No adeus a Dom Cláudio, reconhecimento e gratidão por seu intenso legado à Igreja e à sociedade

Familiares, autoridades eclesiásticas e civis, amigos e centenas de fiéis se despediram do Cardeal que foi Arcebispo de São Paulo entre 1998 e 2006

No adeus a Dom Cláudio, reconhecimento e gratidão por seu intenso legado à Igreja e à sociedade
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Muita emoção e fé marcaram a despedida a Dom Cláudio Hummes, que foi Arcebispo de São Paulo entre 1998 e 2006, Prefeito da Congregação para o Clero, de 2006 a 2010, e como Arcebispo Emérito se destacou em sua atuação em defesa da Amazônia.

Ele foi sepultado no fim da manhã da quarta-feira, na cripta da Catedral da Sé, onde aconteceu seu funeral desde a noite da segunda-feira, 4, quando faleceu, aos 87 anos, em sua residência, em decorrência de um câncer no pulmão.

Ao O SÃO PAULO familiares e amigos expressaram sua gratidão e profunda admiração pelo legado deixado por Dom Cláudio à Igreja e à sociedade.

IRMÃO COM OS IRMÃOS

Inácio Hummes, 73, irmão de Dom Cláudio, recordou que o Cardeal Hummes priorizava estar com a família nos seus períodos de férias e costumava ficar hospedado na sua casa, e fazia questão de visitar os irmãos, parentes e amigos. Gostava de fazer caminhadas e de conversas descontraídas em rodas de chimarrão.

“Dom Cláudio é meu irmão de sangue, mas é irmão de todos, de modo especial, dos pobres, dos indígenas, dos ribeirinhos, dos quilombolas. Somos gaúchos, mas Dom Cláudio amava o povo de São Paulo. Como era bonito ouvi-lo contar sobre suas atividades missionárias na Arquidiocese paulista. Quando nos falava sobre a Amazônia, seus olhos brilhavam e sempre pedia para nós cuidarmos da nossa Casa Comum”, recordou, afirmando que “ele deixa esse legado de homem dedicado à causa do Evangelho”, disse.

No adeus a Dom Cláudio, reconhecimento e gratidão por seu intenso legado à Igreja e à sociedade
Familiares próximo ao caixão de Dom Cláudio

LEGADO DE FÉ E ESPERANÇA

Mariane Hummes, 58, sobrinha de Dom Cláudio, destacou que o tio não abria mão de participar dos encontros anuais de sua família: “Sempre foi para nós muito próximo. Muito irmão, muito tio. Ele tinha um carinho enorme por toda a família, mesmo ela sendo muito grande. Sempre esteve muito presente na vida e nos acontecimentos da família e se preocupava com os irmãos, sobrinhos, primos, sobrinhos-netos. Temos excelentes memórias da convivência com ele. Somos muito gratos a Deus por termos vivido no tempo dele”.

Emocionada, Mariane recordou o legado do tio para a Igreja e para a sociedade. “A atuação junto às comunidades indígenas e à frente da Comissão para a Amazônia vinha proporcionando profunda alegria a Dom Cláudio.  Ele também trilhou uma jornada em defesa dos pobres, que são aspectos de sua trajetória enquanto Pastor que evidenciam sua humildade, generosidade e o espírito franciscano de ser e viver a vida e vocação”, afirmou.

“Lembro que tio Cláudio sempre esteve preocupado com as questões ambientais e estava feliz porque conseguiu passar seus trabalhos, especialmente os relacionados à Amazônia, para outros padres e lideranças da Igreja, para que estes continuem o seu legado”, finalizou.

MUDAR A ROTA

Renata Sebastiana Pereira, religiosa das Irmãs Paulinas, falou que esteve em vários momentos com o Cardeal Hummes e que ele era enfático em afirmar sobre a necessidade de mudar a rota na atenção e preservação da Casa Comum.

“Dom Cláudio manifestava sua preocupação com as questões ambientais, de modo particular com a Amazônia Legal. Para mim, ele é o Profeta da Amazônia, e nos deixa o testemunho desse cuidado com a sustentabilidade e com os povos originários”, pontuou.

TESTEMUNHO VOCACIONAL

Eduardo Nunes, 20, é seminarista da Diocese de Santo André (SP). Ele destacou que seu chamado vocacional foi impulsionado pelo ministério e testemunho missionário de Dom Cláudio.

“A exemplo de Dom Cláudio, quero também doar a minha vida por meio do ministério sacerdotal”, disse, ressaltando que “o Cardeal Hummes sempre defendeu a Igreja e propagou o Evangelho a todos - priorizando os que estão à margem da sociedade.  Por meio de seu ministério e de sua vida de oração se identificou e se configurou ao Cristo Bom Pastor”, disse.

AMIGO PRÓXIMO

O Cardeal Orani João Tempesta recordou que esteve em vários momentos junto a Dom Cláudio na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no Consistório de Cardeais em Roma, em encontros nacionais do episcopado brasileiro e que era um amigo muito próximo.

O Cardeal Tempesta destacou que “Hummes foi fiel à sua vida cristã até o fim, enfrentou as dificuldades com coragem, dinamismo e fidelidade”, afirmou, ressaltando sua amizade com o Papa Francisco, sua luta e preocupação com as causas sociais e sua paixão pela Amazônia.

JUNTO COM OS POBRES

Ana Nair da Rocha, 84, conheceu Dom Cláudio e recordou emocionada os vários momentos em que esteve junto ao Arcebispo. “Estive com o Cardeal Hummes em várias oportunidades aqui na Catedral. Ele me ensinou a humildade franciscana, a ser amiga dos pobres e partilhar com o irmão o pouco que temos”, contou com lágrimas.

Ana Maria da Silva Alexandre, coordenadora da Casa de Oração do Povo de Rua, recordou que Dom Cláudio foi uma peça importante para a manutenção das obras sociais e emergenciais da Casa de Oração no período da pandemia: “Deixou sua marca de humildade e generosidade impressa em nossos corações”.

Aparecida, 79, é voluntária na Pastoral do Povo de Rua e, disse, chorando: “Ele deu de comer muitas vezes às pessoas com fome na rua, a exemplo de Jesus. Ele amou e acolheu os pobres em seu ministério”.

Jorgelina Venites, mora próxima da Catedral da Sé e, muito emocionada, acompanhou os três dias de velório na Catedral. “Quis estar aqui, perto dele, também neste momento de despedida. Dom Hummes foi uma luz na minha vida em um momento de extrema dificuldade, quando tinha perdido o sentido da vida - com suas palavras de Pastor me resgatou para a vida”, disse.

AMIGO DO CORPO DOCENTE

Marlise Aparecida Bassani, coordenadora e professora titular do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), recordou que seu contato com Dom Cláudio começou na sua adolescência quando ele era Bispo em Santo André. “Ele ia ao colégio onde estudava para dar orientação e assistência religiosa. Na Catedral Nossa Senhora do Carmo, as suas homilias eram profundas e com uma linguagem pautada na justiça e nos valores cristãos”, expressou.

Já como docente na PUC-SP, Marlise destacou que teve contato e uma boa convivência no período em que foi Grão-chanceler. “Ele  foi um grande apoiador e incentivador dos estudos acadêmicos”, pontuou.

“Dom Cláudio sempre apoiou os estudos acadêmicos e abriu perspectivas  para reflexões voltadas à saúde, sobre as mudanças climáticas e meio ambiente, concluiu sua vida como profeta da Amazônia”, afirmou.

1 comentário em “No adeus a Dom Cláudio, reconhecimento e gratidão por seu intenso legado à Igreja e à sociedade”

  1. Dom Cláudio é mais um santo que futuramente a Igreja vai reconhecer.
    Era inteligentíssimo e grande mestre do conhecimento e da preocupação com a Igreja.
    Sua passagem por São PAULO DEIXOU UMA GRANDE MARCA.

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