Santa Sé: todos têm a responsabilidade moral de ajudar os refugiados

Em três discursos às Nações Unidas em Genebra, foi reiterada a importância de acolher os que fogem da Ucrânia e os riscos enfrentados por mais de sete milhões de crianças. O diálogo ainda é possível, mas deve ser feito o quanto antes

Santa Sé: todos têm a responsabilidade moral de ajudar os refugiados, Jornal O São Paulo
Caritas Polônia

“Pensamos no trágico sofrimento das mães que fogem com seus filhos, das famílias que estão separadas. Pensamos nas crianças desacompanhadas e nos idosos que tiveram que abandonar seus lares”. Com estas palavras e com o olhar para a guerra na Ucrânia, o representante da missão permanente da Santa Sé em Genebra falou na 83ª reunião permanente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, convocada na Suíça para atualizar a situação na Europa.Ouça e compartilhe!

Agradecimento à Polônia e aos países que fazem divisa com a Ucrânia

“A Santa Sé continua a seguir o conflito com profundo sofrimento e grande preocupação”, lê-se na declaração. O “Papa Francisco”, foi enfatizado, “enviou suprimentos médicos para ajudar a população ucraniana” e “quis estar presente entre aqueles que sofrem naquele país”, encontrando os refugiados através das missões do Cardeal Krajewski, do Cardeal Czerny e da assistência de muitas organizações católicas. Depois a Santa Sé renovou sua gratidão aos países que fazem divisa com a Ucrânia, especialmente a Polônia, “pela generosidade que demonstram em acolher pessoas necessitadas como uma verdadeira família de nações”.

Corredores humanitários seguros

Além disso, reitera “a necessidade urgente de estabelecer e apoiar corredores humanitários e passagens seguras”. Isto “é da maior importância para salvar vidas e também para proteger e prevenir a exploração por organizações criminosas que podem tirar proveito da situação vulnerável de muitos, criando ainda mais vítimas do tráfico de pessoas”.

Santa Sé: todos têm a responsabilidade moral de ajudar os refugiados, Jornal O São Paulo
Caritas Polônia

Cerca de 7,5 milhões de crianças em risco

Em particular, foi recordado os direitos das crianças na 49ª sessão do Conselho de Direitos Humanos. A escalada da guerra na Ucrânia “representa uma ameaça imediata e cada vez maior à vida e ao bem-estar de pelo menos 7,5 milhões de crianças, muitas das quais já deixaram seus lares ou mesmo suas cidades”. A comunidade internacional tem, portanto, a responsabilidade moral de prestar assistência a elas e suas famílias, tanto a curto como a longo prazo. “Portanto, é absolutamente crucial apoiar os refugiados que fogem de zonas de conflito, inclusive simplificando os procedimentos para o reagrupamento familiar, para que todos aqueles que têm familiares em outros países possam chegar a eles de forma fácil e segura em tempo hábil”.

Negociações antes que seja tarde demais

“A absurda tragédia dos conflitos ao redor do mundo deve ser detida”, foi o destaque do discurso ao Grupo 2022 de Peritos Governamentais sobre Sistemas de Armas Letais Autônomas, cujas terríveis e imprevisíveis consequências sobre a estabilidade e a paz foram reiteradas. Como foi lembrado na conclusão da declaração ao ACNUR, “A Santa Sé deseja renovar o apelo do Papa Francisco para rejeitar a guerra como um meio de resolver disputas”. “É importante voltar às negociações antes que seja tarde demais”, porque “o diálogo ainda é possível, mas quanto mais tempo for adiado, maiores serão as perdas, especialmente em termos de vidas humanas, e mais amarga será a animosidade e mais difíceis serão os esforços de reconciliação”.

Michele Raviart – Vatican News

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