ordenação episcopal em sua cidade natal, após ter sido nomeado pelo Papa Francisco, em 3 de março, como Bispo Auxiliar de São Paulo.

Monsenhor Rogério, 55, foi ordenado bispo pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo. Também foram ordenantes Dom José Valmor Cesar Teixeira, SDB, Bispo de São José dos Campos (SP); e Dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto (SP).

O MINISTÉRIO DO BISPO

Na homilia, o Cardeal Scherer agradeceu ao Monsenhor Rogério por ter aceitado o chamado do Papa para exercer a missão de Bispo Auxiliar na Arquidiocese: “Monsenhor Rogério, seja bem-vindo para nos ajudar em São Paulo”, expressou.

Dom Odilo recordou que Cristo escolheu os apóstolos e os enviou, cheios do Espírito Santo, para anunciar o Evangelho e santificar os povos, missão que também compete àqueles a quem transmitiram este ministério por meio da imposição das mãos, “que confere a plenitude do sacramento da Ordem”.

“No Bispo, com os seus presbíteros, está presente na Igreja o próprio Jesus Cristo, Senhor e Pontífice eterno. Pelo ministério do Bispo, é Cristo que continua a proclamar o Evangelho e a distribuir aos que creem os sacramentos da fé. Pela solicitude paternal do Bispo, é Cristo que incorpora novos membros à Igreja. Pela sabedoria e prudência do Bispo, é Cristo que conduz seu povo nesta peregrinação terrena até a felicidade eterna”, afirmou o Arcebispo de São Paulo.

Dom Odilo também enfatizou que o bispo “deve distinguir-se mais pelo serviço prestado do que pelas honrarias recebidas”, e que como Cristo, o Bom Pastor, é sua missão velar por todo o rebanho de fiéis, para reger a Igreja em nome do Pai, “de quem és a imagem entre os fiéis”; do Filho, “cuja missão de Mestre, sacerdote e pastor, exerces”; e do Espírito Santo, “que dá a vida à Igreja de Cristo e fortalece a nossa fraqueza”.

RITOS DA ORDENAÇÃO

O rito de ordenação episcopal teve início após a proclamação do Evangelho, com a invocação do Espírito Santo. Depois, aconteceu a apresentação do sacerdote eleito para o episcopado e foi lido o mandato apostólico pelo qual o Papa Francisco o nomeou Bispo da Igreja.

Após a homilia, o Monsenhor Rogério foi interrogado por Dom Odilo quanto à sua fé e sua futura missão, manifestando os seus propósitos, dentre os quais, o de desempenhar a missão até a morte, anunciar o Evangelho com fidelidade, conservar a tradição recebida dos apóstolos, a comunhão com o colégio episcopal e obediência ao Papa.

Na sequência, o Bispo Eleito prostrou-se diante do altar, enquanto foi invocada por toda a assembleia a Prece Litânia, também conhecida como Ladainha de Todos os Santos. Chegou, então, o momento central do rito de ordenação: a imposição das mãos dos ordenantes sobre a cabeça do eleito, gesto repetido pelos demais bispos, como sinal de comunhão no mesmo ministério, seguida na prece de ordenação.

O rito continuou com a unção do óleo do Crisma na cabeça do ordenando, sinal de sua participação na plenitude do sacerdócio de Cristo; e o recebimento do livro dos Evangelhos e das insígnias episcopais: o anel, símbolo da fidelidade à Igreja; a mitra, sinal da santidade da Igreja; e o báculo, sinal do serviço pastoral e cuidado do rebanho. 

‘O SENHOR É O MEU PASTOR’

Após a comunhão, Dom Rogério deu a sua primeira bênção episcopal aos fiéis, passando pelos corredores do templo e pelas laterais do lado externo da igreja.

De volta ao presbitério, proferiu suas primeiras palavras como Bispo. Ele agradeceu aos familiares, amigos, aos colegas do clero da Diocese de São José dos Campos e aos estudantes aos quais lecionou o Direito Canônico nos últimos anos, área na qual é mestre e doutor.

Dom Rogério confidenciou que desde que recebeu a notícia de que seria nomeado bispo, experimentou dois sentimentos: o de perda – “porque Deus me deu a graça de trabalhar com aquilo que amo e de amar aquilo que eu faço; e senti ao saber que teria que deixar tudo isso para fazer outra coisa”; e o de medo, não daquele que se apavora diante dos fatos, mas dos que se reconhecem pequenos perante Deus e a tarefa de pastorear o povo.

“A superação do medo vem pela confirmação da confiança em Deus”, ressaltou o novo Bispo, comentando, ainda, que superou o sentimento de perda a partir da paz, que, conforme lembrou, é o dom do Ressuscitado. “É no Espírito que nós encontramos a paz necessária para superar o medo e para vencer a insegurança das perdas”, enfatizou Dom Rogério, que escolheu como lema episcopal “O Senhor é o meu Pastor” (cf. Sl 23,1).

‘Estou ansioso por conhecer o povo santo de Deus que mora em São Paulo’

Ao final da celebração, Dom Rogério Augusto das Neves teve a oportunidade de agradecer aos familiares, bispos e padres e aos fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Soledade, da qual foi pároco por sete anos e colaborou para a reforma do templo.

Geisila Maria de Oliveira, que fez a primeira leitura na missa, estava visivelmente emocionada. “Ele é um pai para nós, um exemplo de uma pessoa humilde e companheira. É aquele que se pode estender a mão pedindo ajuda e ele prontamente o faz, sem pensar”, afirmou a paroquiana ao O SÃO PAULO.

Também muito emocionado, Rodolfo Aparecido das Neves, irmão do novo Bispo, levou o báculo pastoral de Dom Rogério durante o rito da ordenação. “Ele reúne os requisitos de seriedade, honestidade e os dons que Deus lhe deu para ser bispo. Estou certo de que ele vai honrar esses dons, como já demonstrou ao longo de seus trabalhos”, comentou ao lado de suas irmãs, Rita de Cássia e Rosângela, e do pai, Orlando das Neves. A mãe de Dom Rogério, a senhora Helena Augusto, já é falecida.

Enquanto abençoava o povo na parte final da missa, Dom Rogério encontrou o Padre José Edward Padoan. O Sacerdote foi responsável pela animação vocacional do agora Bispo e o acolheu no Seminário Diocesano Santa Terezinha. Em seu agradecimento, o Prelado se emocionou ao falar sobre o Padre Padoan: “Eu fui coroinha dele, desde pequeno, e por muito tempo”.  

Padre Paulo Renato Campos, comentarista da missa, expressou sua alegria em participar da ordenação do colega de presbitério. “Ele é um homem de Deus preocupado com o povo. Que o ministério dele seja frutuoso!”, desejou.

Em entrevista à reportagem, Dom Rogério falou sobre sua expectativa para a posse do ofício de Bispo Auxiliar na Arquidiocese, o que acontecerá no domingo, 8, durante a celebração em que o Monsenhor Cícero Alves de França será ordenado bispo na Catedral da Sé.

“O acolhimento que recebi dos bispos auxiliares e do senhor Cardeal até agora me fazem ter a certeza de que não estou sozinho, de que haverá muitas pessoas para colaborar comigo. Estou ansioso por conhecer o povo santo de Deus que mora em São Paulo. Tenho certeza que será tão caro para mim como o povo que tive até aqui” concluiu.

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