No dia do Sagrado Coração de Jesus, católicos rezam pela santificação dos sacerdotes

Na Catedral da Sé, Cardeal Scherer presidirá a Missa do Crisma e da renovação das promessas sacerdotais do clero arquidiocesano

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(Foto: Luciney Martins)

Na sexta-feira, 11, a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes.

Este ano, o clero da Arquidiocese de São Paulo se reunirá na Catedral da Sé para a Missa do Crisma, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano.

Essa celebração, que tradicionalmente acontece na Quinta-feira Santa, foi adiada devido ao agravamento da pandemia de COVID-19 na capital paulista nos meses de março e abril.

Nessa liturgia, acontecem a bênção dos Santos Óleos utilizados nos ritos dos sacramentos do Batismo e da Unção dos Enfermos, e a Consagração do Óleo do Crisma. Também nessa ocasião, os padres renovam suas promessas sacerdotais diante do Arcebispo.

A celebração será transmitida, ao vivo, a partir das 9h30, pela rádio 9 de Julho, pela Rede Vida e pelas mídias digitais da Arquidiocese.

Guias do rebanho

Cada cristão corresponde ao chamado universal à santidade por meio de sua vocação específica. Os sacerdotes “alcançam a santidade pelo próprio exercício do seu ministério, realizado sincera e infatigavelmente no Espírito de Cristo”, como destaca o Decreto Presbyterorum ordinis, do Concílio Vaticano II.

Uma das “relíquias” do magistério da Igreja sobre esse tema é a Exortação Apostólica Menti nostrae, escrita pelo Papa Pio XII, em 1950, sobre a santidade da vida sacerdotal.

“Guiai o rebanho de Deus, que está entre vós, tende cuidado dele, tornando-vos sinceramente exemplares do rebanho” (1Pd 5,2.3). A partir dessas palavras de São Pedro, o Pontífice afirma que não há como o ministério sacerdotal conseguir plenamente seu fim, “se os sacerdotes não brilham no meio do povo por insigne santidade, como dignos ‘ministros de Cristo’, e fiéis ‘dispensadores dos mistérios de Deus’” (1Cor 4,1).

A exemplo do Senhor

Para isso, o Pontífice recorda que o padre deve ter os olhos fixos em Cristo, seguindo seus ensinamentos e exemplos, na busca de uma vida “cristocêntrica”, “adornado de todas as virtudes, e dar aos outros o exemplo de vida reta”.

A primeira das virtudes que o sacerdote deve imitar do Cristo é a humildade, aprendendo do próprio Mestre a ser “manso e humilde de coração” (cf. Mt 11,29), jamais confiando nas próprias forças, tampouco buscando a estima e os louvores dos seres humanos, pois, como Cristo, não veio “para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28). Iluminado pela fé, o presbítero dispõe a alma à imolação da vontade por meio da obediência, a exemplo do Senhor, que foi obediente até a morte de cruz (cf. Fl 2,8).

Sacrifício

“Assim como toda a vida do Salvador foi ordenada para o sacrifício de si mesmo, também a vida do sacerdote deve ser com Ele, por Ele, e Nele um sacrifício aceitável”, acentua o Pontífice, destacando o sacrifício eucarístico como maior expressão dessa entrega.

“O sacerdote, portanto, não somente celebrará a Santa Missa, mas a viverá intimamente; somente assim poderá alcançar aquela força sobrenatural que o transformará e o tornará partícipe da vida de sacrifício do Redentor”, destaca.

Renúncia

O sacerdote também alcança a santidade por meio da renúncia expressa, sobretudo, pelo celibato apostólico, dedicando sua vida inteiramente “às coisas de Deus” (cf. 1Cor 7,32-33).

“Quanto mais refulge a castidade sacerdotal, tanto mais unido se torna o sacerdote com Cristo, ‘hóstia pura, hóstia santa, hóstia imaculada’”, acrescenta, recordando a necessidade da constante vigilância.

Desapego

Na vida sacerdotal, o desprendimento da vontade e de si mesmo deve estar unido ao desapego cotidiano dos bens materiais.

“Tomai como exemplo os grandes santos do passado e dos nossos tempos, os quais, unindo o necessário desprendimento dos bens materiais a uma grandíssima confiança na providência e a um ardentíssimo zelo sacerdotal, realizaram maravilhosas obras, confiando unicamente em Deus, o qual nunca deixa faltar o necessário”, sublinha o Pontífice.

Vida de oração

Se para todo cristão o principal meio de santificação é a oração, para um presbítero isso é imprescindível. Ao orar, o padre não apenas o faz por si, mas por toda a Igreja, corpo de Cristo, especialmente por meio das orações litúrgicas.

Unidos a Cristo, os sacerdotes também não podem deixar de nutrir fervorosa devoção a Nossa Senhora, invocando-a com confiança, sobretudo por meio da meditação dos mistérios do Rosário, que, como lembra Pio XII, “conduz a Jesus por Maria”.

No dia do Sagrado Coração de Jesus, católicos rezam pela santificação dos sacerdotes
São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes (Reprodução da internet)

Confissão

Aqueles que receberam de Cristo a missão de perdoar os pecados também devem se aproximar com frequência do sacramento da Reconciliação.

“Ainda que ministros de Cristo, somos, contudo, débeis e miseráveis; como poderemos, pois, subir ao altar e tratar os sagrados mistérios, se não nos procuramos purificar o mais frequentemente possível?”, indaga o Santo Padre, que recomenda ainda a prática diária do exame de consciência e a busca frequente da direção espiritual, assim como dos retiros espirituais.

Caridade

Por fim, os sacerdotes se santificam à medida que, a exemplo de Cristo que “passou fazendo o bem e curando a todos” (At 10,38), são “os apóstolos da caridade: devem, portanto, promover as obras de caridade, tanto mais urgentes hoje, que cresceram enormemente as necessidades dos indigentes”.

“A exemplo do divino Mestre, vá o sacerdote ao encontro dos pobres, dos trabalhadores, daqueles todos que se encontram em angústia e miséria... Mas não se descuide tampouco daqueles que, embora ricos de bens de fortuna, são, no entanto, os mais pobres de alma e têm necessidade de ser chamados à renovação espiritual”, alerta o Papa, recordando que, ao realizar a caridade, o sacerdote jamais perca de vista o fim da sua missão: ministro de Jesus Cristo.

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